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Empresário de Rio Maior que morreu em acidente aéreo tinha pavor em viajar de avião

Mais uma morte trágica na família Soveral depois de um acidente de trabalho que vitimou o pai
Edição de 04.12.2013 | Sociedade
O empresário de Rio Maior que morreu na queda do avião moçambicano no dia 29 de Novembro tinha pavor de fazer viagens aéreas. Sérgio Soveral, 38 anos, costumava viajar regularmente para vários países, sobretudo para Moçambique e Angola onde a empresa Joluso/Invepe está representada. Mas tinha sempre receio de embarcar. Silvina Barbosa, colaboradora da empresa há 26 anos e que via Sérgio como “um filho”, conta a O MIRANTE que eram raras as vezes que antes de embarcar não chorava. A morte de Sérgio Soveral é a segunda numa família marcada pela tragédia. Em 2007 o pai e fundador da empresa que se dedica à produção de reboques e comércio de máquinas, José Luís Soveral, faleceu num acidente de trabalho na empresa de Rio Maior. A partir dessa altura Sérgio e a irmã Paula Soveral assumiram as rédeas da empresa. Paula terá de assumir os negócios. A presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais, amiga da família, diz que Paula “terá a força para continuar a lutar pela empresa”.Ainda não há previsões de quando o corpo do empresário vai chegar a Portugal. Silvina Barbosa garante que a família tem recebido todo o apoio das autoridades que estão em contacto permanente. Apesar de o processo de reconhecimento do corpo não ser tão breve como gostariam. “Sabemos que já foram destacados dois médicos especialistas de Portugal com documentos e objectos pessoais das vítimas”, afirmou a colaboradora da empresa. “Esperamos que até ao final desta semana o processo fique concluído”, completou.Silvina descreve o empresário como “um empreendedor, muito lutador e que estava sempre próximo de todos. Mesmo quando viajava não abdicava de estar em contacto com os colaboradores”, recordou a O MIRANTE emocionada. Nas instalações da empresa, na zona industrial de Rio Maior, as bandeiras foram colocadas a meia haste e Sérgio Soveral é recordado por todos os funcionários com saudade. Era visto como um amigo, uma pessoa com bom coração e sempre disposto a ajudar os seus colaboradores.“Rio Maior está de luto e está triste pela pessoa que o Sérgio Soveral era e pela sua dinâmica”, afirmou a O MIRANTE a presidente da câmara. Isaura Morais desabafou que o que aconteceu “é algo que é trágico quando é distante, mas quando nos toca na proximidade é ainda mais trágico”. Sérgio Soveral viajava com passaporte brasileiro por ter dupla nacionalidade e inicialmente não foi colocado entre os mortos de nacionalidade portuguesa. O acidente foi na sexta-feira e só na tarde de sábado se confirmou que Sérgio era uma das vítimas. A cerimónia fúnebre ainda não tem data definida estando dependente da morosidade do processo de trasladação do corpo.O voo 470 da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) despenhou-se no Parque Nacional de Bwabwata, no norte na Namíbia. Os destroços carbonizados só foram encontrados no sábado, 30 de Novembro. Sérgio viajava de Moçambique para Angola. No avião seguiam 33 pessoas, 27 passageiros e seis tripulantes, sendo que morreram sete portugueses neste acidente.

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