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Um político vítima do desemprego que quer mudar Vila Franca

Um político vítima do desemprego que quer mudar Vila Franca

António Matos Oliveira é o novo presidente da assembleia de freguesia
Edição de 18.12.2013 | Sociedade
Pode-se dizer que António Matos Oliveira é mais uma vítima das políticas de austeridade. O novo presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Franca de Xira, militante do PSD, está desempregado há três anos quando a empresa extinguiu o seu posto de trabalho de informático. E nem o cartão partidário lhe tem aberto portas para o regresso ao trabalho. Com 58 anos já não tem esperança de arranjar emprego mas vai ocupando o tempo a bater às portas das empresas e a preparar o trabalho da assembleia. O social-democrata tem uma visão bem definida sobre o que deve ser o trabalho político na freguesia sublinhando que é preciso tirar Vila Franca do estado de adormecimento.O político que foi eleito por unanimidade para dirigir a assembleia considera que neste mandato não há margem para erros e que o povo não perdoará aos políticos se não fizerem bem o seu trabalho. Apesar de a cidade estar adormecida, António Matos Oliveira entende que ainda há esperança porque esta ainda não entrou no estado de coma. Para revitalizar a cidade é necessário aumentar o estacionamento e recuperar as habitações degradadas do centro histórico para que possam ser ocupadas por novas famílias.Para António Matos Oliveira é necessário aproximar a população do poder local. Por isso defende a criação de conselhos consultivos e núcleos de opinião, que façam chegar aos eleitos da assembleia os problemas e necessidades dos moradores. “Vamos ter de passar do abstracto para o concreto. É muito importante trabalhar no sentido de acolher e aproximar os cidadãos nas decisões mais importantes. Quando a junta está disponível para falar com as pessoas e ouvi-las, elas vão aproximar-se e contribuir com a sua opinião”, explica, acrescentando que “as pessoas estão fartas de ouvir sempre a mesma conversa”.As mudanças devem começar pelos próprios órgãos autárquicos. O autarca quer mudar a forma de funcionamento da assembleia, a começar pelo horário das sessões que vão começar meia-hora mais cedo para permitir que às 22h00 os fregueses possam intervir. “Vou também descentralizar as assembleias pela freguesia. Queremos desenvolver um mandato para ouvir as pessoas e não o poderemos fazer se reunirmos sempre no centro da cidade”, refere.António Matos Oliveira foi durante dois mandatos eleito na assembleia de freguesia. Nas últimas eleições concorreu como cabeça de lista mas quem ganhou foi a CDU ficando Mário Cantiga como presidente da junta. “Fiquei surpreendido por não ter mais votos. Na noite das eleições senti uma grande tristeza, houve uma grande falta de participação das pessoas. Fomos todos derrotados com esta abstenção”, refere. Um presidente que detesta a teatralidade de algumas pessoasAntónio Matos Oliveira tem 58 anos e nasceu no número 52 da Rua Vasco da Gama em Vila Franca de Xira. Tem outros dois irmãos. O pai veio para Vila Franca porque era sargento na Marinha e morreu com 39 anos em Cabinda, Angola, durante a guerra colonial. António Oliveira começou a trabalhar aos 18 anos nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) na secção administrativa dos helicópteros. A convite de amigos começou a trabalhar na área informática e no desenvolvimento de software para gestão de stocks, peças e viaturas num stand da Fiat em Vila Franca. Mais tarde mudou-se para outra empresa que comercializava carros da Citroen, onde ficou até ser despedido. É casado e tem um filho que está a trabalhar em Berlim. Integra os corpos sociais do Grupo de Artistas e Amigos da Arte (GART) de Vila Franca e é presidente do Club Vilafranquense. Foi um dos membros fundadores do movimento Xiradania. É um apaixonado pela festa brava e diz que a cidade precisa urgentemente de um museu da tauromaquia. Tem carro mas costuma deslocar-se de comboio. Gosta de fado e de rock, sobretudo de Deep Purple, Led Zeppelin, Supertramp e Rooling Stones. Vai ao cinema com regularidade e detesta a “desonestidade e teatralidade” de algumas pessoas.Falta de diálogo de Ana Câncio tramou o PSA postura da anterior presidente da junta, Ana Câncio, teve influência na derrota do PS nas eleições. “Houve alguma dificuldade de diálogo entre o executivo anterior e as bancadas da oposição. Nas ruas sentia-se que havia algum desconforto na forma como as pessoas entendiam aquilo que a junta poderia fazer para as servir”, refere o presidente da assembleia de freguesia, António Matos Oliveira. Sobre as 400 queixas que ficaram sem resposta por parte da anterior presidente, António Matos diz que a situação não o surpreende, reconhecendo que isso “não é normal” e que os cidadãos devem sempre “ter uma resposta” de quem os elegeu.No último mandato, António Matos enquanto membro da assembleia acusou politicamente Ana Câncio de arrogância e falta de diálogo - chegando mesmo a votar contra o orçamento da junta para 2013. Mas agora mais contido nas críticas, procurando consensos. “Não estou zangado com a Ana Câncio, há um confronto político normal e opiniões diferentes. Se o trabalho dela nestes dois anos facilitou a vitória do Mário Calado não sei. Mas é uma análise possível”, admite.
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