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Góticos de Santarém e metálicos de Torres Novas tentam vingar na música

Góticos de Santarém e metálicos de Torres Novas tentam vingar na música

O MIRANTE aproveitou a realização do Festival Rock da Velha, que se realiza em Pernes, e foi conhecer dois grupos de música onde alguns intérpretes seguem um estilo de vida gótico.

Edição de 18.11.2015 | Cultura e Lazer
Santarém é conhecida como a capital do gótico, devido aos vários monumentos com pormenores desse estilo arquitectónico. Desde Março que não há só monumentos góticos em Santarém mas também um banda, de nome Etérea, que se assume como gótica dentro e fora da música. É composta por quatro elementos: Filipa Oliveira, de 23 anos (voz e pandeireta); Carina Oliveira, 32 anos (voz); Manuel Antunes, de 37 anos (teclas); e João Gameiro, de 21 anos (guitarra).Fora da música, todos se assumem como seguidores do gótico, um estilo de vida que se nota principalmente em Filipa e Carina, devido à forma de vestir ou até à maquilhagem. Vestem-se de preto, normalmente sem mais nenhuma cor. Carina explica que “simboliza o luto pela sociedade de porcaria que temos”. E acrescenta: “É um estilo de vida, é uma forma de sentir e viver as coisas. Nós conseguimos encontrar o belo naquilo que as pessoas acham feio. Para nós é uma virtude”.Apesar de usarem no vestuário acessórios como correntes e cintos metálicos, o grupo rejeita qualquer ligação entre o gótico e o sado-masoquismo depois de uma provocação do jornalista de O MIRANTE. “Não tem nada a ver”, diz Filipa, rejeitando também que estejam ligados ao satanismo: “Não há cá satanás. As pessoas confundem muito e é bom referir que nós não somos satânicos nem nada do género. Satânicos é outra coisa”.Filipa começou a ser gótica aos 15/16 anos. “Foi algo que me interessou e depois, não sei porquê, comecei a gostar da música relacionada com o estilo”, afirma, admitindo que de início foi um choque para a família. “Pintei o cabelo, fiz tatuagens mas eles acabaram por aceitar”. Carina, por sua vez, começou a professar o estilo gótico bem antes da adolescência: “Isto é algo que já nasce connosco. Fui ver o filme ‘A Família Adams’ com o meu pai, devia ter uns seis anos, e a partir daí fiquei vidrada. Eu com seis anos já tinha um vestido todo preto, já dizia à minha mãe que era aquilo que eu queria”, conta. Quanto a Manuel e João, identificam-se com o estilo mas são bem mais discretos na forma de vestir. “Rapazes góticos conheço muito poucos. É muito raro encontrar. Conheço é imensos rapazes metaleiros”, diz Filipa. Enquanto Manuel se dedica exclusivamente à música, os restantes elementos têm outras ocupações. Filipa trabalha numa loja, Carina numa padaria e João é estudante. Todos sonham com uma vida única e exclusivamente dedicada à música. Concerto foi em PernesO primeiro contacto com os Etérea foi em Setembro, na Fonte das Figueiras, em Santarém, um dos exemplares do estilo gótico da cidade. A entrevista perdeu-se num gravador avariado. Voltámos a encontrá-los em Pernes, no dia 7 de Novembro, para aquele que seria o primeiro concerto da banda, no festival Rock da Velha. Chegámos a Pernes alguns minutos antes da hora marcada. Não se via vivalma na vila. Ninguém diria que ali ia haver um festival de metal, a não ser junto ao local dos concertos. Pessoas de todas as idades, vestidas de preto e com t-shirts das mais variadas bandas, dividiam-se entre o interior e o exterior da Sociedade Recreativa Filarmónica Pernense - Música Velha. Lá dentro, os Etérea esperavam ansiosamente que chegasse mais gente. O concerto começou atrasado mas a banda lá subiu ao palco. João e Manuel com simples t-shirts pretas com o nome da banda e Filipa com um longo vestido bordeaux e um véu preto na cabeça. Começaram tímidos mas foram-se desinibindo ao longo das oito músicas que tocaram, algo visível particularmente na vocalista, que encheu o palco com a sua vivacidade e foi responsável pela cada vez maior interacção com o público ao longo do concerto. Na assistência, a dar força, estavam vários familiares, que eram os mais barulhentos. Não se cansaram de gritar, de bater palmas, de tirar fotografias. Afinal de contas não era um dia qualquer. O restante público não era muito, não se manifestava muito mas ouvia com atenção e volta e meia puxava do telemóvel para eternizar o momento. Muitos esperavam pelos sons mais pesados dos concertos seguintes.Banda de Torres Novas apadrinhou os EtéreaOs Etérea foram apadrinhados por bandas de metal mais conceituadas que também faziam parte do cartaz do festival, como os Switchtense, da Moita, e os Cruz de Ferro, de Torres Novas. O MIRANTE aproveitou também para falar com esta banda da região. Apesar de, durante o concerto ter pedido (em jeito de brincadeira) para chamarem o INEM devido ao álcool já ingerido, o vocalista da banda torrejana Ricardo Pombo aceitou falar com toda a simpatia, dizendo-se leitor do nosso jornal.A banda foi fundada em 2009. O projecto foi todo idealizado por Ricardo Pombo, que descreve a sua banda como sendo de “heavy-metal puro e duro”. São um grupo de quatro elementos (João Pereira - baixista, Rui Jorge - guitarrista e Bruno Guilherme - baterista) que se distinguem de todas as outras bandas por serem a única no país, dentro do estilo, a cantar em português. Têm como influência todo o heavy-metal feito até hoje, desde os anos 80.Em 2013, foram considerados a melhor banda nacional sem contrato pela revista Loud. Actualmente a banda já tem contrato com uma editora, a Ferro Records. Recentemente, a 19 e 20 de Outubro, tocaram em duas das mais importantes salas nacionais: o Paradise Garage, em Lisboa, e o Hard Club, no Porto. “Estivemos a abrir para os finlandeses Ensiferum, que é uma banda de topo a nível mundial, ou seja, estamos na primeira divisão em termos de agências e de salas e estamos muito contentes com isso”, diz Ricardo Pombo.Apesar de todo o sucesso, os elementos da banda têm as suas profissões: “Todos nós trabalhamos por conta de outrem. Não vivemos da música e nem queremos. A música para nós é um prazer. Assim temos o nosso emprego e depois fazemos aquilo que gostamos”. Os Cruz de Ferro estão actualmente a preparar a saída, a 19 de Dezembro, do primeiro álbum, que tem o nome “Morreremos de Pé”. Um desejo é voltarem a tocar em Torres Novas, algo que só fizeram uma vez, para verificarem se têm ou não o apoio da sua cidade.
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