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Democrático Serafim das Neves

Edição de 04.11.2015 | E-mails do outro mundo
Estou a fazer uma desintoxicação informativa. Por muito que quisesse já não aguentava mais os níveis de poluição dos últimos meses. Um homem não é de ferro e mesmo os que são de ferro enferrujam. Depois de drenar toda a hilariante porcaria vou voltar são como um pêro e com capacidade para encaixar mais do mesmo durante, pelo menos, mais uma década. A democracia é uma coisa fantástica mas dá cá uma trabalheira...Compram-se quatro jornais e cada um escreve uma coisa diferente sobre o mesmo assunto. Gasta-se dinheiro e ainda se tem o trabalho de construir a nossa própria verdade. É na Política, na Economia...no Futebol. Foi penalti,ou não foi penalti? Há quem diga que foi, há quem diga que não e há quem diga que talvez tenha sido ou talvez não. Fazem-se eleições e ninguém sabe quem ganhou porque ganham sempre todos. É divertido, reconheço, mas exige férias de quando em quando. É como quando sufocamos de tanto rir. Claro que há países onde não é assim. É tudo pronto a comer. Ali o cidadão é poupado. Não tem dores de cabeça por andar a pensar no que não deve e há sempre alguém a pensar por ele. Um descanso! Depois há os malucos como nós que gostam de dores de cabeça e até daquelas outras dores que temos quando nos apertarem os tomates num torno por andarmos a questionar o que não devemos ou simplesmente a escrever a verdade. Mas a loucura democrática é saudável e eu sempre adorei charadas e quebra-cabeças.Eu gosto da democracia porque, tirando aquela coisa de um tribunal nos ter proibido de escrever sobre aquele tal senhor nem que seja para dizer bem dele, podemos dar as nossas opiniões livremente desde que tenhamos dinheiro para pagar bons advogados, taxas de justiça e chorudas indemnizações. E também faz jeito um primeiro prémio do euromilhões para compensar a publicidade que nos é retirada pelo senhor Preto por termos escrito Branco e pelo senhor Branco por termos escrito Preto, independentemente de ser ou não verdade o que escrevemos. Mas isso é o menos, porque o essencial é podermos escrever em liberdade e sem constrangimentos, que é o que acontece agora, como se prova pela quantidade de comunicados de imprensa de câmaras municipais, empresas e instituições, que são publicados na íntegra em todos os jornais como se fossem notícias e reportagens. Há dias um senhor escreveu ao jornal um amável e-mail a falar das notícias de futsal feminino. Vim mais tarde a saber que era o treinador ou dirigente ou lá o que era de uma equipa qualquer daquela deslumbrante modalidade. Explicava ele que o seu trabalho é feito por paixão. Que não ganha nada com aquilo, nem quer protagonismos, que faz muitos sacrifícios e que até paga despesas do seu bolso. Depois acrescentou a sua visão da liberdade de imprensa. Quando compra um jornal é para o jornal dar notícias maravilhosas da sua equipa e só da sua equipa. Fiquei sensibilizado, lá está. Uma pessoa que compra um jornal para que esse jornal apenas dê boas notícias da sua equipa é alguém que percebe bem o papel dos meios de comunicação social. Um filantropo do camandro! O recado que deixou foi claro. Ou prestávamos atenção ao seu rebento ou ele rebentava connosco. Democracia pura...e dura!!! Um outro senhor foi ao jornal dar uma informação e voltou dias mais tarde para dizer ao jornalista que desenvolveu a notícia que ele não encomendara nada daquilo. Pediu o livro de reclamações e tudo. Eu desintoxico-me e volto...ai volto, volto. Como é que eu posso viver longe de quem tem uma visão tão acutilante da informação???!!!Um abraço equidistantemente noticioso Manuel Serra d’Aire

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