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No União Futebol Entroncamento o hóquei é que é o desporto rei

No União Futebol Entroncamento o hóquei é que é o desporto rei

Mora no Entroncamento um clube histórico com 86 anos de vida, que tem como modalidade principal o hóquei em patins, depois do futebol também o ter sido. O clube atravessa dificuldades financeiras mas não está em risco de acabar. E luta ainda por se tornar mais conhecido na cidade ferroviária.

Edição de 18.11.2015 | Desporto
O União Futebol Entroncamento é um clube histórico do distrito de Santarém. Nasceu a 31 de Dezembro de 1928 (tem 86 anos) e, numa primeira fase, dedicou-se ao futebol e chegou a ter algum destaque no desporto rei. O futebol acabou em 1952, já na altura devido aos custos elevados que o clube não conseguia suportar, mas, logo no ano seguinte, surgiu o hóquei em patins, que se implantou de tal maneira que se tornou na principal modalidade do clube. O que acontece ainda hoje. Além do futebol, o União chegou a ter basquetebol, andebol e ciclismo. Hoje, além do hóquei, o clube tem futsal, patinagem artística e full contact. Nas instalações do clube funcionam também aulas de zumba e de ginástica. Desde 2011 que o União tem como presidente Sérgio Pinto. Nesse ano, na tomada de posse, o dirigente disse querer dar uma nova vida à colectividade, algo que assume não ter conseguido. “Quando disse isso, nós tínhamos as expectativas criadas com base numa determinada conjuntura económica, em que o país estava mais ou menos a andar. Só que depois veio tudo por aí abaixo. E, depois, batemos a muitas portas e as portas não se abrem”.O principal problema do clube são as dificuldades financeiras. As receitas são poucas e as despesas muitas. “Muitas vezes andamos aqui a correr para conseguirmos arranjar dinheiro para tapar buracos. Andamos sempre com o credo na boca. A situação actual está um bocadinho atrapalhada mas não a ponto de entrarmos em insolvência. Vai-se gerindo o clube na base do dia-a-dia”, conta o presidente. Tal como qualquer outra associação, o clube recebe um subsídio por parte da câmara, mas não é suficiente. “É do conhecimento geral que o estado obrigou que as câmaras fossem cortando 5 por cento por ano nos subsídios. Portanto, todos os anos o subsídio é mais pequeno. Os custos aumentam e o subsídio baixa”. Para Sérgio Pinto, algo que prejudica o União é o facto de o clube ter instalações próprias, cuja manutenção custa muito dinheiro. O subsídio da câmara, quando chega, é aplicado no pagamento da água, luz e gás e o pouco que resta nas modalidades. “Nós praticamente recebemos o mesmo que outro clube que não tem instalações desportivas próprias, que usa as instalações da câmara. Não é justo”, diz o presidente. O União tem, neste momento, 897 sócios. Um número apreciável, mas muitos não pagam as quotas, nem participam na vida do clube. “Gostávamos que eles vivessem mais o clube. Normalmente, aqueles que o fazem são os que acompanham os filhos nas modalidades. Deviam participar mais, mesmo a nível das assembleias. As pessoas que estão presentes são praticamente sempre as mesmas. Dos 897, se todos tivessem as quotas em dia, isso então era uma maravilha”, afirma Fernando Vaz, vice-presidente. A relação do clube com a cidade também é de alguma frieza. Fernando Vaz diz que o União “sempre foi o parente pobre do Entroncamento”, enquanto Sérgio Pinto dá conta de uma realidade alarmante para um clube com 86 anos de vida e muita história: “Há pessoas do Entroncamento que nem sabem que o União existe. Há muita gente que se levanta às 6h00, vai-se embora para Lisboa e volta às 20h00. Aos fins-de-semana, como a maior parte é do Alentejo ou da Beira Baixa, vão-se embora para lá. É muito normal, especialmente na zona norte, haver pessoas que nem sabem que existe aqui o pavilhão”.Desportivamente, O MIRANTE quis saber se existe alguma hipótese, ainda