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Uma paixão arrebatadora por isqueiros que dura há 20 anos

Uma paixão arrebatadora por isqueiros que dura há 20 anos

Manuel Marques vive em Alcoentre e tem mais de 8 mil isqueiros numa divisão própria em casa

Ex-fumador, o guarda reformado da prisão de Vale de Judeus passa dias a limpar e a admirar a sua colecção. Já a quiseram comprar, mas o amor pelo espólio falou mais do que o dinheiro.

Edição de 04.11.2015 | Sociedade
É uma paixão que começou tarde, mas que, como todas as paixões foi e é arrebatadora. Manuel Marques, 71 anos, colecciona isqueiros e agora tem cerca de 8 mil em casa, numa divisão que estava destinada para o efeito e cujas paredes, em vez de serem maioritariamente de tinta, estão forradas com esse espólio.De latão, de porcelana e de todas as formas e feitios imagináveis, desde animais a balas, passando por telemóveis, de tudo um pouco há nos armários de Manuel, que vive em Alcoentre, no Bairro dos Guardas. “Colecciono isqueiros há cerca de 20 anos. Ofereceram-me um isqueiro e tudo começou aí. Na altura fumava, mas agora há muito que já não fumo. Deixei há cerca de 12 anos. Por isso, a maior parte dos isqueiros que aqui está, estão vazios”, conta.Guarda reformado da cadeia de Vale de Judeus, Manuel passa os seus dias entre as duas paixões: os isqueiros e a horta. “Neste momento devo ter cerca de 8 mil isqueiros, mas já tive 11 mil. Comecei a dar alguns. Adoro esta colecção. O meu trabalho é isto e tratar da horta. Venho aqui um a dois dias por semana, inteiros, só para tratar disto. Limpo-os com um aspirador, porque se fosse a tirá-los todos era uma trabalheira. É quase uma divisão só para os isqueiros. Venho aqui para a secretária para os organizar e ir arranjando”, explica.Manuel é natural do Porto, mas mudou-se para o Ribatejo há 42 anos e foi aí que construiu a sua vida, juntamente com a sua mulher, a grande responsável pela colecção ainda estar na posse de Manuel. “A minha mulher adora isto. Já pensei em desfazer-me da colecção, mas ela é que me convence a ficar com isto, apesar de começar a ser difícil, porque dá trabalho e já tenho 71 anos. Os meus filhos não ligam a isto, não querem porque dá trabalho. Gostava que algum deles ficasse com isto”, confessa.Manuel já chegou a ser convidado para expor a colecção, mesmo pela junta de freguesia local, mas não acedeu ao convite. Também já teve propostas de compra para o peculiar espólio, mas não se deixou tentar, sobretudo porque o valor não paga o apreço que tem pelos isqueiros. “Tenho aqui marcas valiosas, desde Ronson, que são os mais caros, Zippo e outras. Tenho até um de prata. Uma vez veio cá uma pessoa e ofereceu-me 2 mil euros por isto. Respondi-lhe que por esse preço não os vendia ninguém. Isto para mim não tem valor, mas 5 mil euros é uma verba aproximada do valor deles. O mais antigo que aqui tenho, tem mais de 100 anos, é árabe”, refere, mostrando um com um longo baraço em tons laranja.Desde visitas a feiras de velharias, a trocas, compras e dádivas de amigos e recolhas de viagens ao estrangeiro, muitas são as proveniências da colecção, cuidadosamente exposta numa série de armários com prateleiras feitas à medida, pelo próprio Manuel, para mostrar e apreciar a sua colecção. “Sei exactamente e conheço todos os isqueiros que tenho. Se alguém cá vier e me tirar daqui um, dou pela falta dele, sobretudo destes que estão expostos, os que estão em sacos é complicado. Não tenho uma lista dos que tenho, mas tenho tudo na cabeça”, garante. Certo é que a colecção se mantém e requer até muito cuidado, porque o gás é perigoso. “É preciso muita paciência para isto. Não tenho muita já. Há que os esvaziar, porque senão é um perigo. Tenho até extintores para o caso de qualquer coisa correr mal”, concluiu.
Uma paixão arrebatadora por isqueiros que dura há 20 anos

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