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Enfrentar o deserto numa Renault 4L

Enfrentar o deserto numa Renault 4L

Dois habitantes do Porto Alto vão embarcar na aventura do Dakar Desert Challenge

António José Lameiras e José Oliveira não se deixam intimidar pelo poderio dos jipes, nem pelos visitantes que pousam o olhar na sua Renault 4L. Juntos vão enfrentar o Dakar Desert Challenge, uma prova de vinte dias no deserto africano até à Guiné-Bissau.

Edição de 30.12.2013 | Desporto
Antes de partirem, O MIRANTE foi encontrá-los no prólogo realizado em Coruche, no dia 26 de Dezembro, e viu os habitantes do Porto Alto a ultimarem os preparativos. “Vamos ver se ela se aguenta”, afirma José Lameiras referindo-se à viatura. O também presidente da Associação Recreativa do Porto Alto (AREPA) conta que tudo começou numa brincadeira. “O Oliveira é o dono da carrinha e numa conversa ambos dissemos que gostaríamos de ir a Marrocos com a Renualt 4L”, lembra o homem de 62 anos que conheceu o companheiro há três e que nunca pensou que a viagem viesse a acontecer.A apertar uma peça do tejadilho que entretanto cedeu, Oliveira confirma a história. Mas para além da aventura, o viajante tem outra razão para embarcar na expedição. “Durante a guerra colonial estive na Guiné-Bissau e desde aí nunca mais voltei”, refere Oliveira que guarda boas recordações da população e da paisagem apesar das circunstâncias em que se encontrava na altura.Lameiras já andou por toda a Europa e já foi até Marrocos mas nunca de carro. Oliveira, com 66 anos, é camionista. Já conta com mais de cinco milhões de quilómetros nas mãos e está pronto para qualquer tipo de emergência que possa surgir. “Levamos todo o tipo de ferramentas, pneus e rodas suplentes, equipamento para fazer a tracção à terra e claro a bandeira do Benfica”, explica o camionista apontando para o atrelado e para as malas que estão colocadas em cima da viatura. No entanto, a lista para fazer face a vinte dias de viagem que culminam no dia 9 de Janeiro não fica por aqui. Na alimentação o destaque vai para o queijo, o bacalhau e o vinho. “Também levamos champanhe para festejar a passagem de ano”, finca o presidente da AREPA que está confiante nas capacidades de um carro cujo primeiro modelo fabricado remonta a 1961. Nada foi esquecido. Os condutores também levam um equipamento de água que, ligado à bateria, lhes permite tomar banho em pleno deserto. Oliveira comprou o veículo há seis anos. Só na pintura personalizada gastou mais de 7.500 euros que foi feita por fases. Nos arranjos exteriores e interiores admite que deve ter despendido um montante parecido. “A organização queria que metesse mais autocolantes mas eu não meto. Depois não são eles que me pagam a pintura”, brinca o camionista. Além da inscrição, na ordem dos mil euros e com o combustível pago pelo patrocinador, os companheiros vão gastar cerca de três mil euros para a aventura das suas vidas no Dakar.História de sobrevivênciaA estrada sempre fez parte da vida de José Oliveiras e são muitas as adversidades que teve que enfrentar para alcançar o seu destino. O camionista lembra uma história passada nas montanhas do Iraque em que nevava intensamente. “Estava a fazer o transporte de medicamentos e a via estava deserta. Para piorar a situação, um pneu furou e eu fiquei sem condições para continuar”, conta Oliveira. O habitante do Porto Alto diz que tentou trocar o pneu mas que devido ao frio não consegui mexer os braços. Teve que atear uma fogueira com um dos dois pneus suplentes que tinha para conseguir aquecer-se e fazer a mudança. “Tinha a consciência que se ficasse ali, iria acabar por morrer”, recorda.Dakar Desert ChallengeA segunda edição do Dakar Desert Challenge conta com 45 viaturas 4X4, 13 motos, três veículos 4X2 e um camião. Além de portugueses, existem participantes que vieram de Espanha, Itália, Alemanha, Argentina e Brasil. Muitos deles só vão englobar a caravana em Tarifa, no sul de Espanha. Carlos Palmeiro, um dos organizadores, diz que o objectivo é recriar o espírito do Dakar numa aventura sem igual no deserto africano até à Guiné-Bissau. O ponto de partida é em Coruche. “Primeiro vamos fazer um percurso de trinta quilómetros pelo montado e pela Charneca Ribatejana onde os participantes podem apreciar a natureza”, explica Palmeiro. A caravana parte às 6h00 da manhã do dia 27 de Dezembro. Conta com seis viaturas da organização que vão entregar material escolar, medicamentos e pequenos equipamentos de apoio hospitalar a Organizações Não Governamentais guineenses.
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