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Descargas de suinicultura para terreno vizinho em Abrantes estão no Ministério Público

Descargas de suinicultura para terreno vizinho em Abrantes estão no Ministério Público

Proprietária de exploração de cabras apoiada pelo Estado desespera há seis anos por solução
Edição de 11.11.2015 | Sociedade
O caso de descargas de uma suinicultura para um terreno vizinho, onde funciona um projecto do Programa de Desenvolvimento Rural - PRODER, do Ministério da Agricultura, de exploração de cabras em Marco, Alferrarede, concelho de Abrantes, está a ser investigado pelo Ministério Público. A proprietária da exploração, Ana Alves, sente-se desesperada com a situação que se arrasta há seis anos e diz que já lhe morreram animais devido à contaminação do pasto pelos dejectos dos suínos. O dono da suinicultura, Paulo Batista, contactado por O MIRANTE, preferiu não prestar declarações sobre o assunto. O comando distrital da PSP confirma que já recebeu várias queixas e recentemente, na sequência de mais uma alegada descarga das lagoas de dejectos da suinicultura, levantou um auto que foi enviado para o Ministério Público. A queixosa refere que entretanto já se deslocaram ao local, por indicação do Ministério Público, inspectores que estiveram a verificar uma conduta que dá para uma linha de água e a partir da qual serão feitas as descargas. Ana Alves diz que a situação ocorre sobretudo no Inverno quando chove muito e as lagoas dos detritos não aguentam mais capacidade. Ana Alves refere a O MIRANTE que por várias vezes já ficou com os terrenos, numa cota mais baixa que a suinicultura, completamente inundados e que um cavalo que tem na propriedade ficou atascado numa poça de lama. Sem água canalizada, a proprietária da exploração de cabras diz que tem uma mina de água contaminada e que ela e o filho já tiveram de ser hospitalizados por terem bebido aquela água. Ana Alves refere que gostaria de aumentar a exploração que neste momento é de meia centena de cabras mas que teme a morte de mais animais por comerem erva contaminada. A proprietária refere que quando suspeita de descargas tem de mantar os animais em cativeiro, o que aumenta os custos de alimentação com rações. Diz ainda que gostaria de cultivar o terreno mas que enquanto a situação não estiver resolvida não vale a pena. Ana Alves salienta que chegou a pedir ajuda à Câmara de Abrantes mas que a presidente lhe disse “que não podia fazer nada”. Esta é a segunda vez que o caso está no Ministério Público. O primeiro caso foi arquivado porque, refere Ana Alves, os inspectores do ambiente foram ao terreno muito tempo depois e em pleno Verão, quando não se registam descargas. A suinicultura chegou a estar autorizada a fazer descargas para as linhas de água em situações que o justificassem mas há cerca de dois anos que tal está proibido.
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