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“Devemos criar um turismo de alto valor e baixo prejuízo para o Rio Tejo”

Professor Carlos Cupeto falou sobre a importância de se definir um plano de acção
Edição de 04.12.2013 | Economia
O professor Carlos Cupeto, reputado especialista em questões ambientais, foi a Vila Nova da Barquinha defender a criação de uma estrutura turística de longo prazo ao redor do Rio Tejo para que se consiga, efectivamente, promover o património natural da região. “Falta-nos estruturar e oferecer um produto turístico que promova o imenso património natural que temos: o rio. A riqueza não está no sol ou na praia, um turismo sazonal de grande massa, mas aqui mesmo no rio e no turismo de extensão, desenvolvido durante todo o ano” disse na conferência “O Tejo que nos Une”, realizada na sexta-feira, 29 de Novembro, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha.O orador começou por mostrar imagens de uma praia e de uma piscina na China, onde milhares de pessoas “disputam” um lugar na água em contraponto com as extensas e amplas margens do Rio Tejo, habitadas por uma rica fauna e flora. “O Tejo tem um valor incalculável. Em toda a bacia do Tejo temos espaço e território para viver e “experienciar”. Só isto vale ouro mas tem que haver uma aposta estratégica. Tudo é nada”, referiu. Carlos Cupeto defende a programação de “um turismo de alto valor e baixo prejuízo” para o Rio Tejo, acrescentando que se deve levar em conta o turismo de última geração, “onde cada turista vale por dez dos antigos”. O especialista é da opinião que falta uma estrutura para o turismo com a inclusão de produtos e figuras locais, um trabalho que a NERSANT - Associação Empresarial de Santarém tem vindo a fazer gradualmente. “O turista já não quer comer o peixe. Quer ir pescar o peixe e cozinhar o peixe que pesca. Na Nazaré já fazem isso”, exemplificou. Por isso, é da opinião que, por exemplo, se devem incluir nestes pacotes turísticos as figuras típicas, tais como o Campino no Ribatejo. “Precisamos de uma agenda, de um plano de acção que defina um conjunto de actividades turísticas para que se consiga Viver o Tejo. Não se consegue nada com iniciativas avulsas”, atestou.O turismo tem que ter em conta as populações que habitam na sua região, preparando-as para a arte de bem receber. “O turista tem que ser recebido por profissionais qualificados”, atestou o orador que mostrou na sua exposição todas potencialidades que a região oferece, não esquecendo de referir a importância de uma comunicação social forte e independente, destacando o jornal do qual é colaborador. “Uma terra que tem O MIRANTE tem tudo”, disse.Sem voos entre Portugal e o Brasil não há intercâmbioOs empresários portugueses e os empresários brasileiros só conseguirão estreitar laços e fazer verdadeiros negócios quando o preço das passagens aéreas diminuir. A opinião é de Ricardo da Silva, representante da Agetur, Turismo de Governo de Goias, Brasil e foi proferida em Vila Nova da Barquinha, na manhã de sexta-feira, 29, durante o Seminário Internacional de Turismo “O Tejo que nos une” organizado pela NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém no âmbito do Encontro Internacional de Turismo decorrido entre 26 e 29 de Novembro.“A união de forças entre os estados brasileiros e as regiões portuguesas nos daria um poder de negociação muito maior em relação à actuação de companhias aéreas junto da TAP (Portugal) e da TAM (Brasil) que também têm muito interesse na promoção”, precisou Ricardo da Silva a O MIRANTE, no final da sua intervenção, bastante aplaudida pela plateia. A ideia passava, por exemplo, por “celebrar um pacto de acções pontuais em parceria com as companhias aéreas” de forma a se anunciarem destinos turísticos nas revistas de bordo e, em troca, as Companhias forneciam alguns bilhetes para um real intercâmbio entre as agências de viagem portuguesas e brasileiras. “Sei que é muito complicado conseguir uma redução global das passagens aéreas mas, para determinados eventos, as Companhias poderiam surgir como patrocinadores e viabilizar o intercâmbio cultural, gastronómico e musical e, consequentemente, fomentar o turismo de uma região, de todo um país”, exemplificou.O orador, integrado no primeiro painel, é da opinião que os empresários - com a ajuda do governo - devem interferir, por exemplo, junto das companhias com o objectivo de as pressionar a baixar o preço das tarifas das passagens aéreas aumentando, deste modo, o fluxo económico entre os dois países. “Sem pressão e apoio entre os dois Governos e a sua interferência junto das Companhias Aéreas não é possível desfrutar dos resultados que pretendemos obter com este tipo de iniciativas. Temos que estabelecer, de vez, um vínculo cultural entre os dois países”, disse Ricardo Silva, que revelou ser neto de um português.Três das seis Maravilhas do Médio Tejo em Mação O concelho de Mação foi distinguido com três das seis estrelas da região do Médio Tejo, na iniciativa lançada pela NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém, organizada com o objectivo de distinguir as maravilhas que existem nos vários concelhos e tornar a região mais visível em termos turísticos. Para além do Parque de Merendas do Brejo ( na categoria Parques Ambientais e Ribeirinhos), da Praia Fluvial de Vergancinho (Património Natural) e das Fofas (cavacas) de Mação (doces), foram ainda eleitos o Castelo de Almourol em Vila Nova da Barquinha (Património Histórico Edificado), o Centro de Ciência Viva de Constância (Património Cultural) e o Arroz de Lampreia na categoria de gastronomia (prato principal). O presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela (PSD) disse a O MIRANTE que esta distinção “aconchega o ego” do município que representa, resultando de um trabalho colectivo de muitas pessoas e entidades. “Dá-nos alento para trabalharmos mais e melhor no futuro. Todo o concelho tem que estar grato a todos os que contribuíram para este resultado”, referiu.Barcos típicos do Tejo afundados pelo peso da burocracia O vice-presidente da “Marinha do Tejo” (pólo vivo do Museu da Marinha), Fernando Carvalho Rodrigues, referiu a falta de embarcações típicas no Rio Tejo que atribuiu, em parte à legislação em vigor. “Só não vos mostro uma fotografia de outros tempos para não vos envergonhar”, disse logo no início da sua palestra.“Temos alguns barcos no Tejo que são verdadeiros tupperwares. Alguns são propriedade dos municípios mas a vasta maioria pertence a particulares”, disse, acrescentando que o turista tira mais facilmente uma fotografia “a uma canoa que vale tostões do que a um Tupperware de três milhões”. E a situação não irá melhorar enquanto não houver algumas mudanças ao nível da burocracia. “O resumo da legislação portuguesa para se licenciar uma embarcação tem 416 páginas. É um absurdo. Há embarcações que andam à experiência há três anos e que lhes pedem a prova de estabilidade marítima”, explicou.Sem papas na língua, o orador, o último a falar dentro de um vasto conjunto de intervenções, criticou ainda o facto de um seminário sobre turismo e ambiente se realizar a uma sexta-feira de manhã. “Esta sessão é só para funcionários. As pessoas que têm pequenas embarcações não podem aqui estar porque estão a trabalhar”, lembrou. Fernando Carvalho Rodrigues, também conhecido como o “pai do satélite português”, por ter sido um dos responsáveis pelo satélite português nos anos 90, lembrou a importância que o Tejo já teve para a região, nomeadamente como via para transporte de mercadorias entre Abrantes e Lisboa. “Actualmente nós não vivemos o Tejo, apesar deste ser um título excelente. Vivemos à volta do Tejo. É bom namorar perto do rio mas é preciso voltar outra vez a dar-lhe vida económica”.

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