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A Farpa precisa de ajuda para construir novas instalações

A Farpa precisa de ajuda para construir novas instalações

Associação de Familiares e Amigos do Doente Psicótico está há nove anos numa sede provisória em Santarém e quer dar o salto para um novo espaço que lhe permita desenvolver a sua actividade em melhores condições. Para isso é preciso dinheiro e as iniciativas solidárias para angariação de fundos já começaram.

Edição de 18.12.2013 | Sociedade
A Farpa - Associação de Familiares e Amigos do Doente Psicótico está instalada há nove anos numa quinta centenária, à saída de Santarém, a caminho do Cartaxo, “gentilmente” cedida pela família da “D. Celeste Silva, que tem uma generosidade sem limites”, fazem questão de salientar os membros da direcção. Na Quinta do Monte Abade, numa zona de campo com vista sobre a cidade escalabitana, funciona o fórum onde a associação recebe os seus utentes. A sede, provisória também há nove anos, funciona no Hospital Distrital de Santarém.A associação luta há vários anos pela construção de um espaço condigno onde funcionará a sede e o fórum onde trabalham com os utentes. Com a construção da nova sede vão ficar com capacidade para 30 utentes, quando actualmente estão limitados a apenas dez. Há cerca de quatro anos a Câmara de Santarém cedeu um terreno perto da Escola Superior de Saúde e do canil municipal e fez o projecto de arquitectura. No entanto, burocracias atrasaram tudo e o projecto já está desactualizado.Depois da alteração que pretendem fazer ao projecto vão candidatá-lo ao novo quadro comunitário para tentar construí-lo com financiamento de fundos comunitários. Só assim o sonho de ter uma sede definitiva poderá ser alcançado. Apesar de existir financiamento para a obra, a associação vai ter que pagar sempre uma parte. E é por isso que estão a desenvolver iniciativas de solidariedade para angariar fundos para pagar a sua parte da obra. A primeira foi um concerto com o cantor José Cid, que se realizou em Novembro, no Convento de São Francisco. As próximas já estão a ser pensadas.A grande impulsionadora de A Farpa é a presidente da direcção, Maria Fernanda Romeiras, assistente social no departamento de psiquiatria do Hospital Distrital de Santarém. A assistente social percebeu que, com a evolução da medicação, os doentes ficavam estáveis muito mais rapidamente. E havia necessidade de os integrar a nível social uma vez que uma das sintomatologias dos doentes psicóticos é a inibição de socialização. “Tínhamos doentes estáveis que quando iam para casa entravam novamente em desequilíbro. Recorríamos a serviços que existiam na comunidade mas que não estavam vocacionados para estas situações”, explica a presidente da direcção.O nome, pouco habitual neste tipo de associações, não tem qualquer relação, como se possa pensar, com toiros e festa brava. “No tempo da Primeira República havia um jornal muito cáustico que se chamava Farpa. Uma farpa obriga-nos a reagir e foi por isso que ficou este nome”, conta Fernanda Romeiras.A Farpa possui uma valência de apoio à comunidade - denominado fórum - onde os utentes têm diversas actividades ocupacionais e fazem a sua reabilitação em diversas áreas, desde desempenho físico e social passando pela motricidade e cognição. A associação trabalha com doentes dos oito concelhos da área de abrangência do Hospital de Santarém, (Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém). “Quando os médicos e assistentes sociais concluem que a pessoa está estabilizada mas não tem ocupação e gostava de se reabilitar é encaminhado para a Farpa”, refere a directora clínica da associação, Liliana Silva.Quando perguntamos qual é o orçamento da associação as responsáveis da direcção riem-se. A maioria do dinheiro que recebem da Segurança Social é para pagar ordenados e alimentação. “E mesmo assim não chega”, garante a tesoureira, a assistente social Cidália Assunção. Os utentes pagam uma mensalidade, embora seja um valor baixo uma vez que a maioria recebe pensões mínimas. A direcção tem, muitas vezes, que pôr dinheiro do seu bolso para dar continuidade à associação. Um trabalho feito por carolice para poderem continuar a dar asas ao sonho de poderem ajudar as pessoas que sofrem com este tipo de doenças.Fernanda Romeiras confessa o sonho de, após ter a sede e o novo fórum construídos, criar uma cooperativa que permita dar emprego a alguns dos utentes que estão na associação. “Uma cooperativa que funcionaria como um emprego protegido onde a entidade empregadora sabe que quando estas pessoas não estão bem não podem trabalhar, mas que quando melhoram voltam e continuam o seu trabalho”, conclui com esperança.Desconhecimento leva ao medo e ao estigmaO doente psicótico continua a ser “estigmatizado” sobretudo porque a sociedade conhece pouco sobre a doença e “tem tendência a ter medo do que não conhece”, explica Liliana Silva. No entanto, garante que a situação está mais “diluída” e que para isso muito contribui o facto das famílias não terem vergonha da doença do seu familiar.Fernanda Romeiras está reformada mas trabalhou mais de 30 anos na área da psiquiatria. Recorda que na altura havia um enfermeiro só para dar medicamentos a todos os pacientes que iam às consultas, tal era a quantidade de medicação que tinham que tomar. Agora os pacientes entram em crise e passados oito dias já estão estabilizados. Fernanda Romeiras conta que muitas vezes andou em aldeias da zona de Abrantes a visitar doentes esquizofrénicos. “Eram situações medonhas. Os doentes estavam numa zona secundária da casa, num espaço parecido com um barracão, com uma porta onde se via apenas a cabeça e os pés do doente. O espaço estava fechado e a comida era dada por debaixo da porta”, recorda.
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