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Funcionário dos CTT arriscou muito para apanhar o burlão das encomendas em Almeirim

Funcionário dos CTT arriscou muito para apanhar o burlão das encomendas em Almeirim

Homem que pagava artigos comprados na internet com cheques falsos obrigado a apresentar-se às autoridades todas as semanas
Edição de 30.12.2013 | Sociedade
O funcionário dos CTT que ajudou a GNR de Almeirim a deter um burlão que passava cheques falsos para pagar encomendas confessa que arriscou muito. “Agora que penso bem no assunto na altura não medi bem as consequências nem pensei que ele podia estar armado”, conta a O MIRANTE Luís Pimenta, responsável pela entrega de encomendas expresso na zona. O trabalhador dos Correios agiu sob pressão e naquela altura só pensou que teria de apanhar o homem de 31 anos para não ser responsabilizado pelos prejuízos da empresa. “Foi uma grande pilha de nervos”, desabafa Luís que, curiosamente, tem o mesmo nome do burlão e sensivelmente a mesma estatura. Luís Pimenta tinha entregue duas encomendas, um tablet e um computador portátil, no dia anterior ao mesmo indivíduo, na segunda-feira, 23 de Dezembro. Na altura foi alertado pelos serviços de que os cheques levantavam suspeitas e informou a GNR de Almeirim. Na véspera de Natal tinha outra encomenda (um iPhone) para a mesma morada, a do café Titanic na Rua Moinho de Vento, no centro de Almeirim. Combinou com a GNR caçar o burlão que fazia as encomendas pela internet. Nesse dia de manhã, encontrou-se com o homem residente em Rio Maior, na zona industrial. O funcionário dos CTT tentou empatá-lo a ver se chegavam os militares do posto mas, refere, deve ter havido um desencontro. Decidiu então pedir-lhe a identificação. Este disse que a tinha em casa e indicou a zona do café dizendo que morava por cima. Luís Pimenta decidiu então dar-lhe boleia até ao local. “Foi arriscado ir com ele no carro”, confessa agora. Pelo caminho pensou num estratagema e na Avenida 25 de Abril em vez de seguir em frente para o local indicado virou para a rua da GNR. Nessa altura, o burlão saiu do carro em andamento. O funcionário perseguiu-o e conseguiu apanhá-lo na praceta Salgueiro Maia. Imobilizou-o no chão de barriga para baixo e ficou com o joelho em cima das costas à espera da Guarda. Entretanto chegaram também os bombeiros, alertados por alguém que teria pensado tratar-se de uma situação de socorro. Os cheques tinham um nome falso, Dário Conceição, nome pelo qual também se apresentava. Após a detenção, a GNR iniciou de imediato as investigações e em buscas a duas viaturas e à residência do burlão encontrou diverso material informático, vários cheques e diferentes cópias dos mesmos e mais de 130 notas contrafeitas, no valor aproximado de 2700 euros, refere o comando territorial de Santarém da GNR. Foi apreendido também um veículo e dois telemóveis. O arguido foi presente a primeiro interrogatório no Tribunal de Almeirim e o juiz deixou-o em liberdade aplicando-lhe como medida de coacção até ao julgamento a obrigação de se apresentar três vezes por semana no posto policial da área de residência.Segundo a Guarda, o homem tinha mais cinco encomendas pendentes no centro de distribuição postal. Luís Pimenta confessa que agora é uma pessoa mais receosa e que durante as entregas passou a ter mais cuidados. “Ainda bem que correu tudo pelo melhor”, conclui o funcionário dos CTT que nos últimos dias tem ido várias vezes à GNR e ao tribunal, chamado para colaborar com as investigações.
Funcionário dos CTT arriscou muito para apanhar o burlão das encomendas em Almeirim

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