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Lembranças de Natal de 1959 na estação fantasma de Setil

Edição de 30.12.2013 | O Mirante dos Leitores
No primeiro de Dezembro era quase Natal. Eu tinha que me despachar para conseguir fazer a minha árvore de Natal. O meu pinheirinho era escolhido com tempo. Ia buscá-lo à mata da Quinta das Malhadas. Com a chuva tudo estava mais molhado e mais perfumado. No chão, aguarelas de areia desenhadas nos caminhos, no mato, as bagas vermelhas e verdes. O azevinho já estava florido e a urze estava mais rosa e branca. As aranhas teciam teias que eram decoradas com gotinhas de orvalho prateadas.Também havia bugalhos com fartura que eu enrolava com pratas coloridas. Faziam a decoração da minha árvore, com quatro velas presas em pinças de lata, alguns bonecos da farinha 33, imagens de barro feitas por mim e uns bocadinhos de algodão a fingir de neve. Era o meu Natal encantado. A minha preocupação era saber se Jesus passaria pela chaminé tão estreita. “Deus queria que Ele se lembre de entrar pela porta que só está no trinco”, pensava eu. Muitas vezes Ele não chegou com as minhas prendas e eu tenho a certeza que foi por a chaminé ser estreita e estar tapada com jornais para o frio não entrar em casa. Mas outras vezes sabia que Ele lá tinha estado ao encontrar uma moeda de cinco tostões ou uma laranja no sapatinho que eu tinha deixado. Feliz Natal ao Mundo. Muito Amor para todos.A Mariasita da Rosa Moita

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