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“Viriato”, o espetáculo de teatro apresentado pelo Fatias de Cá

Edição de 12.08.2015 | Cultura e Lazer
“Viriato”, o espetáculo de teatro apresentado pelo Fatias de Cá aos sábados, em frente do castelo de Almourol, é baseado no romance de João Aguiar e é “contado” por Tongio, o sacerdote guardião do santuário de Endovélico. Já muito idoso, justifica o contar da história “para que o futuro não apague da memória os homens que ofereceram o seu sangue pela liberdade”.Os Lusitanos possuiam uma religião própria. Endovélico era a sua principal divindade, um deus da Medicina que viria depois a ser fundido com o Esculápio latino, que já era, por sua vez, um ajustamento do grego Asclépio. O santuário de Endovélico ter-se-á situado nos arredores do Alandroal, na raia alentejana.Ao recordar os seus tempos de adolescente, Tongio, já velho, faz centrar a acção pelos olhos de Tongio novo, que é integrado na hoste de Viriato depois de um episódio de rapina e assassinato perpretado por legionários romanos. Tongio tem duas características de grande utilidade para os guerreiros Lusitanos. A primeira é que sabe ler. Este “pequeno pormenor” permite que as informações dos correios romanos possam ser conhecidas diretamente dos documentos sem ter de se recorrer à usual tortura do mensageiro, coisa mais trabalhosa, mais demorada e menos fiável. A segunda é que é de famílias ricas. Quando Viriato consegue a adesão dos povos da Ibéria na luta contra os romanos, entre 147 e 140 a.C., deixa de poder saqueá-los e precisou de convencer os lusitanos ricos a apoiá-lo. Alimentar e armar um exército de vários milhares de guerreiros ficava muito caro. Tongio foi o primeiro a oferecer os recursos que herdou, à exceção dos suficientes para que a mãe pudesse ter uma vida digna.Na sequência da morte de Viriato, morto à traição por Audax e seus capangas em 139 a.C., a “pax romana” foi imposta e os Lusitanos romanizaram-se, como todos os outros povos da Península Ibérica. Tongio abandonou-se ao lento desfiar dos dias até que o seu destino se cumpriu: quando visitou o santuário de Endovélico, o sacerdote tinha morrido um mês antes. O deus indicou-o como o seu novo guardião e por lá ficou, não o perturbando a certeza de que, um dos seus amanhãs, seria o último.“Tongio velho” é interpretado por Humberto Machado (85 anos). Nasceu no Arripiado (Chamusca), onde vive. Estudou para desenhador, profissão que exerceu até ao 25 de abril. Depois disso dedicou-se em exclusivo à política. Em 1997 integra o Fatias de Cá. Actualmente é membro de nível 4 do Conselho de Teatro e actor de âmbito profissional. Integrou o elenco de mais de 30 peças, nomeadamente d’Annunzio em “T de Lempicka”, Esgalgado em “Sonho de uma Noite de Verão”, coronel King em “Corto Maltese”, Ubertino em “O Nome da Rosa”, Gonçalo Nuno em “A Encomendação das Almas” ou D. Quixote em “Dom Quixote”. Faz parte do elenco do filme “Richard III”, produzido pelo Fatias de Cá (em fase final de edição) e está a ensaiar para a próxima estreia, “Lear”, a partir de Shakespeare e Kurosawa.“Tongio novo” é interpretado por Pedro Nunes (17 anos). Nasceu em Tomar, onde vive e estuda no ensino secundário. Joga basquetebol.Começou a acompanhar o Fatias de Cá ainda na barriga da mãe e cresceu no meio teatral enquadrado pela avó. Em 2005 integra o Fatias de Cá e é actualmente membro de nível 2 do Conselho de Teatro. Integrou o elenco de peças como “Arthur”, “Alcacer Kibir”, “Tomar em Revista” ou “Plantagenetas”. Faz parte do elenco do filme “Richard III”.

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