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Depois do susto SL Cartaxo pode continuar a jogar no Campo das Pratas

Depois do susto SL Cartaxo pode continuar a jogar no Campo das Pratas

Em Junho último o tribunal tinha notificado o município a entregar as chaves do recinto ao dono

Acordo com proprietário do terreno onde está implantado o campo de futebol permite que equipas do clube possam utilizar novamente o recinto a troco de 600 euros mensais.

Edição de 26.08.2015 | Desporto
O Sport Lisboa e Cartaxo (SLC) vai continuar a treinar e jogar no Campo das Pratas. O clube conseguiu finalmente chegar a acordo com o proprietário do terreno, depois de em Junho deste ano a Câmara Municipal do Cartaxo, ter sido notificada pelo tribunal para entregar o campo ao proprietário do terreno. O município foi notificado pelo tribunal para pagar 2500 euros por mês, com juros, desde 31 de Março de 2012, até à data de entrega do recinto, o que veio a acontecer em Junho. O SLC viu-se no meio de uma guerra que não era sua e podia ter hipotecado a nova temporada que está agora a arrancar.Segundo o acordo, o SLC vai pagar cerca de 600 euros por mês ao proprietário. O contrato será anual. No final de cada ano ambas as partes decidem se renovam o acordo ou não. As negociações foram feitas entre os dirigentes do clube e o advogado do proprietário. A assinatura era para ter sido realizada no dia 13 de Agosto. No entanto, o advogado do proprietário exigiu que todos os elementos da direcção do SLC assinassem o contrato. Como em Agosto a maioria tem estado de férias, o processo atrasou e a assinatura do contrato está marcada para 3 de Setembro.O presidente do clube, Paulo Magro, confessa que foi difícil chegar a acordo e que as negociações, sempre através do advogado, duraram três meses. “Fizemos ver ao proprietário do terreno que o clube não tinha nada a ver com o processo que está a decorrer em tribunal e foi nessa base que tentamos chegar a acordo”, explica a O MIRANTE. O clube nunca ponderou fechar portas por causa desta situação mas o dirigente admite que houve uma altura em que acharam que estava tudo perdido. Sobretudo “na altura em que fizemos reuniões com a câmara municipal e as coisas não corriam bem entre esta e o advogado do proprietário”, conta.A incerteza de continuar no Campo das Pratas desestabilizou os atletas e os pais dos atletas que questionavam os dirigentes sobre o futuro do clube. “Tivemos que criar um sigilo para não afectar as negociações. Todos nos perguntavam como estavam as coisas e nós só dizíamos que íamos resolver. Se tivéssemos contado as coisas antes do tempo podíamos ter arruinado as negociações. Nunca quisemos guerras com o proprietário do terreno”, realçou acrescentando que houve atletas que saíram do clube porque achavam que não ia haver campo para treinar. Agora, no arranque da época desportiva, é que os dirigentes vão ver quais são os atletas, dos que tinham saído, que regressam.A Câmara do Cartaxo propôs ao SLC a utilização do estádio municipal a tempo inteiro, mas o dirigente garante que não era possível as 14 equipas treinarem e jogarem naquele campo porque iam desgastar o relvado. Se não tivessem chegado a acordo teriam como alternativa apenas o campo do estádio municipal e a cedência do campo de Vila Nova de São Pedro (Azambuja), mas este campo serve apenas para treinar.Paulo Magro confessa que um dos objectivos do clube é arranjar financiamento para construir um novo campo para o clube, mas não tem sido fácil. “Estamos a tentar. É capaz de haver acordo para cedência de um terreno da câmara para o clube e aí podemos pensar em arranjar verba para investir lá”, explica.Seniores vão lutar pelo primeiro lugar do campeonato distritalO Sport Lisboa e Cartaxo comemora 80 anos no próximo mês de Setembro. O clube tem cerca de três centenas de atletas, em todos os escalões do futebol. Os iniciados disputam o campeonato nacional e os juniores desceram este ano dos nacionais. Apesar de ser mais dispendioso, Paulo Magro garante que preferem estar nos nacionais do que nos distritais e a luta é sempre pela subida até esse patamar. Um dos vários objectivos do clube é manter os iniciados no campeonato nacional e apostar na subida dos juniores novamente ao nacional. “Apesar do nosso orçamento não ser muito grande - cerca de 30 mil euros - quando comparado com o de outros clubes da região, o nosso objectivo nos seniores é lutar também pelo primeiro lugar”, garante.O clube tem cerca de 700 sócios, dos quais 500 têm as quotas em dia. Nem sempre foi assim, mas nos últimos tempos contrataram um cobrador para recuperar esse dinheiro em falta. Além do dinheiro das quotas dos sócios, o clube vai vivendo com as anuidades que os atletas pagam e com a exploração de um pequeno bar que têm no Campo das Pratas. Os patrocínios não são muitos mas vão dando para continuar a actividade do clube. O apoio da câmara é apenas ao nível da cedência de transportes uma vez que a situação financeira da autarquia não permite apoiar as colectividades do concelho.O SLC vai ter este ano, pela primeira vez, uma secção de natação. Já têm duas classes formadas e vai abrir outra de manutenção para atletas mais jovens. As aulas começam em Setembro e as inscrições estão abertas. Outro dos objectivos do clube é ter uma nova sede, uma vez que a actual já está velha. Este é um assunto que está em negociações com o município para a cedência de um espaço, mas não se sabe ainda quando poderá ser concretizado.Um professor de Matemática no dirigismo desportivoPaulo Magro tem 49 anos e é presidente do SLC há cerca de dois meses. No anterior mandato fazia parte da direcção, na área financeira, e agora está à frente do clube. Natural de Castelo Branco, foi viver para Santarém com meses, onde passou toda a sua juventude. É professor de Matemática e antes de ficar efectivo na Escola Secundária do Cartaxo, onde está há 24 anos, deu aulas na Escola Mem Ramires e na Escola Secundária Sá da Bandeira, ambas na capital de distrito, e também passou por Azambuja. Vive no Cartaxo há 13 anos. Chegou a treinar as camadas jovens do SLC.Jogou à bola nas camadas jovens do União de Santarém mas a aventura durou apenas dois anos. “Naquela altura o futebol era só para os bons e eu não era assim tão bom como os outros. Jogava a extremo-direito mas decidi procurar outra modalidade”, recorda. Optou pelo voleibol, tendo jogado oito anos na Casa do Benfica de Santarém. Além disso, também praticou natação. À frente do clube há cerca de dois meses, diz que é preciso muita dedicação e muito apoio da família para abraçar essa missão.
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