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O que os empresários pagam em impostos dava para dar mais empregos

O que os empresários pagam em impostos dava para dar mais empregos

Carlos Maia Santos tem 39 anos e é o gerente do Meu Super de Vila Franca de Xira

Supermercado gerido por Carlos Maia Santos é uma marca do grupo Continente e isso traz vantagens para os consumidores. Não está arrependido de ter apostado no seu próprio negócio e quando era pequeno sonhava ser pintor, por ter jeito para o desenho.

Edição de 12.08.2015 | Identidade Profissional
A actual carga fiscal sobre as empresas é demasiado elevada e, em alguns casos, impossibilita que os empresários consigam contratar mais trabalhadores. É o caso de Carlos Maia Santos, gerente do novo supermercado Meu Super, de Vila Franca de Xira. “Podíamos ter mais quatro ou cinco pessoas a trabalhar na loja, mas não conseguimos por causa dos impostos, é uma sobrecarga muito grande. Eu preferia pagar ordenados do que pagar impostos. A carga fiscal é o nosso maior adversário”, lamenta.Carlos é lisboeta mas tem raízes ribatejanas, do lado do pai (natural de Meia-Via, Entroncamento) e da mãe (natural de Fráguas, Rio Maior). A vida de Carlos sofreu um abanão logo aos 23 meses de vida, quando foi atropelado por um camião. “Isso deixou-me algumas marcas e muitas operações, a última há quatro anos. Mas tive uma boa infância e nunca desisti”, conta a O MIRANTE. Aos 39 anos tem um percurso de vida repleto de empregos. Começou como operador de caixa no Continente do Centro Comercial Colombo, na altura da sua abertura ao público. Foi o seu primeiro contacto com o mundo do retalho. Depois vendeu cautelas e apostas na Casa Viola. Chegou a dar um terceiro prémio de 400 mil euros. “Quando era miúdo a minha mãe deu-me um Spectrum (computador) e em vez de jogar passava o tempo a programá-lo em Visual Basic, gostava imenso daquilo. Acabei por ir tirar um curso tecnológico”, recorda.Quando a cadeia de lojas Fnac abriu no Colombo, Carlos Maia Santos criou na loja a Microclínica, onde os clientes podiam reparar os seus computadores e outros aparelhos. “Mais tarde apareceu a Media Markt e convidaram-me para gestor da linha branca de pequenos e grandes electrodomésticos. Cheguei a chefe de vendas e sub-gerente da loja, naquele tempo facturávamos 45 milhões de euros por ano”, conta.Pouco depois avançou para outro desafio profissional, tornando-se chefe de vendas da Taurus, uma marca catalã de electrodomésticos, onde ainda se encontra. Quando era pequeno sonhava ser pintor, por ter jeito para o desenho. Mas cedo percebeu que não dá para ganhar bons ordenados com a pintura e abandonou a ideia. Se pudesse hoje abdicar do trabalho ia dedicar todo o seu tempo à filha, que tem quatro anos.A vontade de ter o seu próprio negócio falou mais forte este ano. Lembrou-se de Vila Franca de Xira por ser um local onde o conceito de supermercado de bairro ainda não estava criado. Usou os seus conhecimentos na Sonae para implementar o Meu Super na rua Almirante Cândido dos Reis e abriu o supermercado em Abril último.“Tem sido um sucesso e tem superado as nossas expectativas. Vendemos produtos da marca Continente e tem a vantagem dos clientes poderem aqui usar os cartões de desconto e de cliente que usam no Continente”, explica.Carlos explica que a zona não estava aproveitada e precisava de uma nova dinâmica. A arrumação, qualidade, simpatia e o atendimento é o que distingue a sua loja da concorrência. Diz que a cidade não está morta e que ainda há capacidade para fazer negócio. Basta apostar bem no modelo. “As pessoas querem proximidade. Temos concorrentes em que as pessoas na caixa ainda não pagaram e já estão com as compras das outras pessoas em cima delas. Aqui não, é uma caixa para uma pessoa, como era antigamente. Eu sinto-me bem a ser bem atendido, com calma, isso faz a diferença”, defende.Diz que um empresário que queira ter sucesso precisa de dois atributos chave: organização e disponibilidade. “Não falo na honestidade porque isso pressupõe-se que toda a gente deve ter”, entende. Emprega quatro pessoas mas sonha empregar mais ainda. “Precisamos muito de criar emprego e sobretudo as pessoas de Vila Franca de Xira precisam de ter trabalho”, diz o homem que garante não estar arrependido por ter investido num negócio seu.“Há dias em que o negócio me tira o sono mas é gratificante. O mais difícil é sempre o último passo. É muito fácil pesquisar, saber como se faz, fazer todo o projecto no papel. O último passo, quando assinamos o papel e sai o dinheiro da conta, esse momento é que é complicado para quem lança um negócio”, explica. Diz que acima de tudo o mais importante é que os empreendedores nunca percam a vontade de arriscar e de lançar os negócios com que sonham há muito.
O que os empresários pagam em impostos dava para dar mais empregos

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