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Ténis de mesa regressou à cidade do desporto

Ténis de mesa regressou à cidade do desporto

Clube de Ténis de Mesa de Rio Maior já tem trinta praticantes

Um clube exclusivamente dedicado ao ténis de mesa foi criado em Rio Maior e está a fazer sucesso junto de praticantes de todas as idades. Os dirigentes souberam tirar partido do facto de ser um desporto que está na moda e as inscrições vão-se sucedendo. Por enquanto só se treina mas o objectivo é, a médio prazo, enveredar pela competição.

Edição de 11.11.2015 | Desporto
O ténis de mesa, modalidade com tradição em Rio Maior, está de regresso à cidade através de um novo clube, o Clube de Ténis de Mesa de Rio Maior, criado em Maio deste ano mas cujos treinos apenas começaram em Setembro, realizando-se no Pavilhão Multiusos às terças e quintas-feiras, das 18h30 às 20h30 para os jovens e das 21h00 às 23h00 para adultos.“Propus a uns amigos que começássemos a fazer treinos regulares e foi assim que nasceu o clube. Começou a aparecer gente, nomeadamente o João Frazão, que é o nosso presidente e que é bastante entusiasta. Não fazia muito sentido, na cidade do desporto, não haver ténis de mesa”, conta Paulo Santos, vice-presidente.Em cerca de dois meses, o clube já tem à volta de 30 atletas. Um dos factores que traz gente é o facto de ser um desporto barato. “É importantíssimo. Com a crise é cada vez mais difícil as famílias manterem os filhos a praticar desporto. Aqui só é preciso uma raquete, umas sapatilhas e uns calções. O polo é o clube que oferece”. A inscrição custa 15 euros e a mensalidade 3 euros, valor que o vice-presidente considera irrisório. “Optámos por uma mensalidade bastante acessível, não só para cativar, mas também porque percebemos a dificuldade das famílias”, explica.O clube disponibiliza aos praticantes 6 mesas, três emprestadas pela empresa municipal Desmor e três compradas com o dinheiro dos patrocinadores. Por enquanto ainda só se treina e procura-se conjugar a seriedade com o divertimento: “Vamos mantendo alguma agradabilidade para eles não se sentirem cansados no sentido do monótono. Colocá-los meia hora a fazer sempre o mesmo movimento ainda é cedo. É preciso deixá-los evoluir e, depois, eles próprios vão querer passar, por exemplo, uma hora a fazer serviços”.Paulo Santos diz que o nível dos jovens é ainda muito inicial e é por isso que não se avança já para a competição. No entanto esse é um objectivo assumido para o futuro: “É sempre o ponto a alcançar em qualquer modalidade. É para aí que vamos apontar mas tudo depende dos atletas. Se houver atletas com essa vontade, com esse querer, o clube fará os possíveis para levar isso em frente. Se não houver não vamos obrigar ninguém a fazer competição. Neste momento não vale a pena porque eles ainda estão num nível muito inicial. Talvez para o ano”.O vice-presidente do Clube de Ténis de Mesa de Rio Maior considera ainda que fundar o clube foi a parte mais fácil e que o mais difícil é levá-lo para a frente.Jovens aderem à modalidadeDos 30 elementos que já compõem o clube muitos deles são jovens. Inscreveram-se por se tratar do desporto da moda, consequência dos bons resultados dos atletas portugueses a nível profissional, ou porque simplesmente gostam de jogar. O primeiro a inscrever-se foi João Santos, de 14 anos, residente em Pé da Serra, a poucos quilómetros de Rio Maior. “Sempre gostei de jogar desde pequeno. Disse aos meus pais que queria vir para este clube e eles concordaram que era bom eu ter um desporto para praticar”, conta. No clube diz que tem aprendido muito, nomeadamente a nível da posição na mesa ou do golpe de serviço. Estudante do 9º ano, não tem dificuldade em conciliar as duas ocupações. “Faço os trabalhos de casa e estudo antes de vir. Quando há testes falto ao treino para estudar”. Quanto ao futuro, até já se imagina nos Jogos Olímpicos.Cátia Clemente é a única rapariga do clube. Tem 13 anos. “Jogo na escola e até em casa fazia alguns truques, na mesa de jantar e de almoçar. Perguntei aos meus pais e eles deixaram-me vir. A minha mãe só quis saber se me davam boleia para casa quando ela não pudesse vir buscar-me”.Nos treinos destaca a aprendizagem da pancada de esquerda e revela uma situação curiosa: “Às vezes, quando vem aqui alguém ver-nos jogar, fica espantado por estar ali uma rapariga”. No entanto, nunca ouviu comentários negativos e, no meio de tantos rapazes, diz que se dá bem com todos.É estudante do 8º ano e diz que o ténis de mesa não atrapalha os estudos porque na semana antes de um teste falta aos treinos. “A minha mãe diz que os estudos estão primeiro e é verdade”. No futuro gostava de ser jogadora de ténis de mesa e de “ganhar algumas medalhas”. Em alternativa também gostava de ser futebolista.Um reencontro com o ténis de mesa aos 65 anosO jogador mais velho do Clube de Ténis de Mesa de Rio Maior é Vítor João Correia, de 65 anos. Começou a dar os primeiros passos num clube de Rio Maior chamado Extra, cuja raiz era o ténis de mesa. Chegou a ser federado enquanto jovem mas jogou sempre a nível amador. “A única competição que fiz foi ao nível dos campeonatos distritais da Mocidade Portuguesa”, recorda, lembrando que o ténis de mesa era, em Rio Maior e no distrito, um desporto “muito popular”.Quando soube da criação do novo clube começou por ficar de pé atrás mas hoje em dia já aparece nos treinos para dar uns “toquezinhos” e diz-se ao dispor para ajudar no que for preciso. Uma das coisas em que a sua presença é útil é na hora de aconselhar os mais novos, algo que Vítor João faz questão: “Tento passar aos miúdos que, no ténis de mesa, do outro lado da rede não está um inimigo mas sim um companheiro. E outra coisa é que primeiro estão os estudos. Que o ténis de mesa não seja motivo para que as aulas ou os estudos saíam prejudicados. E depois há outros factores que eles têm de ter em conta como a disciplina, o cumprimento de horários, as regras. O fundamental é eles serem amigos e criarem entre eles uma ligação que lhes permita ajudarem-se uns aos outros”.Um dos principais desejos de Vítor João é que o ténis de mesa volte a ser o que era no distrito: “Seria muito bonito. Santarém, por exemplo, tinha a Académica, os Caixeiros e a União. E depois, a nível do distrito, havia ténis de mesa em Tomar, Entroncamento, Almeirim, Torres Novas, Abrantes. Era bom que isto se reactivasse tudo, assim como a Associação de Ténis de Mesa de Santarém. Mas agora, quando formos competir, temos de ir para Lisboa ou para Leiria? Isto faz algum sentido?”, questiona. O mais velho do novo clube deixa um desafio: “Nós aqui arrancamos outra vez e agora outros que sigam o caminho”.
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