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Autarca de Vila Franca de Xira quer legislação que impeça novo surto de legionella

Autarca de Vila Franca de Xira quer legislação que impeça novo surto de legionella

Riscos foram controlados há um ano mas não houve qualquer reforço de mecanismos

Após o surto foi elaborado um relatório pelas entidades de saúde que recomendava a criação de legislação específica que enquadrasse a actuação dos responsáveis mas até hoje não entrou nada em vigor.

Edição de 11.11.2015 | Sociedade
O surto de legionella que atingiu o concelho de Vila Franca de Xira há um ano não pode voltar a acontecer e é preciso que as autoridades apostem na prevenção e aprovem legislação que obrigue a uma maior vigilância das fábricas. O pedido foi deixado pelo presidente do município, Alberto Mesquita (PS), durante a última reunião pública de câmara. “É preciso apostar na prevenção para que não voltem a acontecer situações destas no concelho e no país. Na altura falou-se muito da necessidade de introduzir alterações legislativas para fazer a vigilância das fábricas mas nada foi feito”, lamentou o autarca. Após o surto de legionella as autoridades de saúde elaboraram um relatório onde recomendavam a criação de legislação específica para enquadrar, entre outros, a actuação dos responsáveis nestes cenários mas essa legislação nunca veio a ser publicada. As vistorias às torres de refrigeração das fábricas, que por norma são os principais focos de contaminação, continuam a não ser obrigatórias nem feitas pelo Estado.O Director-Geral da Saúde, Francisco George, confirmou esta semana, em declarações a uma rádio nacional, que apesar dos riscos terem sido “perfeitamente controlados” durante o surto não houve, até aos dias de hoje, “um reforço de mecanismos” para prevenir estas situações. Já Alberto Mesquita (PS) voltou a associar-se à “dor das vítimas” e voltou a defender que os culpados devem responder pelas suas acções. “Tenho procurado ser muito cauteloso com o que digo porque oficialmente ainda não existe um culpado. Se bem que os indícios apontem para um local, não existe a indicação taxativa de que foi aí a origem do surto. Temos de encontrar os causadores para que esta situação não se repita”, notou.O autarca voltou a assegurar que, logo que seja deduzida acusação por parte do Ministério Público, a câmara apresentará uma acção para ser ressarcida dos danos de imagem que teve com toda a situação. O surto de Vila Franca de Xira foi também falado no 31º congresso da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, em Albufeira, na tarde de quinta-feira, 5 de Novembro. Na sua intervenção uma especialista da Direcção-Geral da Saúde defendeu que as consequências do surto só não foram piores e mais devastadoras graças à intervenção rápida das autoridades.No sábado, 7 de Novembro, as bandeiras da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa foram colocadas novamente a meia-haste, em sinal de respeito pelas vítimas. Em comunicado o presidente da junta, Jorge Ribeiro, lamentou que a justiça ainda não tenha encontrado os culpados e disse acreditar que a verdade seja descoberta e que os responsáveis pelo surto sejam “punidos”.O surto de Vila Franca de Xira infectou cerca de 400 pessoas e matou 14 pessoas. A doença do legionário é provocada por uma bactéria que se contrai por inalação de gotículas de vapor de água contaminada que transportam a bactéria para os pulmões. Pode originar sintomas semelhantes a uma gripe - como as dores no corpo e febre - e pode evoluir para uma pneumonia grave que tem, como consequência última, a morte do doente.
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