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Fogos de habitação social do Entroncamento vazios por não haver dinheiro para manutenção

Fogos de habitação social do Entroncamento vazios por não haver dinheiro para manutenção

No bairro Frederico Ulrich algumas moradias foram demolidas por impossibilidade de as reabilitar

Alguns moradores tentam ir fazendo pequenos arranjos mas a maioria não tem dinheiro nem saúde. A câmara decidiu vender apartamentos a moradores e até a familiares para ver se se livra de encargos mas os eventuais compradores não surgem.

Edição de 04.12.2013 | Sociedade
No final de Outubro, a Câmara Municipal do Entroncamento, com o apoio dos bombeiros, procedeu à remoção de grandes quantidades de lixo, nomeadamente dejectos de pombos que entupiam por completo os algerozes do bloco J, na rua Humberto Delgado. Foi uma operação de emergência face às queixas dos moradores do terceiro andar que tinham os apartamentos a degradarem-se de forma acentuada, devido a inúmeras infiltrações. O problema não ficou resolvido nem se sabe quando ficará. Um responsável autárquico disse ao inquilino do 3º esquerdo, Vítor Pereira, que só com um novo telhado será possível salvar os apartamentos da total degradação. A mesma explicação já tinha sido dada à munícipe a quem a câmara tinha atribuído o 3º esquerdo/frente mas que acabou por ir para um outro apartamento, que entretanto vagou, em Janeiro deste ano. Na altura foi explicado que as obras no telhado só poderiam ser feitas no Verão mas pouca gente acreditou. Três anos antes tinha de lá sido retirada outra inquilina por causa do mesmo problema e desde aquela altura nenhum arranjo tinha sido feito.Vítor Pereira e os restantes moradores afectados pelo problema das infiltrações já viram passar muitos Verões e Invernos sem que nada aconteça. “ Vieram limpar os algerozes há três anos mas nunca fizeram mais nada. De uma das vezes em que pus o problema o anterior presidente disse-me que ele também limpava o algeroz de sua casa. Eu acredito que sim mas eu e a minha esposa temos graves deficiências físicas e os nossos rendimentos não nos permitem contratar ninguém. Se assim não fosse não precisávamos de estar numa habitação social, não é verdade? Que eu me recorde nunca foram feitas obras de manutenção desde a inauguração há 15 anos”, refere. A actual vereadora Tília dos Santos Nunes, que actualmente tem a seu cargo as questões sociais também quer que os moradores sejam mais activos. “Na habitação da câmara o bom seria que cada família colaborasse e preservasse”, afirma. “É uma questão de educação e de princípios”, acrescenta, garantindo que um dos princípios do novo executivo da maioria PS, passa pela inclusão e coesão no sentido do contributo que cada um pode dar. Os problemas não afectam apenas os apartamentos dos últimos pisos. Os moradores do rés-do-chão direito do mesmo bloco onde mora Vítor Pereira têm o apartamento em piores condições que o seu. A última vez que reclamaram foi publicamente, numa reunião do executivo de Janeiro deste ano. As paredes estão pretas devido ao excesso de humidade, os armários e a restante mobília estão cheios de bolor. Já pintaram a casa mas nada resulta. Os relatórios dos técnicos referem um problema de difícil resolução. A câmara prometeu tirá-los de lá para outra casa assim que possa. É mais um apartamento que vai ficar vazio. Em cada porta que se bata há uma reclamação a fazer e a maioria tem fundamento.O parque habitacional do Município é actualmente composto por dois grupos. Cento e vinte fogos no Bairro Frederico Ulrich, inaugurado em 1952 e sessenta e quatro fogos, distribuídos por quatro blocos de apartamentos de três andares, na rua General Humberto Delgado, inaugurados em 1990 e em 1999. O Bairro das pré-fabricadas, montado para receber retornados das ex-colónias a seguir ao 25 de Abril de 1974 e que era composto por 36 fogos, foi demolido a pouco e pouco, nos últimos cinco anos.Já este ano, o anterior executivo municipal decidiu vender os apartamentos da rua Humberto Delgado aos inquilinos que os queiram comprar ou a familiares que residem consigo há pelo menos um ano, independentemente da sua situação económica. Os preços variam entre os 15 mil e os 32 mil euros, dependendo da tipologia e do ano de construção. Ao mesmo tempo começou a demolir as casas mais degradadas do Bairro Frederico Ulrich à medida que foram ficando vagas. No concelho há 26 famílias na lista de espera para habitação social. Num relatório elaborado em finais de Janeiro para o Programa da Rede Social, a câmara municipal reconhecia não ter dinheiro para manter ou recuperar o seu parque habitacional e reconhecia que os eventuais candidatos à compra das habitações dificilmente conseguiram crédito bancário para tal. O novo presidente da câmara, Jorge Faria (PS) disse a O MIRANTE, na altura em que foram limpos os algerozes, que o problema da habitação social irá ser avaliado. “Há habitações que têm algumas carências e temos algumas queixas. Estamos a fazer a manutenção que é possível para minimizar a situação, depois vamos avaliar as condições das habitações”, declarou.Ajudem-me a ir ao programa de televisão “Querido Mudei a Casa”Cidália Anselmo está desempregada e vive com dois filhos menores e um maior de idade num dos blocos da Rua General Humberto Delgado. “Há dois anos subi as escadas e fui eu limpar a porcaria que estava no telhado e nos algerozes”, conta. Para mostrar outros problemas convida a jornalista a entrar e mostra-lhe os vestígios da humidade nas paredes que resistiram à limpeza e à pintura. Os armários da cozinha vão sobrevivendo colados com fita-cola, a humidade não os poupou e vão ficando podres. A caixa do estore da cozinha aguarda colocação. “Já tentei mas não consegui e por ali entra pó e muito frio”, explica. No final faz um pedido. “Falem no meu assunto no jornal para ver se consigo ir ao programa “Querido Mudei a Casa” da SIC. Infelizmente Cidália está mesmo sem sorte. No site do programa é explicado que “por motivos de ordem técnica” só pode deslocar-se num raio de 30 quilómetros de distância de Lisboa e o Entroncamento fica a mais de 100.
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