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Estudantes de Santarém mostram talento em teatro mudo

Estudantes de Santarém mostram talento em teatro mudo

Quatro centenas de pessoas aplaudiram talento de jovens actores nas Portas do Sol
Edição de 12.08.2015 | Cultura e Lazer
Sexta-feira, 31 de Julho, foi dia de estreias no teatro em Santarém. Três jovens estudantes do curso profissional de Artes do Espectáculo da escola Ginestal Machado estrearam-se a nível profissional, na peça “Vida de Clown”, idealizada pela professora Sara Gabriel, a fazer também a sua estreia mas como encenadora.“Vida de Clown” é uma peça que surpreende, desde logo por não ter uma única fala durante uma hora. “É baseada na técnica de clown, uma abordagem diferente da que estamos habituados no trabalho do palhaço tradicional do circo”, explica Sara. “Se quisermos comparar com alguma coisa tem mais a ver com o trabalho de mimo”, acrescenta um dos actores, Afonso Sousa. A peça conta a história de dois jovens e um idoso e retrata alguns problemas da sociedade. Os jovens encontram-se, apaixonam-se, começam uma vida em comum e passam por algumas das problemáticas daí inerentes, como a sensação de aprisionamento da mulher após o casamento. A personagem mais velha, por sua vez, trava uma luta contra o isolamento. Deixa o sofá e a televisão e resolve viajar. Na viagem encontra o casal, mas o relacionamento entre os três é complicado devido ao mau feitio do idoso.A ideia surgiu na cabeça de Sara em Fevereiro mas o convite a três dos seus alunos só surgiu no final de Março. “Houve uma fase um bocadinho infeliz dos espectáculos que fui ver. Não saía satisfeita com o que via e daí surgiu a necessidade de trazer qualquer coisa de novo ao espectador, de trazer pelo menos uma sensação de agrado quando termina uma peça”, refere, avançando com o número de 400 pessoas que assistiram ao espectáculo nas Portas do Sol.Sara Gabriel é licenciada em Teatro e Educação, em Coimbra, assume-se como actriz e, com 28 anos, é professora de movimento e interpretação no curso de Artes do Espectáculo na Ginestal Machado. É nesta qualidade que fala da importância do curso para o futuro dos jovens aspirantes a actores. “Não é um curso que os prepare imediatamente para a vida profissional mas dá-lhes uma bagagem enorme. Dá-lhes uma noção do que é de facto trabalhar nesta área mas eles devem prosseguir os estudos. Estou sempre a dizer-lhes isso”.Tomás Silva, Afonso Sousa e Laura Henriques são os jovens actores. Passaram para o 12º ano e os três concordam numa coisa: o curso é trabalhoso mas vale a pena. Tomás, de 20 anos, é o mais velho. A sua personagem é Cahecol, “um idoso marreco e solitário que se procura integrar com os jovens e não consegue devido ao seu feitio”. Desde sempre que quer ser actor e se o não fosse possivelmente teria seguido medicina. Com o palco tem uma relação de nervos. “É o sítio onde mais gosto de estar mas onde tenho mais medo de estar. É o medo de falhar que me aflige”, confessa.Afonso Sousa tem 17 anos e interpreta Banços, um jovem “completamente apaixonado pela vida e por aquilo que o rodeia”. Afonso diz que a personagem é “a mais saudavelmente louca” que já fez e, relativamente ao curso, considera que está a adquirir “uma bagagem enorme de conhecimentos” nas suas áreas de interesse: representação, canto e dança. Quanto ao palco, ao contrário de Tomás, sente-se completamente à vontade. “Aquele é o meu habitat. É onde quero passar a maior parte da minha vida e isso diz tudo”.Na peça, a personagem de Afonso apaixona-se por Lara, a personagem de Laura Henriques, a mais jovem do grupo (16 anos). “A Lara é uma rapariga inocente, corajosa e lutadora”, explica Laura, que se inscreveu em Artes do Espectáculo porque quer seguir teatro. “Têm sido anos duros mas que me dão pica. Consegui ultrapassar coisas que não sabia que conseguia”. Apesar de gostar mais de trabalhar com o movimento do corpo, Laura diz que se fosse obrigada escolhia sempre fazer teatro falado. “Ter um texto exige mais de mim. Uma peça com texto é mais desafiante”. A relação com o palco é parecida com a de Tomás. “É uma relação de nervos mas é normal. É o querer fazer bem as coisas. Depois de estar em palco é uma adrenalina boa”, explica.Assim como Laura, também Afonso e Tomás se sentem mais confortáveis em peças faladas mas é no registo mudo que devem continuar, uma vez que é desejo da encenadora voltar a apresentar a peça, não só em Santarém, como noutras localidades.
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