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Escalabitanos gostavam de ver Café Central renovado no coração da cidade

Escalabitanos gostavam de ver Café Central renovado no coração da cidade

O histórico Café Central, em Santarém, está fechado há meia dúzia de anos e a degradação vai-se acentuando, mas o espaço ainda não caiu no esquecimento dos escalabitanos, que gostariam de o voltar a ver de portas abertas e com o movimento de outros tempos.

Edição de 11.12.2013 | Sociedade
O Café Central foi um local privilegiado de tertúlias e testemunha da história contemporânea da cidade e do país. Ali se juntavam muitas das individualidades da cidade para conversar e conspirar, jogar bilhar ou degustar as iguarias também disponibilizadas no estabelecimento. Actualmente o edifício representa um custo mensal para o município de Santarém que ronda os dois mil euros, sem qualquer proveito que se veja. O MIRANTE foi saber o que os escalabitanos pensam do assunto e recolheu memórias de outros tempos que povoam as recordações nostálgicas de quem por lá passou e hoje olha com tristeza para aquele espaço fechado desde 2007. Era uma das relíquias de Santarém“Desde miúda que me lembro do Café Central”, recorda Maria Rosa Botas com o saudosismo do tempo em que a cidade de Santarém tinha três cafés históricos. “Havia o Café Brasileira no Largo do Seminário, onde naquela altura iam os caixeiros viajantes, era aí que se encontravam para fazer negócios. No Café Central eram mais os médicos e no Café Portugal já havia uma heterogeneidade maior”, lembra.Maria Rosa Botas recorda que o Café Central era também restaurante e que um dos pratos mais populares era o Bife à Central. No local não imagina outra coisa que não seja o Café Central renovado, mas considera que é muito o dinheiro que a câmara municipal está a pagar por uma renda todos os meses sem retorno. “É uma pena estar fechado, porque era uma das relíquias de Santarém, como era o Teatro Rosa Damasceno. A cidade fica mais tristeLuzia Souto não era frequentadora assídua do Café Central, confessa a O MIRANTE, mas não esquece os tempos áureos do estabelecimento. Um dos espaços emblemáticos de Santarém que hoje se encontra fechado e “entristece a cidade”, diz. “Já não bastam as dezenas de estabelecimentos que vemos por esta parte antiga da cidade fechados por força dos tempos que estamos a viver”, sublinha a escalabitana.“O ideal seria continuar como café do género do Café Central que existia, porque realmente se respeitarmos o ontem preservamos o amanhã”, afirma Luzia Souto, dando como alternativa a possibilidade de a câmara municipal entregar o espaço com a finalidade de ser rentabilizado ou até cedê-lo a uma instituição de solidariedade social que pudesse dinamizar e fazer actividades no edifício.Um local de convívio que se perdeuFrancisco Noronha tem saudades dos tempos em que ia ao Central, hoje considera que o espaço cada vez mais está degradado. “É uma vergonha para a cidade de Santarém. Não está ocupado, mas poderia ter pelo menos exteriormente outro aspecto”, completa.Frequentava com assiduidade o Café Central e não esquece o bilhar, o restaurante e o café. “O passeio em frente às montras do café estava sempre ocupado com jovens, com pessoas que passavam, que conversavam, era um local de convívio na cidade. Tenho saudades desses tempos”, recorda. “Gostava de ver o espaço totalmente diferente daquilo que está, fosse o Central, fosse aquilo que fosse, desde que ocupado e com bom aspecto”, desabafa.Um cartão de visita de SantarémNa sua juventude entrou duas ou três vezes no Café Central, confessou Rosel Beja a O MIRANTE. Afinal de contas era um café de senhores e “quando alguma senhora chegava era muito reparada”, mas é com tristeza que Rosel Beja vê a inexistência de cafés com história na cidade. “Não há nenhum café tradicional dentro da cidade e aquele era um espaço que quase fazia parte dos monumentos”, afirmou a O MIRANTE.Era o típico café da cidade que Rosel gostava de ver no edifício, um espaço “onde as pessoas se juntassem para beber um café e conversar como era antigamente”, disse. “Temos muitas pastelarias, café com o nome de café não há nenhum, porque os que havia era o Café Brasileira, Café Central e Café Portugal e os três acabaram”, afirma com tristeza lembrando que o Café Central foi em tempos um cartão de visita de Santarém.Câmara está a desperdiçar dinheiroA cidade tem cada vez mais lojas a fechar e Rui Cardoso considera que o facto do Café Central estar fechado poderá tratar-se de um “jogo de interesses”. Para este escalabitano era importante remodelar e recuperar o estabelecimento que era um marco na cidade. “É uma pena, uma perda para a cidade”, afirma. Rui Cardoso defende que a Câmara Municipal de Santarém está a desperdiçar dinheiro, porque “estão a pagar uma renda e o café está fechado”. “Depois tem a parte do hotel central que é o dormitório dos pobres, está tudo partido, tudo a degradar-se e se não tomarem as devidas precauções mais dia menos dia vem abaixo”, completou, não deixando de falar de cafés históricos que também acabaram por não resistir ao tempo como o Café Brasileira, Portugal e Tá-Tá.OpiniãoO espaço onde Moita Flores se apresentou aos escalabitanosNão esqueço, nem esquecerei, a pompa e circunstância com que Francisco Moita Flores se veio apresentar aos escalabitanos no Café Central já lá vai quase uma década. Foi ele que escolheu aquele lugar para se apresentar à cidade na companhia dos ilustres convidados que encheram o espaço emblemático da cidade de ontem e de outros tempos.Fechado e vandalizado há cerca de seis anos o Café Central já era. Moita Flores foi o seu último coveiro. O autarca que passou por Santarém como o Quim Barreiros da política prometeu tudo e mais umas botas para pôr Santarém no mapa; do seu trabalho só ficaram propriedades; a compra de edifícios públicos e um aumento da dívida que já era gigantesca no tempo de Rui Barreiro e companhia.Moita Flores foi o grande estratega para a formação da empresa Águas de Santarém; para a compra do Convento de S. Francisco e do Presídio Militar; grande homem para fazer grandes negócios com o dinheiro público; naquilo em que conta mais a disponibilidade, a arte e o engenho dos gestores foi um fiasco: um digno personagem dos seus livros de ficção.O exemplo do Café Central é um dos melhores para percebermos como Moita Flores desprezou a cidade e esteve distante daquilo que, de forma tão duvidosa, usou sempre no seu discurso político. Moita Flores foi ao Café Central apresentar-se aos escalabitanos por ser o lugar por excelência da memória da capital do Ribatejo; no pouco tempo que esteve em Santarém deixou que o espaço se tornasse um lugar fantasma, vandalizado e com custos que davam para matar a fome a algumas famílias.Moita Flores ficou a dever ao centro histórico de Santarém a grande maioria das promessas que fez em campanha política e que caíram em saco roto. O Café Central é o símbolo máximo da falta de vontade que ele teve em trabalhar para cumprir o prometido. JAE
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