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Rio Maior foi cidade graças a um arranjinho de bastidores na Assembleia da República

Rio Maior foi cidade graças a um arranjinho de bastidores na Assembleia da República

História foi recordada no 30º aniversário dessa efeméride

Há trinta anos, a então vila não reunia os requisitos previstos na lei para ser elevada a cidade, mas PSD e PS negociaram e proporcionaram esse desfecho.

Edição de 26.08.2015 | Sociedade
Rio Maior foi elevada de vila a cidade há 30 anos sem preencher os requisitos previstos na lei, tendo essa decisão resultado de um acordo de bastidores na Assembleia da República entre os grupos parlamentares do PSD e do PS. Os socialistas viabilizaram a proposta de elevação de Rio Maior a cidade, apresentada pelo então deputado do PSD Mário Santos (oriundo desse concelho), e, em contrapartida, os social-democratas votaram favoravelmente a proposta do PS de elevação de Ponte de Sôr a cidade, que também não reunia condições para obter esse estatuto.O arranjinho entre os dois maiores partidos foi recordado na sessão comemorativa do 30º aniversário da elevação de Rio Maior a cidade por dois ex-presidentes do município que, em Agosto de 1985, eram vereadores na autarquia - José Pulquério e Silvino Sequeira. A sessão decorreu na manhã de sexta-feira, 21 de Agosto, na sala de sessões dos paços do concelho praticamente cheia.José Pulquério desligou-se da política - “por iniciativa própria e indiferente à imprensa fascista da terra” - há praticamente 30 anos, após ter sido presidente da câmara pelo PPD e presidente da assembleia municipal e vereador pela Aliança Democrática (coligação PPD-PSD/CDS/PPM). O antigo autarca, que chegou a estar preso pela PIDE (polícia política do antigo regime), recordou que “não houve banda de música nas ruas nem foguetes no ar” quando se soube da elevação de Rio Maior a cidade e que essa data nunca foi assinalada condignamente, com excepção da comemoração dos 25º e 30º aniversários, já com Isaura Morais (PSD) como presidente de câmara. O ex-autarca socialista Silvino Sequeira classificou o antigo deputado riomaiorense Mário Santos (ausente por razões pessoais) como o grande responsável pela elevação de Rio Maior a cidade, numa altura em que também ele era deputado à Assembleia da República. E foi Silvino Sequeira quem repescou mais ao detalhe o que se passou à época, referindo que o acordo entre PSD e PS permitiu que nascessem mais duas cidades (Rio Maior e Ponte de Sôr), apesar de, na altura, não preencherem todos os critérios exigidos por lei.O conjunto de intervenções foi rematado pela presidente da câmara Isaura Morais. A autarca referiu que Rio Maior desenvolveu-se muito desde essa data, enumerando a criação de uma série de serviços e equipamentos de excelência existentes no concelho, como a Escola Superior de Desporto, o Parque de Negócios, a Escola Profissional e o Complexo Desportivo, resultado do trabalho dos diversos executivos camarários.Isaura Morais enumerou também o nome de três personalidades que considerou fundamentais para a elevação de Rio Maior a cidade: os ex-deputados Mário Santos (proponente da lei) e Silvino Sequeira e o presidente da câmara à época, Joaquim Pereira de Deus, já falecido.Oposição quer celebrações mais marcantesUm par de horas antes de se iniciar a breve sessão comemorativa do 30º aniversário da elevação de Rio Maior a cidade, o vereador da CDU Augusto Figueiredo exortou, em reunião de câmara, a maioria PSD/CDS, que gere o município, a dar mais ênfase às comemorações dessa data. “Rio Maior ainda não foi capaz de valorizar o facto de ser cidade. O aniversário da cidade devia ser uma coisa com mais dignidade”, afirmou o autarca comunista, referindo que não existem festas da cidade nem de celebração de santos padroeiros que levem a população a partilhar o espaço citadino. “Acho que deve haver uma reflexão profunda para que a cidade possa ter as suas próprias festas. Seria mais um acontecimento capaz de atrair visitantes e mais um factor de dinamização da economia local”, defendeu.Na mesma senda, o vereador socialista Carlos Nazaré considera importante que a data seja assinalada anualmente e que a população fosse envolvida nesse processo. A presidente da câmara, Isaura Morais (PSD), disse ter tomado boa nota das considerações da oposição e que apoia a ideia de que há que envolver mais a comunidade nessas celebrações.
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