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Paixão pelo culturismo suplantou muitos olhares preconceituosos em Tomar

Paixão pelo culturismo suplantou muitos olhares preconceituosos em Tomar

Isabel Martins estreou-se em competições este ano e já arrecadou dois títulos nacionais
Edição de 11.12.2013 | Desporto
Natural e residente em Tomar, desde criança que Isabel Martins, 40 anos, sempre apreciou ver pessoas musculadas, fossem homens ou mulheres, a exercitarem-se nos ginásios. Treina há quinze anos mas só há cinco é que passou a dedicar-se à prática de culturismo, um tipo de actividade física que tem como objectivo trabalhar a definição do corpo, por exemplo, através de pesos, de halteres e de máquinas. A entrega já deu resultados: em Maio ganhou o Campeonato Nacional de BodyFitness, em Matosinhos, e, mais recentemente, a 23 de Novembro, venceu a Taça de Portugal na categoria “Woman’s Physique”, competição que decorreu em Aveiro.Foi no Ginásio “Tribal Gym”, na Venda da Gaita, em Tomar, que fomos ao seu encontro durante um dos seus treinos na tarde de sábado, 7 de Dezembro. “Sempre gostei de culturismo mas o facto de viver numa cidade pequena e não existir ninguém nesta área levou a que nunca pensasse nisso a sério. Através das redes sociais conheci pessoas no meio e quando viram que tinha uma boa genética fui aliciada”, explica. Inscrita na Federação de Cultura Física (IFBB) apesar de não ter treinador, a preparação de Isabel - que lhe garantiu estas duas vitórias - foi assegurada por António Guerreiro da “2Korpus” em Lisboa. “Sem ele jamais conseguiria chegar até onde fui. Já tinha esta massa muscular mas precisava, realmente, de me aperfeiçoar “, frisa. A culturista refere que a preparação vai muito para além do treino. “A minha alimentação é muito diferente desde há cinco anos a esta parte. Consumo uma grande quantidade de proteínas”, atesta. Ao início custou-lhe um pouco habituar-se mas depressa se habituou a pesar cada uma das suas refeições numa balança própria. Cada caloria é contabilizada ao grama. Diariamente, ingere vinte claras de ovos. Peito de perú ou bife de frango, atum, batata doce ou arroz branco são parte integrante do menu que reconhece como “monótono”.Isabel trabalha a tempo inteiro na “Ramos&Ramos”, uma empresa de vestuário na Zona Industrial de Tomar. O facto não lhe retira o ânimo para, todos os dias, excepto ao domingo, ir treinar uma hora e meia para o ginásio, entre as 20h00 e as 21h30, e ainda preparar as refeições para o dia seguinte. Casada, tem no seu filho, Afonso, de sete anos, o maior fã. “Quando vim da prova de Aveiro e cheguei com a taça abraçou-se a mim e a alegria dos seus olhos compensou todos os momentos difíceis”, recorda. O marido, Dinis, que pratica musculação, também a apoia em tudo.Para conseguir triunfar Isabel teve que enfrentar muitos olhares preconceituosos, não só em Tomar como em outras cidades. Confessa que no início não reagia bem aos olhares mais insistentes e levou algum tempo até assumir os seus músculos no Verão ou ir às compras de t-shirt. Agora, já nada a incomoda. “As pessoas olham para mim de forma diferente, especialmente na praia, mas gosto muito do culto do corpo e de ver a minha evolução”, atesta. Inicialmente, confessa, tinha algum pudor em despir o casaco no ginásio para ir treinar mas agora sente-se completamente à vontade enquanto o faz. Ao domingo Isabel divide o descanso com as tarefas domésticas ou dedica-se a ajudar o filho com os trabalhos da escola. Diz que lhe é fácil resistir aos doces e o Natal, com todas as iguarias em cima da mesa, não a assusta. “O meu estilo de vida é este e sei que para atingir os meus objectivos tenho que abdicar de certos alimentos. Às vezes, quando nos estamos a preparar para uma competição e entramos numa fase de dieta rigorosa custa-me mas resisto sempre”, conta. O desafio maior é conseguir arranjar um patrocinador uma vez que, actualmente, suporta todos os gastos “por amor à camisola”. O seu sonho passa por mostrar os músculos em campeonatos europeus ou até mundiais mas, para isso, reconhece que precisa que alguém lhe estenda a mão. “Há empresas de ovos e carnes brancas na região que me podiam ajudar a evoluir fisicamente, não com dinheiro mas dando-me acesso à alimentação ou aos suplementos”, apela.
Paixão pelo culturismo suplantou muitos olhares preconceituosos em Tomar

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