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Portagens

Edição de 11.11.2015 | Opinião
A semana passada escrevi sobre os enganos deste nosso Portugal; aqui fica mais um excelente exemplo: as portagens. Portagens, sempre na ordem do dia, mas sempre ao lado do essencial. Este é daqueles temas que me fazem sentir estúpido todos os dias. Naturalmente, em tempo de mudança o assunto ganha ainda mais relevância. Desde já, para que fique bem claro, não há aqui dois lados da barreira e as “comissões de utentes” não passam, a maioria das vezes, de arma política – mais ou menos como as greves tipo Metro, TAP, etc.O essencial é avaliarmos justamente todas as parcelas do valor de uma autoestrada. É certo e sabido que se exagerou, e muito, na construção deste tipo de infraestruturas. É um facto, mas para o essencial, e agora que estão construídas, isso não importa. Agora, ou assumimos os custos de operação/manutenção ou fechamos os troços que se entender. À partida, a A23, a A6, etc., devem ser consideradas importantes infraestruturas para a sustentabilidade do interior e para a riqueza do país; isto é claro. Como qualquer outra infraestrutura a sua rentabilidade é tanto maior quanto maior for a sua utilização. Isto é, uma autoestrada será tanto mais rentável quanto mais tráfego tiver. Refiro-me à sustentabilidade e riqueza do país, à rentabilidade dos sectores económicos e à qualidade de vida dos cidadãos. Sinto isto na pele e, por isso, compreendo facilmente o que acredito ser o essencial. Por razões familiares e profissionais, faço bastantes vezes o trajeto Cascais – Évora pela estrada nacional, pois as portagens são estupidamente caras. O tempo que necessito nunca é inferior a duas horas e quinze minutos. Se usar a A2/A6 a coisa fica em cerca de uma hora. Isto é, numa viagem de ida e volta gasto mais cerca de duas horas e meia. Quanto vale este tempo em produtividade, segurança, bem-estar, etc? Quanto vale o tempo de todos os utilizadores (empresas, cidadãos, turistas…) que optam pelas estradas nacionais em vez da autoestrada, infraestrutura que ali está para ser “abusivamente” usada por todos? Quanto perde o país em vidas humanas, em emissões de gases, em energia, em produtividade…? No limite, quanto pagamos mais em impostos para manter as autoestradas sem veículos? Isto é o essencial da equação: quanto custa não usar as autoestradas? Algum país seria viável se construísse escolas para depois não as usar? Vale a pena estudar o efeito real de baixar o custo das portagens. Entre o zero (ex-SCUT) e o custo atual, que tem aumentado, quando tudo o resto não, há um valor certo para todos – aquele que compensa a utilização da autoestrada.Andamos muito distraídos.Carlos A. Cupeto

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