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Padre Borga pede para rezarem pelo colega da Golegã acusado de abusos de crianças

António Júlio Santos, detido pela PJ, fica em liberdade a aguardar julgamento mas está proibido de contactar com menores
Edição de 23.12.2013 | Sociedade
O padre José Luís Borga pediu aos seus fieis da Chamusca na missa habitual de sábado na igreja matriz que rezassem pelos padres. “Tenho um assunto para vos falar sobre o irmão António Júlio mas esta ainda não é a altura. Entretanto rezem por ele e pelos padres que têm falta de carinho e amor da comunidade”, pediu já no final da missa.O padre da Golegã, indiciado por abusos de duas menores, fica em liberdade a aguardar a investigação da Polícia Judiciária num sítio afastado da zona onde exercia funções e que não é conhecido. António Júlio Santos já tinha sido afastado de funções e foi colocado num local que não é divulgado pela diocese quando O MIRANTE divulgou a situação no início de Dezembro. Mais de duas semanas depois a Polícia Judiciária deteve o sacerdote e apresentou-o para primeiro interrogatório no Tribunal da Golegã. O juiz de instrução criminal aplicou-lhe como medidas de coacção a entrega do passaporte para evitar que saia do país, o pagamento de uma caução de 3500 euros e a proibição de contactar com menores e de se aproximar da zona onde era padre. A Diocese de Santarém continua a conduzir o processo canónico de averiguações que já se tinha iniciado quando O MIRANTE avançou com a informação. O vigário geral da diocese disse ao nosso jornal que aguarda com serenidade o desenrolar dos processos, o da igreja e o da justiça. Aníbal Vieira comentou apenas que a detenção é “um processo normal da justiça”. Antes da actuação da PJ o vigário geral já tinha dito que a igreja na sua investigação iria fazer tudo para evitar mais constrangimentos tanto aos menores como ao padre em causa. O padre, que também tinha à sua responsabilidade as paróquias de Azinhaga e Pombalinho, é suspeito de abuso de duas raparigas. Pelo menos uma das situações terá ocorrido num acampamento de escuteiros, do agrupamento da Golegã do qual o pároco era assistente espiritual. O sacerdote, de 46 anos, ficou incontactável em meados de Novembro e deixou a Golegã, onde residia, sem avisar os paroquianos mais próximos e que com ele colaboravam. “Perante as informações que chegaram à Diocese e porque há determinações para se actuar com celeridade em casos do género, foi de imediato aberto um processo de averiguações e o senhor padre foi retirado da paróquia”, esclareceu o vigário geral na altura em que O MIRANTE avançou com a notícia. Aníbal Vieira dizia também que o padre estava a ter acompanhamento médico porque, desde o falecimento de sua mãe (em Maio de 2012) estava com problemas”, refere Aníbal Vieira. A diocese nomeou o padre Ricardo Madeira, pároco no Entroncamento, administrador paroquial para a Golegã.António Júlio Santos, segundo pessoas que o conhecem bem, era simpático e a sua postura junto da comunidade era de uma pessoa extrovertida e bem-humorada. As pessoas com quem falámos realçavam que tinham consideração pelo padre. Em comunicado antes da detenção a diocese dizia que o facto de o sacerdote ter sido afastado das funções “não implica um juízo sobre a sua pessoa, ou sobre os factos, mas favorece a averiguação da verdade”. E acrescentava: “A diocese deseja manifestar que está próxima dos jovens e suas famílias e de toda a comunidade. Compreende e partilha a perplexidade e tristeza de todos. Está determinada a colaborar para criar um ambiente sereno e seguro para todos”.

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