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“Irrita-me em Alverca a falta de civismo e solidariedade das pessoas”

Soledade Martinho Costa nasceu em Lisboa mas vive em Alverca desde os dez anos e deixou-se seduzir pelos encantos da cidade ribatejana. Preocupa-a a falta de médicos e irrita-a a falta de civismo e solidariedade das pessoas. Não gosta da política vista por dentro e diz que os escritores não têm direito à reforma nem devem ter pressa em publicar.

Edição de 18.11.2015 | Cultura e Lazer
Alverca do Ribatejo é uma cidade onde ainda há pouco civismo e falta de solidariedade das pessoas e isso é irritante. O desabafo é de Soledade Martinho Costa, escritora com vasta obra publicada, natural de Lisboa mas que vive naquela cidade ribatejana desde os dez anos de idade. Soledade divide o seu tempo entre Alverca, Algarve e Beira Litoral e, apesar de gostar bastante da cidade não consegue entender a falta de civismo da população. “Há uma coisa que me irrita em Alverca do Ribatejo e não me irrita nem no Algarve nem na Beira Litoral: os «presentes» dos cãezinhos que os donos deixam nos passeios. Raras pessoas os apanham. A minha rua deve ser a mais procurada, devido às muitas laranjeiras de laranja amarga ali plantadas, há muito, ao longo do compridíssimo passeio”, nota a O MIRANTE. Além da gritante falta de médicos de família no centro de saúde da cidade, Soledade é uma mulher preocupada com a poluição e o “imenso trânsito” que invade a cidade.“Alverca era, na minha infância, uma pequena vila rural ribatejana, para mim cheia de encantos. Ainda hoje os tem, embora, uns quantos, já só façam parte das minhas recordações”, lamenta.Soledade tem mais de três dezenas de títulos publicados para a infância e chegou a ser colaboradora dos jornais Diário Popular, Diário de Lisboa, Expresso, Público, entre outros. Recebeu a medalha de valor cultural da Câmara de Vila Franca de Xira e o galardão da cidade de Alverca. Publica actualmente na Porto Editora. “Namorou a sério” o jornalismo mas abandonou-o para ter mais tempo para si. Uma mensagem de amor“Uma Estátua no meu coração” é um dos mais recentes livros da escritora, publicada pelas Edições Vela Branca, onde esta se mostra “inteira” dentro do livro. Diz a O MIRANTE que é, sobretudo, uma mensagem de amor dirigida aos filhos e aos netos, para que possam saber como existiu, como era e o que pensava enquanto pessoa. São sobretudo memórias e crónicas, misturadas com críticas e reflexões pessoais. Num dos capítulos fala de como, em 1979, foi mandatária concelhia de Maria de Lurdes Pintasilgo. Conta como apoiou a corrida de Mário Soares em 1986 e a de Zita Seabra à Câmara de Vila Franca de Xira em 1997. Assume que não gostou “da política vista por dentro”. “Hoje, acrescento: muito menos por fora, vista deste espaço a que se dá o nome de país. Ou seja, avaliada do lado de cá da política”, escreve. O livro foi escrito em três meses no Algarve. É uma autora que não sente a necessidade do isolamento para escrever. Outra novidade da autora é o trabalho “Vamos Adivinhar?”, publicado pela Porto Editora, um livro/jogo com 63 textos, repartidos por adivinhas entre profissões, animais e frutos, num livro pensado para estimular a criança na observação atenta e no pensamento lógico. Está indicado para crianças até aos 10 anos. “Já se leu menos, mas podia ler-se mais. Estranhamente, publica-se bastante. Há pequenas editoras, espalhadas um pouco por todo o lado. Qualquer pessoa pode publicar um livro. Enquanto isto, temos editoras importantes que foram à falência. Portugal nunca foi um país virado para a literatura, quer no que respeita ao apoio à edição e aos escritores, quer na divulgação das obras. Os adultos não têm o hábito de ir às bibliotecas”, lamenta.Diz que os escritores “estão proibidos de ter pressa” e que, por isso, ainda tem quatro livros para publicar, um de crónicas, dois de poemas e outro para crianças.

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