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Câmara de Abrantes lamenta fim do projecto de integração da comunidade cigana

Câmara de Abrantes lamenta fim do projecto de integração da comunidade cigana

Vereadora critica Governo por não disponibilizar os meios necessários para prosseguir com o programa

A mediadora que fazia a ponte com a comunidade cigana cessou o seu trabalho ao serviço do município e vai voltar a vender nos mercados.

Edição de 29.07.2015 | Sociedade
A vereadora da Acção Social na Câmara de Abrantes lamenta que o trabalho desenvolvido pela mediadora municipal nos últimos quatro anos junto das etnias ciganas tenha terminado sem que se tenha programado uma renovação do programa.O programa de mediação municipal visou criar um responsável pela ligação entre as etnias ciganas no concelho e o resto da sociedade, mas tinha prazo de validade até ao mês passado. Em declarações à agência Lusa, a vereadora Celeste Simão (PS) lamenta que o Governo “não disponibilize os meios e protocolos para continuar com o trabalho que foi desenvolvido com sucesso” até ao final de Junho, tendo feito notar que “fica em risco de perder-se uma relação de confiança que se foi estabelecendo”.“A autarquia está impedida de realizar este tipo de protocolos com o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e era importante que o Governo não deixasse cair este projecto e viabilizasse rapidamente o acesso a novas candidaturas, até porque o mesmo está inscrito como estratégia de interesse nacional”, defendeu a autarca.Tânia Sousa, uma mulher cigana que estava desde 2011 a trabalhar junto de 40 famílias da mesma etnia, em Abrantes, para as ajudar a integrarem-se melhor no meio e a resolverem os problemas que têm entre si, terminou o seu vínculo com a autarquia no final de Junho.Em Abrantes, este trabalho da mediadora municipal foi justificado em 2011 pela importância de desenvolver um elo de ligação entre a autarquia, a população e os serviços públicos locais do Estado e esta comunidade composta então por cerca de 135 pessoas. Em causa estava o facto de esta comunidade ter sido considerada “atípica, porque dispersa, sem patronos e sem relações entre si”, observou Celeste Simão.Segundo a autarca, a mediadora cultural, cujo trabalho era ajudar a comunidade a resolver situações como “a assiduidade escolar dos jovens, o acesso a cuidados básicos de saúde ou a importância da empregabilidade”, sempre “conseguiu fazer-se ouvir e respeitar”.Ao mesmo tempo, adiantou, o projecto “trabalhou a necessária desconstrução de estereótipos entre as comunidades ciganas e as restantes, e ajudou a promover uma maior articulação entre as várias comunidades de ciganos” residentes em Abrantes.O projecto, que contou inicialmente com o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, através do Gabinete de Apoio às Comunidades Ciganas, teve como principais objectivos o acesso destas comunidades a serviços e equipamentos locais, além da promoção da comunicação com a comunidade envolvente a fim de prevenir e gerir conflitos.“Agora, uma vez que não nos foi possível renovar o protocolo, terminou o trabalho da Tânia, que vai voltar a vender nos mercados. Não só se perde a função de mediação, como se perde a informação que a mediadora municipal já detinha, fruto das horas de formação e da sua experiência no terreno, ao nível da saúde, da educação, do emprego e da habitação, entre outras matérias”, lamentou a vereadora.
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