uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Pinheiro perde área plantada para o eucalipto mas mantém importância económica

Pinheiro perde área plantada para o eucalipto mas mantém importância económica

Octávio Ferreira, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, disse em Mação que o pinhal só é economicamente rentável se tiver uma gestão apropriada.

Edição de 11.11.2015 | Economia
O pinhal é uma área muito importante em termos económicos no norte do distrito de Santarém, nomeadamente nos concelhos de Mação, Sardoal, Abrantes e Ferreira do Zêzere. No entanto, o engenheiro Octávio Ferreira, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, diz que o pinhal só é economicamente rentável se houver uma gestão apropriada. “Se deixarmos o pinhal entregue à natureza, sem intervenções culturais, como nós costumamos dizer, o rendimento é muitíssimo menor do que aquele que deveria ser. Potencialmente pode dar excelentes rendimentos mas, para isso, temos de acompanhar o crescimento das árvores para que elas depois nos recompensem com a sua matéria prima, que é a madeira e a resina”, disse a O MIRANTE no final da conferência “O Pinheiro Bravo: caracterização e importância”.O pinheiro bravo, que ocupa 23 por cento de toda a área florestal, tem perdido área plantada em relação ao eucalipto (26 por cento) e Octávio Ferreira explica porquê: “Uma das razões é porque tem ardido imensa área de pinhal. E depois, como o eucalipto é uma espécie que dá rendimentos mais precocemente, logo aos 10, 12 anos e às vezes aos 9, os proprietários têm optado por plantar eucalipto em áreas onde havia pinhal”. Octávio Ferreira explicou na sua apresentação, no auditório do Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, concelho onde, em 15 anos, desapareceram 200 mil hectares de pinheiro bravo, em grande parte devido aos incêndios, recordando que no concelho, em 2003, arderam 18 mil hectares de floresta.As pessoas, essas, continuam a trabalhar na floresta. Segundo dados apresentados, que remontam a 2010, só a fileira do pinho empregava 65 mil pessoas. No total eram, há cinco anos, 100 mil a trabalhar em actividades ligadas à floresta. “É um número significativo”, considera o engenheiro. A fileira do pinho foi ainda responsável por 927 milhões de euros de exportações e por 89 por cento das empresas no sector florestal.O concelho de Mação tem cinco Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), que englobam áreas florestais contínuas, pertença de vários proprietários, com vista à gestão e defesa comuns do seu património florestal. Octávio Ferreira rejeita a ideia que o projecto não pegou no resto do país e diz que “não basta constituir uma ZIF, tem que haver fundos financeiros, monetários para fazer os investimentos que são necessários. Isso é essencial”.
Pinheiro perde área plantada para o eucalipto mas mantém importância económica

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...