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Vítima de legionella luta com as sequelas da doença

Vítima de legionella luta com as sequelas da doença

As dores musculares constantes impedem-na de fazer uma vida normal

Rosa Ribeiro, vítima do surto de legionella em Vila Franca de Xira, queixa-se de ter sido completamente abandonada pelo Estado. Moradora na Póvoa de Santa Iria, foi a primeira paciente a ser internada no Hospital de São José, em Novembro de 2014. “Estes últimos oito meses foram um inferno”, conta, lamentando que não haja ainda ninguém responsabilizado.

Edição de 29.07.2015 | Sociedade
Após oito meses, Rosa Ribeiro ainda tem bem presentes no corpo as sequelas da legionella que contraiu em Novembro de 2014. De cada vez que quer pegar numa moeda, abrir a carteira ou andar mais depressa sente os efeitos da bactéria que contraiu. Moradora na Póvoa de Santa Iria, foi a primeira vítima a ser internada no Hospital de São José e nunca pensou que estaria ainda tão mal. “Estes últimos oito meses foram um inferno. Estive internada 18 dias, oito em São José, vim para casa três dias e depois fui internada em Vila Franca de Xira, porque devido ao antibiótico que me deram para a legionella, apanhei síndrome de Guillain-Barré. Estive lá 12 dias. Hoje não tenho sensibilidade nas pernas e nos braços. Abrir um saco ou pegar em moedas são movimentos simples que ainda não consigo fazer. Fiquei sem voz, tive terapia da fala por dois meses e ainda não recuperei. Tenho o pulmão esquerdo com uma capacidade de apenas 50%”, descreve.Rosa continua a viver na mesma casa, já não tem medo de sair à rua, mas o cansaço que sente no dia a dia - “é como se um tractor me tivesse passado por cima” - só tem rival na indignação que sente quando não vê ninguém culpabilizado pelo que lhe aconteceu. E acredita que houve mais infectados do que os divulgados, incluindo crianças. “Fizemos uma queixa-crime há cerca de três meses contra terceiros no Ministério Público de Vila Franca de Xira, porque ainda ninguém foi culpabilizado. Está tudo em segredo de justiça, não há ninguém a quem possamos apontar o dedo e se o fizermos estamos sujeitos a ser punidos. Nada é feito para nos ajudar”, lamenta, em voz rouca.“Esperava um pedido de desculpas”Aos 58 anos, esta técnica de informática no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, queixa-se do total abandono a que as vítimas da legionella têm sido votadas pelo Estado. “Até à data não temos sequer um pedido de desculpas de ninguém. A conclusão a que chegámos todos na última reunião é que tivemos culpa de respirar, que mais ninguém teve culpa disto. Esperava um pedido de desculpas do Governo. Era o mínimo, além de apoio psicológico para quem perdeu familiares e até para nós que fomos infectados”, afirma.Além da luta diária “com as dores musculares, o cansaço e a certeza de que nunca mais tive capacidade de fazer a vida que fazia”, Rosa teve ainda de suportar todos os custos inerentes aos tratamentos de que necessita. “Tudo é pago por nós. Já gastei mais de 2 mil euros, em tratamentos, em internamentos, medicação, terapias da fala e fisioterapia para poder andar e descontos de ordenado. Ninguém me deu absolutamente nada. Pago eu pela ADSE. Nada foi pago pelo Estado e não fui ressarcida de nada”, acusa.Apesar de não ter perdido a esperança numa recuperação que lhe permita recuperar a qualidade de vida, Rosa não acredita que venha a ser ressarcida dos danos que sofreu. “A alguém ser condenado, primeiro terá de ser indemnizado o Estado, se se tratar de um crime público. Só depois nós, as vítimas. O que nos dizem é que a vida de uma pessoa vale 150 mil euros, mas uma vida não tem preço para os filhos que perderam um pai. Mas a receber, só se forem os meus netos, porque antes da decisão já morri”, conclui.
Vítima de legionella luta com as sequelas da doença

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