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Prédio da Ribeira de Santarém em risco de cair não pode ser demolido porque é património

Prédio da Ribeira de Santarém em risco de cair não pode ser demolido porque é património

Quem passa na estrada, um dos principais acessos a Santarém, corre sérios perigos
Edição de 19.08.2015 | Sociedade
O prédio degradado à beira da Estrada Nacional 365 na Ribeira de Santarém, no acesso à estação do caminho-de-ferro e a Santarém, está em risco de ruir e causar uma tragédia mas a sua demolição está a revelar-se uma complicação difícil de resolver. No local circulam milhares de carros e autocarros diariamente devido ao encerramento do acesso à cidade pela Estrada Nacional 114, devido à queda de parte das barreiras há um ano, e há risco das paredes desabarem em cima de pessoas ou viaturas, como já aconteceu no concelho um caso. A Câmara de Santarém anda há dois anos a tentar mandar abaixo o que resta do prédio em avançado estado de degradação e sem garantias de condições de estabilidade das estruturas. O vereador do Património na Câmara de Santarém, Luís Farinha, reconhece a perigosidade mas diz que está de mãos atadas. O autarca garante que o “município pretendeu demolir o prédio aquando da demolição do edifício confinante, há cerca de dois anos, mas apesar da evidência do avançado estado de degradação e do risco que o mesmo representava para a via pública, o processo de demolição não foi autorizado pela Direcção Geral do Património Cultural (DGPC). O autarca explica que o que resta da construção, cujo telhado já abateu, está abrangido pelas normas e restrições impostas no âmbito do centro histórico de Santarém. “A Ribeira de Santarém faz parte do centro histórico de Santarém”, realça Luís Farinha, acrescentando que a recuperação do edifício, apesar de bastante degradado, tem que respeitar a sua traça original não podendo ser demolido.A situação está a ficar cada vez mais preocupante e a causar o medo na população que na quarta-feira, 12 de Agosto, assistiu ao desprendimento de partes do edifício. Por sorte, os bocados de parede que desabaram caíram para o interior do edifício. Os Bombeiros Municipais de Santarém foram ao local mas pouco puderam fazer, limitando-se a partir os vidros que restavam em janelas para evitare que caíssem e cortassem algum transeunte. Com as campainhas do perigo iminente de desabamento, o vereador voltou a fazer mais um pedido de demolição à Direcção Geral do Património Cultural.Recorde-se que em 2011 o antigo edifício das Lojas Coop em Alcanhões, que não estava num estado tão grave como o da Ribeira de Santarém, desabou em cima de um carro, provocando a morte do condutor. A vítima, Jaime Cunha, de 56 anos, sucumbiu quando o primeiro andar de um edifício ruiu, na noite de 9 de Novembro, e toneladas de pedra o apanharam no interior do seu automóvel quando circulava na rua principal de Alcanhões. Na altura, o então vereador com o pelouro da Protecção Civil, António Valente, disse que a Câmara de Santarém não tinha o prédio identificado como estando em risco de ruína. O autarca, que não faz parte do actual executivo, dizia que não tinha havido queixas ou evidências exteriores que alertassem para o risco de ruína, garantindo que se tivessem existido a câmara teria tomado providências.Vítor Gomes, morador na casa ao lado do prédio da Ribeira de Santarém, afirma que o problema se “arrasta há 12 anos” e está cada vez mais preocupado porque o desabamento do edifício pode arrastar a sua habitação. O filho de 12 anos, costuma jogar à bola com outras crianças na rua mas a partir de agora “nem o deixo estar ali. Demoliram uma casa que estava ao lado e a junta de freguesia garantiu que este era a seguir, mas até hoje nada”, desabafa.Na quarta-feira, 12 de Agosto, Vítor estava a estacionar o carro em frente à sua casa, quando ouviu um barulho vindo do edifício. Era o tecto que estava a ceder e que acabou por cair. Foi o morador quem chamou os bombeiros, que reportaram a situação à junta de freguesia e à Câmara Municipal de Santarém.Prédio com andar da câmara também causa preocupaçãoSofia Nunes, 66 anos, residente no nº4 da Rua Direita de Palhais, na Ribeira de Santarém, todos os dias se deita “com o coração nas mãos”. Não consegue dormir tranquila porque mesmo ao lado da sua habitação, existe um edifício em avançado estado de degradação, em que o segundo andar é propriedade da Câmara Municipal de Santarém. A moradora queixa-se de que o prédio está nestas condições há cerca de dez anos e é um perigo para a sua casa, para além das infiltrações que provoca e consequentes arranjos e obras que tem que fazer regularmente. “Faço obras na minha casa mas passado um tempo está tudo na mesma. Não consigo precisar o valor que já gastei mas já mandei arranjar o telhado três vezes e já precisa de uma nova intervenção, é uma situação insustentável”, refere a moradora que, em declarações a O MIRANTE, diz que não aguenta mais.O problema não é só as infiltrações mas também os bichos, “são ratazanas, osgas e agora vem aí o Inverno que é a pior altura”. Sofia já foi por diversas vezes à câmara municipal, “inclusive com o anterior presidente da junta”. Já enviou cartas à câmara mas “a resposta da autarquia é sempre a mesma: Que tenho toda a razão”. A moradora refere que já foram à sua habitação ver os estragos causados pelas infiltrações. “Mas até agora ainda não resolveram nada”, revela.O vereador do património, Luís Farinha, garante a O MIRANTE que o segundo andar do edifício da Rua Direita de Palhais foi sujeito a uma intervenção por parte do município no início do mês de Agosto. A intervenção consistiu no “emparedamento dos vãos de janela, cuja degradação não assegurava a estanquicidade bem como permitia o acesso de pombos e outros animais indesejáveis ao interior do fogo”, explica o autarca.
Prédio da Ribeira de Santarém em risco de cair não pode ser demolido porque é património

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