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O aluno mais velho da Universidade Sénior de Tomar é um exemplo de vitalidade

O aluno mais velho da Universidade Sénior de Tomar é um exemplo de vitalidade

João Antunes garante que tem uma saúde de ferro aos 93 anos graças ao ioga

É o mais velho aluno da Universidade Sénior de Tomar mas, ao invés de aprender, é ele que ensina os segredos para se alcançar um corpo são em mente sã.

Edição de 30.12.2013 | Sociedade
A energia com que sobe as escadas do antigo Colégio Nun’ Álvares em direcção ao primeiro andar, onde actualmente funcionam as instalações da Universidade Sénior de Tomar (UST), fazem antever uma conversa sui generis. Aos 93 anos, João Antunes é o melhor exemplo de que a idade cronológica não tem que ser um fardo para o corpo e garante que o consegue graças ao ioga. Trata-se da prática que tem a finalidade de revitalizar o corpo físico, melhorar a concentração e apaziguar a mente turbulenta através da redução dos níveis de stress. Aluno “há meia dúzia de anos” da UST diz, com graça, que entrou para a instituição devido à curiosidade em descobrir o que seria esta coisa da “terceira idade”. É ali que frequenta, uma vez por semana, a disciplina de Psicologia mas, subentendemos, que mais do que aprender, será ele a ensinar aos outros como se consegue, depois de se atravessar quase um século de vida, um corpo são em mente sã. “Há muitas coisas que podia ensinar mas, ao contrário das crianças, é difícil ensinar adultos quando estes pensam que já sabem tudo”, afirma. João Antunes nasceu a 26 de Junho de 1920, na freguesia de São Pedro de Tomar. Em Tomar dedicou-se ao comércio de ouro e relojoaria, mas um primeiro casamento falhado levou-o a emigrar para o Congo Belga, onde continuou a trabalhar como prestamista. Regressou definitivamente a Portugal poucos dias depois do 25 de Abril de 1974, tendo fundado uma escola de Iogoterapia em Tomar, na Avenida D. Nuno Álvares Pereira, onde ainda hoje reside. “Não correu muito bem porque os padres e os médicos atacaram-me por todo o lado. Os padres diziam que isto era bruxaria e os médicos desconfiavam de mim”, recorda a rir. João Antunes tomou contacto, pela primeira vez, com o ioga quando já tinha 55 anos. “Sempre fui uma pessoa bastante doente. No Congo Belga, tomei contacto com dois professores da Faculdade de Medicina que me falaram da prática do ioga. Só depois de insistirem comigo é que aceitei fazer iogoterapia”, recorda. Foi tratado por um padre dominicano, Pierre Duror, que lhe tratou do espírito através do ioga e com quem nunca falou de religião. “Até agora, que já conto 93 anos, nunca mais tive problemas de saúde. Já não me lembro da última vez que fui ao médico e, quando lá vou, é porque tenho que tratar de algum documento”, refere a O MIRANTE. “Virar as costas a tudo o que está colorido de mal”Um dos segredos, garante, passa por não tomar fármacos de espécie alguma. “Só as pessoas doentes é que tomam medicamentos (risos). O corpo é um instrumento da natureza que tem que ser estimado. O meu segredo tem sido virar costas a tudo o que é colorido de mau”, atesta, acrescentando que esta selecção começa logo nos pensamentos que tem. Em casa, conta com a ajuda de uma senhora que trata das lides domésticas. Garante que não come nada que seja incompatível com a saúde. A água que bebe é sempre da torneira. Foge do fumo do tabaco e de conversas que não lhe interessam. Não tem televisão. Frequentemente, quando acorda a meio da noite, depois do primeiro sono, corre para o chuveiro e abre a torneira de água fria. Em seguida, mete-se na cama com o corpo molhado. João Antunes acredita que cada pessoa tem o poder da cura encerrado em si mesmo. É esse o conselho que dá a muitos que o procuram quando se queixam das mazelas do corpo. “Geralmente, todas as pessoas têm as funções do seu corpo alteradas devido às substâncias químicas que ingerem. Com o ioga vamos impor uma alimentação adequada, exercícios para activar o corpo e para reaprender a respirar, para conseguirem regenerar o corpo”, atesta o nonagenário, que medita todos os dias.
O aluno mais velho da Universidade Sénior de Tomar é um exemplo de vitalidade

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