que remota, do futebol voltar ao clube. “Não, isso é impossível. Isso só se nos saísse o Euromilhões. O futebol agora, tal como está, não compensa. Os Ferroviários acabaram e já tentaram duas ou três vezes pôr aquilo a andar outra vez e não dá”, refere Sérgio Pinto, com Fernando Vaz a lembrar que os custos do futebol são elevados. Além disso, as modalidades no Entroncamento estão divididas por clubes: “O CADE tem a formação toda do futebol, o União tem-se mantido aqui com o hóquei e a patinagem, o CLAC com a natação e o atletismo. As coisas estão mais ou menos divididas e não nos andamos aqui a meter nas modalidades uns dos outros para não andarmos a roubar atletas uns aos outros”, revela o vice-presidente. Se o regresso do futebol não faz parte dos planos do União Futebol Entroncamento, ficam as recordações: “Uma das primeiras vitórias de uma equipa portuguesa no estrangeiro foi uma nossa em Espanha. Era uma coisa que na altura não era assim muito normal”, recorda o presidente.O director que é jogador e a treinadora de futsalO hóquei em patins é a modalidade rainha do União Futebol Entroncamento. Tem como director Mário Serra, que foi jogador entre os 6 e os 27 anos. Esteve nove anos parado mas esta época voltou a calçar os patins para ajudar a equipa num momento de lesões. O clube tem uma escola de patinagem para os mais novos que, quando estão prontos, são integrados no escalão de benjamins. Estão ainda em actividade os escalões de infantis, juvenis, juniores e seniores. A equipa sénior desceu, no final da última época, da 2ª para a 3ª divisão nacional. Aquilo que foi mau em termos desportivos acabou por ser um alívio em termos financeiros. “Cada jogo da 2ª divisão que fazíamos em casa eram 500 euros para pagar: 100 para a polícia e 400 para a federação. Na 3ª, cada jogo são 70 euros. Mas se me perguntar qual é o lugar do União eu digo claramente que é na 2ª divisão”, afirma Mário Serra.Decorridas oito jornadas, a equipa sénior está a meio da tabela na 3ª divisão. O objectivo não passa pela subida. “Não estamos focados nisso. Queremos estabilizar, dar alguma consistência financeira ao clube para que depois, daqui a dois ou três anos, possamos pensar na subida”. O objectivo passa sim por, a médio prazo, ter a equipa totalmente constituída por jogadores da formação.Outra modalidade do clube é o futsal. Funcionam os escalões de traquinas, benjamins e infantis. A treinadora destes dois últimos é Patrícia Navalho, de 34 anos, que já vai na segunda experiência no União, depois de uma época nas seniores femininas do Fátima. “Voltei porque a formação é realmente aquilo que eu gosto de fazer. O que me faz feliz é trabalhar com miúdos, é vê-los crescer, é ajudá-los a serem melhores pessoas. Espero que eles se lembrem de mim porque fiz a diferença numa determinada altura”.Se há coisa que, como treinadora de crianças, Patrícia não dá importância é aos resultados. “É importante passar-se a ideia que somos mais que o resultado de um jogo. A mim uma derrota não me tira do sério. É claro que fico chateada, dá-me azia, mas eu prefiro ter miúdos que perdem um jogo mas que respeitam o adversário, respeitam o árbitro e que mesmo a perder estão ali a divertir-se e a desfrutar do jogo”.Patrícia é da opinião que, dos infantis para baixo, a competição é “totalmente descabida” e apresenta a proposta de não haver campeonato, nomeadamente no escalão de benjamins, mas sim encontros. “Junta-se duas ou três equipas numa tarde, fazem-se dois, três jogos e durante algumas semanas não há mais encontros para se poder trabalhar. A partir dos iniciados a competição já faz todo o sentido porque são miúdos que praticam futsal porque querem. Estes miúdos (os mais novos) a maioria estão cá porque os pais querem. Se não forem os pais eles não vêm”.
No União Futebol Entroncamento o hóquei é que é o desporto rei

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