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Nus em palco para derrubar barreiras

Nus em palco para derrubar barreiras

Um espectáculo cheio de humor e arte de representar com ribatejanos em cena

André, Marcelo e João são ribatejanos e participam no espectáculo musical “Homens nus a cantar”, encenado por Henrique Feist e que está em cena no auditório do Casino Estoril até 30 de Agosto. Como diz o título da peça os oito actores fazem o espectáculo totalmente nus. O MIRANTE assistiu a uma actuação e falou com os jovens ribatejanos que participam na peça. Com tanto movimento e boa disposição em palco, estar nu é apenas um pormenor que com o decorrer do espectáculo torna-se despercebido.

Edição de 29.07.2015 | Sociedade
André preparava-se para entrar mais uma vez em palco. Já tinha feito aquela cena várias vezes. É das poucas cenas calmas e românticas do espectáculo. O problema é que daquela vez, momentos antes de entrar em palco, distraiu-se com alguns pensamentos mais ousados e começou a ter uma erecção. Nada de especial se André não tivesse que actuar completamente nu. “Uma colega da produção começou a mandar-me água gelada e entrei em palco quase normal. Ainda ouvi alguns comentários da plateia porque ainda não estava totalmente restabelecido. Fiquei um bocadinho envergonhado mas desvalorizei, concentrei-me e pensei que tinha que fazer o meu trabalho”, conta André de Oliveira, entre sorrisos.O jovem, natural da Póvoa de Santa Iria, é um dos oito actores que participa no espectáculo “Homens Nus a Cantar” que está em cena no Casino Estoril até 30 de Agosto. Aos 27 anos, este é o primeiro grande espectáculo em que participa e não podia estar mais orgulhoso. Bem disposto e sem complexos, André de Oliveira confessa não ter qualquer pudor em participar neste espectáculo em que têm que representar sem qualquer roupa. Da plateia já surgiram comentários abonatórios para o seu lado. “Já ouvi dizerem que sou o mais pequeno mas sou o que tenho o pénis maior”, conta entre gargalhadas.Marcelo Rodrigues (de Marinhais) e João Lopes (de Benavente) são os outros dois actores ribatejanos que também participam no espectáculo encenado por Henrique Feist. Marcelo Rodrigues, 25 anos, conta que só se lembra que está nu em palco no final do espectáculo quando fazem os agradecimentos. “Só aí é que tenho um bocadinho de vergonha, mas não faz sentido porque já passei uma hora em palco nu e torna-se tudo natural. As pessoas só estranham nos primeiros dois minutos, depois acostumam-se”, afirma. Numa das sessões, a tia-avó de Marcelo, que tem cerca de 70 anos, resolveu fazer uma surpresa ao sobrinho e foi assistir à sua peça. Enquanto ela aplaudia entusiasmada a actuação do sobrinho, Marcelo confessa ter ficado “um bocadinho” envergonhado por estar sem roupa em cima do palco.Paixão pela representação vem da infânciaOs ribatejanos que participam neste espectáculo descobriram a paixão pelo teatro em pequenos. João Lopes cresceu no mundo artístico uma vez que a sua avó era fadista amadora e tanto ela como a sua mãe também faziam teatro amador em Benavente. Foi ginasta no CUAB (Clube União Artística Benaventense) e sempre participou nos teatros da escola. Frequentou o Conservatório na Escola Superior de Dança, em Lisboa e em 2010 ficou em segundo lugar no programa televisivo “Achas que sabes Dançar?”. Reconhece que desde então teve mais oportunidades de trabalhos mas decidiu trabalhar numa companhia de dança norte-americana. Regressou a Portugal devido a uma lesão e entretanto foi convidado para participar neste espectáculo. Um dos seus sonhos é pisar o palco da Broadway e participar no espectáculo “Chicago”.Marcelo Rodrigues viveu em Marinhais até aos 12 anos. Foi na associação Juvemar que descobriu a paixão pelo mundo do espectáculo, onde fazia teatrinhos com os amigos. Também em casa imitava o que via na televisão e a mãe era a sua espectadora. Depois de terminar o curso de teatro no Teatro Experimental de Cascais (TEC) fez três peças com o elenco fixo do TEC: “O Inferno”, “A cozinha” e “A inexistência” são os nomes das peças de Carlos Avilez em que participou. Depois, esteve um ano a estudar cinema em Londres. Ambiciona pisar qualquer palco mas espera conseguir fazer cinema, a sua grande paixão.André de Oliveira pisou um palco pela primeira vez, aos 12 anos, no Grémio Dramático Povoense, grupo de teatro da sua terra. A sua primeira paixão foi a música. Adorava cantar e teve aulas de bateria e piano. No entanto, começou a apaixonar-se por encarnar várias personagens diferentes. Foi fazendo pequenas participações em televisão até que surgiu o casting para a peça “Homens nus a cantar” e foi escolhido. O jovem garante que não tem pudor com a nudez e, se pudesse, andava sempre nu na rua. “Uma vez fui beber um copo com uma amiga. Devemos ter bebido um bocadinho demais porque às três da manhã fomos para uma fonte que havia numa rotunda na Póvoa de Santa Iria e andei por ali todo nu até ao momento em que chegou a polícia. Quase fui preso e os carros que passavam por ali só buzinavam”, recorda sorridente.O jovem actor aconselha os portugueses a verem este espectáculo. “É uma forma de se perderem pudores e abrirem mentes porque em Portugal as mentalidades ainda estão muito fechadas. Com esta peça conseguimos provar que é possível fazer um espectáculo de qualidade e com respeito pelo público. A única diferença é que estamos nus mas os espectadores acabam por se abstrair desse pormenor”, conclui.Público para todos os gostosNa plateia há público para todos os gostos. Desde jovens a senhoras já com cabelos brancos, todos soltam gargalhadas com as cenas cómicas do espectáculo. É o próprio encenador, Henrique Feist, quem vai receber os espectadores à porta e encaminha-os para os lugares do auditório do Casino Estoril. No início do espectáculo há um momento surpresa entre o público que torna ainda mais provocador o espectáculo. Antes de entrarem em palco, os jovens actores maquilham-se no camarim, no primeiro andar, e revêem algumas falas. Alguns aclaram a voz. Momentos antes do início do espectáculo desejam “muita merda” uns aos outros para que tudo corra bem.
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