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Aumento da água em Ourém é absurdo e escandaloso

O MIRANTE foi ouvir alguns cidadãos residentes no concelho e as queixas fizeram-se ouvir

Munícipes contestam a subida do tarifário em 58 por cento, imposta pelo Tribunal Arbitral, e também a concessão do sistema de abastecimento de água a privados. A água é um bem essencial e não deve ser um negócio, reclamam.

Edição de 11.11.2015 | Sociedade
O aumento acentuado da água (58 por cento) no concelho de Ourém não caiu bem entre a população, a julgar pelas opiniões de vários cidadãos com quem O MIRANTE falou, considerando essa medida como mais um rombo nos orçamentos familiares já de si bastante depauperados nos últimos anos pelos efeitos das medidas de austeridade impostas.Em Fátima, a comerciante Deolinda Maurício, de 51 anos, contesta um aumento que considera ser um absurdo. “Eu já pago bastante e somos apenas duas pessoas em casa. Vou pagar um preço como se lá habitassem mais pessoas”, declara. Também Ana Marques, desempregada de 23 anos, refere que o aumento da tarifa da água é muito elevado face às outras despesas. “Mas não podemos fazer nada perante isto”, afirma. Há até quem já pense em rescindir contrato. “É incomportável. Vão haver muitas pessoas a desistir de ter contador. Eu tenho uma casa que não está habitada e com um aumento destes provavelmente vou optar por rescindir contrato”, salienta a funcionária pública Maria Faria, de 45 anos. Florinda Marques, de 50 anos, contesta igualmente o aumento do preço, pois “quase já não se tem capacidade para bens tão básicos, tal como a água que é essencial à vida”. Da mesma opinião é Ana Pires, de 48 anos, que considera não ganhar o suficiente para preços tão elevados. “Ao fim do mês deve-se sentir bastante a diferença nos valores da água”, aponta. Na cidade de Ourém o construtor civil Fernando Alarico, de 45 anos, contesta o aumento, referindo ser “um escândalo, face ao actual custo de vida”. Tal como Luís Queirós, de 30 anos, que não considera ser “justo o aumento da tarifa da água seja em que concelho ou distrito for, porque vivemos num país em que os ordenados não são aumentados e o nível de vida está difícil para todos”. Também a comerciante Andreia Prino, de 37 anos, acrescenta ser “um absurdo, já que se tem de pagar tantas outras taxas”. A maioria dos habitantes não concorda com a concessão a privados da rede de abastecimento público de água (situação que se vive em Ourém há já alguns anos), pois a água “é um bem essencial que pertence a todos”, salienta o jovem João Reis, de 20 anos. Da mesma opinião é Alessandro, um italiano a viver em Fátima. “A água estar em mãos privadas não é bom, porque é um bem público e não devia ser um negócio em Portugal ou na Europa. A água devia servir o interesse de cada pessoa”, conclui. Maria Faria também contesta a concessão. “Está à vista o que tem provocado a água estar em mãos de privados. Já é a segunda empresa e isso tem-se reflectido no preço da água, por as negociações não estarem a correr bem”, afirma. Já Fátima Verdasca, de 51 anos, é a favor da privatização, mas “não sobre jurisdição dos chineses”.Recorde-se que, conforme O MIRANTE já tinha divulgado na edição de 5 de Novembro, o Tribunal Arbitral decidiu que o aumenta da tarifa da água no concelho de Ourém se situe nos 58 por cento (%). A decisão foi proferida na sequência das divergências entre a Câmara Municipal de Ourém e a empresa Be Water (anteriormente designada Compagnie Générale des Eaux Portugal), que tem a concessão da gestão do abastecimento da rede pública de água. Faltam espaços de lazer e críticas ao SantuárioOs habitantes do concelho de Ourém referem ainda a falta de serviços e espaços de lazer. “Aqui não há espaços de lazer para os jovens e crianças. Aos fins de semana os meus filhos passam o tempo todo fechados em casa”, contesta a empregada de balcão Judite Reis, de 40 anos. Também Celeste Marques, de 48, salienta que em Ourém “há muita crise. As pessoas não têm rendimentos. Os comércios cada vez estão mais parados”. Além disso muitas são as críticas ao Santuário de Fátima. “O problema é que o Santuário foi transformado num enorme negócio. A religião foi-se embora e ficou o dinheiro. Não é só aqui. Também em Itália acontece o mesmo, tal como em todas as grandes igrejas que as pessoas visitam”, conclui Alessandro, de 41 anos.

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