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Marília Abana distinguida com o Prémio de Prestígio Internacional

Marília Abana distinguida com o Prémio de Prestígio Internacional

A esposa, mãe e professora que recebeu a distinção como juiz de ginástica de trampolins

Marília Abana é natural e vive na Chamusca. É esposa, mãe, professora do 1º ciclo e distingue-se actualmente como juiz internacional de ginástica de trampolins. Regressou há poucos dias de Sófia, Bulgária, onde esteve a ajuizar as provas do Campeonato do Mundo por idades.

Edição de 04.12.2013 | Desporto
Marília Abana é actualmente uma das mais categorizadas juízes da ginástica portuguesa e internacional. O reconhecimento veio da Federação Portuguesa de Ginástica que lhe atribuiu o Prémio de Prestígio Internacional que foi entregue durante o 5º Congresso da Ginástica que decorreu em Rio Maior.A carreira de Marília Abana na ginástica começou muito cedo. Aos cinco anos já tinha um pequeno problema na coluna vertebral. A mãe, a conselho médico, colocou-a na ginástica artística, que nessa altura tinha uma escola na Chamusca. Escola que acabou por fechar cinco anos depois. “Na ginástica artística cheguei a ser campeã distrital de vários aparelhos e absoluta. Durante esses anos tivemos uma boa classe de ginástica artística na Chamusca. Tive imensa pena que tivesse acabado”.Teve depois uma passagem, entre os 10 e os 15 anos, pelo atletismo. “Na altura, na escola preparatória, o professor José Dias tinha formado uma equipa de atletismo, onde pontificava Mário Aníbal, que mais tarde viria a ser um grande campeão em Portugal e também no estrangeiro. Foi uma passagem curta, a ginástica era já a minha grande paixão”, conta.Mas o chamamento da ginástica esteve sempre no seu pensamento. “Em casa passava o tempo a fazer ginástica. Um muro em frente à casa dos meus pais servia de barra e o corredor da casa servia para fazer algumas piruetas. Treinava sozinha. Até que aos 15 anos soube que havia de novo ginástica na Chamusca, então desenvolvida pelo Vítor Varejão. Fui ver, pensando ainda que era ginástica artística, mas quando lá cheguei vi que era ginástica de trampolins. Fiquei desiludida, mas o professor convenceu-me a experimentar. Gostei e não mais deixei essa vertente da ginástica”, diz Marília com entusiasmo.Passados dois anos e já no secundário na opção de desporto, Marília era já uma ginasta de trampolins de elevada qualidade, e Vítor Varejão propôs-lhe a ela e a Sérgio Lucas, também ginasta e hoje um dos mais conceituados treinadores da área dos trampolins, para serem seus ajudantes treinando as camadas mais jovens. “Aceitámos e começamos. E como eu gosto muito de crianças foi entusiasmante e fez-me ganhar mais ainda o gosto pela modalidade e ali nos mantivemos até ir para a universidade”.Aí começaram as dificuldades, “Vínhamos ao fim-de-semana e treinavamos em Santarém à sexta-feira e aos sábados e domingos na Chamusca e na Golegã. Tivemos sempre a promessa de Vítor Varejão de que quando acabássemos o curso ficaríamos encarregues das classes mais jovens. Em competição fui passando pelos distritais e nacionais com algum sacrifício mas também com algum êxito”, garante a agora juiz internacional.Vítor Varejão esteve sempre no acompanhamento de Marília como ginasta e foi ele que aos 18 anos lhe propôs que fosse tirar o curso de juiz. “Com 18 anos, ainda no ensino secundário, aceitei o repto e fui tirar o curso de juiz. Concluí-o com uma boa média, e passei a ser atleta, treinadora e juiz”.A ida para a Escola Superior de Educação de Castelo Branco, para tirar o curso de professora, com a vertente de educação física, acabou por ser decisiva para a carreira de Marília. “Foram tempos difíceis mas que me deram uma boa experiência para o futuro”.A esposa, mãe, professora e juiz que nunca deixou a modalidade para trásDepois de tirar o curso de professora Marília