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Presidente da AIP defende novas regras na concertação social e uma nova unidade associativa

Presidente da AIP defende novas regras na concertação social e uma nova unidade associativa

Edição de 29.07.2015 | Economia
Cerca de três dezenas de empresários tomaram posse como membros da nova direcção da AIP (Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria) eleita recentemente. A cerimónia decorreu no Museu Industrial do Barreiro e juntou mais de uma centena de convidados. Oportunidade para homenagear o industrial Alfredo da Silva (1871-1942) um dos maiores empreendedores portugueses e fundador de um império abrangendo empresas emblemáticas como a Companhia União Fabril (CUF), a Tabaqueira, o Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (depois Lisnave), a Carris, entre muitos outros.José Eduardo Carvalho (JEC), presidente da direcção e da comissão executiva da AIP-CCI, fez um discurso cheio de recados para o movimento associativo ao ponto de ver similitudes entre os problemas no tempo de Alfredo da Silva e nos tempos que correm.A sessão contou com a presença de Sérgio Silva Monteiro, secretário de Estado das Infra-estruturas e Transportes e Comunicações, que JEC elogiou por ter tomado algumas decisões que merecem elogios e que “não são apanágio de muitos governantes”.Depois de afirmar que o futuro da AIP passa por alguns planos estratégicos reafirmou a sua vontade e a da direcção a que preside de colocar a AIP na liderança das associações. “Estamos a conseguir o objectivo de colocar a AIP na liderança do movimento associativo, na concepção e execução de projectos que melhorem a capacidade de gestão e melhoria da competitividade dos seus associados. Em 2014, o número de empresas envolvidas nesses projectos e acções foi de 8.284 e o número de empresários e técnicos nelas integrados atingiu o número record de 25.033”, reforçou.“Todo o movimento associativo tem sido deficitário nos domínios da cooperação empresarial e na inovação e desenvolvimento tecnológico. Não temos conseguido liderar e dinamizar processos de concentração e fusão de micro e pequenas empresas; não temos conseguido formar ACE’s para materializar processos de internacionalização ou reforçar a capacidade exportadora; não temos conseguido dinamizar projectos conjuntos e com dimensão, que envolvam universidades e empresas em programas de inovação. São debilidades que teimam em cristalizarem-se nas associações empresariais.Sabemos que este é o trabalho difícil do associativismo empresarial. Mas também sabemos que só sobreviverão aquelas que conseguirem diferenciar e acrescentar valor ao produto e ao trabalho associativo”, reafirmou. Para JEC existem “dois factores no discurso associativo sobre os condicionalismos na atracção de investimento e na competitividade da economia que urge reflectir. Um é o do licenciamento industrial (:) o outro é a justiça”. “Temos de analisar se o atraso e a qualidade dos tribunais é mesmo um dos três principais problemas para a atracção do investimento. As grandes empresas já não se socorrem da justiça formal. Usam a arbitragem e a mediação. Só recorrem aos tribunais para casos limites: área fiscal e laboral. Na área comercial há uma tendência crescente para sair da justiça formal. E esta tendência já atinge as PME’s. Justifica-se assim que a AIP invista, constitua e dinamize o seu centro de mediação e arbitragem já autorizado e homologado pelo Ministério da Justiça, o que planeamos fazer no 2º semestre de 2015”, disse.A parte mais forte do discurso de José Eduardo Carvalho foi o da insistência no reforço do movimento associativo empresarial; “estamos convencidos que o modelo de associativismo que melhor serve as necessidades do tecido empresarial é a criação de uma confederação que conceba, influencie, negocie e tenha força para formatar decisões de política económica, políticas públicas e laborais favoráveis à actividade económica e empresarial” (:).Depois de reconhecer os seus receios quanto a “algumas políticas que ajudam a perverter o papel das confederações e associações, nomeadamente quando alguns governantes tomam medidas e decisões que permitem que as CIM’s e associações de municípios dinamizem e organizem missões empresariais”, José Eduardo Carvalho dirigiu-se a António Saraiva, presidente da CIP (Confederação Industrial Portuguesa) sentado na primeira fila do auditório, e lançou-lhe o desafio de aceitar por parte da AIP um papel mais colaborante nomeadamente em questões decisivas para o futuro do país como a discussão do actual modelo de concertação social, a questão da descentralização das negociações do enquadramento das relações laborais para as empresa e ainda as matérias relacionadas com a extensão das convenções colectivas de trabalho.“Tenho consciência que são temas reorientadores da estratégia futura da CIP, mas cujo debate e reflexão vai ser difícil evitar nos próximos anos”, acrescentou, dirigindo-se a António Saraiva.Por último e depois de discursar sobre medidas que estão a ser implementadas no país e na vida das associações, que podem e devem ser alteradas para melhor, José Eduardo Carvalho acentuou o problema que se vive na Grécia para opinar sobre o que deve ser feito na Europa.“A implementação da união bancária, a necessidade de haver bancos europeus regulados na Europa e com fundos de garantias de depósitos a nível europeu; e uma união fiscal mínima que assegure transferência de euros de regiões em expansão para regiões em crise, servindo de estabilizador preventivo destes colapsos, poderão ser propostas que reforçariam o objectivo de um mercado único com uma moeda única, que a AIP sempre defendeu e defenderá”, concluiu.
Presidente da AIP defende novas regras na concertação social e uma nova unidade associativa

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