optou pelo ensino primário. “O gosto de trabalhar com crianças foi decisivo para essa opção”. Durante vários anos andou um pouco por todo o país. Esteve dois anos nos Açores onde desenvolveu um projecto deveras interessante na área da ginástica. “Estava numa pequena vila do interior, onde desportivamente não havia quase nada. Juntamente com outras pessoas formámos um clube de ginástica que proporcionou experiências inolvidáveis aos ginastas. A vinda à cidade e as primeiras viagens de avião ao continente foram situações que marcaram aqueles jovens para sempre. Ainda hoje recebo palavras de estímulo de muitos deles”.Entretanto Marília casou e contou sempre com o apoio do marido. E só deixou de competir aos 26 anos, na altura em que ficou grávida do primeiro filho. “Deixei de competir mas continuei como treinador e como juiz. Tenho contado com o apoio do meu marido e da minha mãe e quando tive o segundo filho fiquei apenas como juiz”.Nesta situação de juiz as coisas correram sempre muito bem. Marília tem a experiência da competição e da formação. Começou a ajuizar a nível distrital e o seu sentido de ajuizamento começou a ser apreciado pelos responsáveis da ginástica portuguesa e foi subindo na carreira até chegar a juiz internacional.“A minha primeira internacionalização aconteceu num Campeonato da Europa disputado em França. Foi uma experiência que nunca mais esquecerei. Passei depois por vários países em provas europeias ou mundiais. Canadá, Estados Unidos da América, Rússia, Espanha, Alemanha, entre outros, foram países em que ajuizei internacionalmente. Agora estive no Campeonato do Mundo por idades, que se disputou em Sófia na Bulgária. Tem sido uma carreira bastante intensa, sem nunca deixar de ser esposa, mãe e professora dedicada”, garante.Por tudo isto Marília foi distinguida com o Prémio Prestígio Internacional pela Federação Portuguesa de Ginástica. Prémio que lhe foi entregue durante o Congresso da Ginástica que decorreu em Rio Maior. “Foi mais uma surpresa que me encheu de orgulho e me dá forças para continuar. Gostava de chegar a juiz nos Jogos Olímpicos. Sei que vai ser muito difícil lá chegar. Mas com a ajuda dos responsáveis da ginástica portuguesa, do meu marido, da minha mãe e o amor dos meus filhos, acredito que esse dia chegará”, garante Marília Abana a concluir.O filho que segue as pisadas da mãeHenrique Moreira tem 12 anos, é o filho mais velho de Marília Abana e segue as pisadas da mãe. É ginasta de trampolins na Sociedade Filarmónica Gualdim Pais em Tomar, onde é treinado pelo professor Sérgio Lucas. “O meu pai foi árbitro de futebol, e ainda me tentou levar para a modalidade, mas o que eu gosto é dos saltos nos trampolins e ser ginasta de nível mundial”, atira logo de entrada Henrique.Foi por influência da mãe que Henrique foi para a ginástica e já foi campeão regional e vice-campeão nacional. “Admiro os grandes ginastas portugueses, Nuno Merino, Ana Rente, Diogo Ganchinho e Bruno Nobre, entre outros, gostava de chegar ao seu nível. Trabalho para isso”, disse com entusiasmo.O facto de estudar na Chamusca e treinar em Tomar não tem afectado os estudos de Henrique. “É o meu pai ou a minha mãe que me levam a treinar em Tomar. Estou-lhes agradecido por esse sacrifício que fazem para me fazerem feliz, por isso tento ser um aluno atento e aplicado e até agora tudo tem corrido muito bem. Sou aluno de boas notas”, garante com um sorriso de felicidade.Henrique é também um fã da carreira da mãe como juiz de ginástica. “Acompanho com orgulho a carreira da minha mãe. Sempre que recebe uma convocatória para ir ajuizar no estrangeiro fico emocionado e faço questão de lhe garantir que pode ir descansada que eu tomo bem conta de mim e ajudo o meu pai e a minha avó a cuidar do meu irmão”, garante.
Marília Abana distinguida com o Prémio de Prestígio Internacional

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