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Acidentes com tractores mataram 11 pessoas na região em ano e meio

Acidentes com tractores mataram 11 pessoas na região em ano e meio

Falta de sistemas de protecção por omissão da legislação ou negligência é factor de perigo

A Autoridade para as Condições do Trabalho considera que se está perante uma situação gravíssima e que urge melhorar a legislação. GNR está a fazer acções de sensibilização junto dos agricultores para combater o flagelo dos acidentes com máquinas agrícolas.

Edição de 18.11.2015 | Sociedade
A elevada idade de muitos tractores agrícolas, a negligência dos operadores e a falta de formação dos operadores são dos principais factores que levam a acidentes graves com essas máquinas. A situação assume contornos preocupantes para as autoridades e só no primeiro semestre deste ano já morreram três pessoas em seis acidentes com tractores no distrito de Santarém. E no dia 8 de Outubro houve mais uma morte, em Alcanede (Santarém). No ano passado houve 19 acidentes, com sete mortos e cinco feridos graves. Para tentar inverter estes números a GNR está a fazer, até 29 de Novembro, uma campanha junto dos agricultores. O inspector-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) considera que os acidentes com tractores são “um problema gravíssimo”. Pedro Pimenta Braz, em declarações a O MIRANTE, defende um aperfeiçoamento da legislação, a começar pelas necessidades de obrigar a normas de segurança e a formação específica de condução. Há muitos tractores a circularem sem dispositivos de protecção, sobretudo o arco de “Santo António”, uma armação metálica que evita que o operador fique esmagado em caso de capotamento. Pedro Pimenta Braz explica que há duas décadas a União Europeia produziu legislação para obrigar os fabricantes a aplicarem dispositivos de protecção nas máquinas. Mas na altura da transposição das normas legais para a legislação portuguesa, não obrigaram quem tinha comprado tractores anteriormente a pelo menos colocarem o arco de “Santo António”. Hoje, diz, há milhares de tractores ainda a circularem sem as condições exigidas, porque apesar de terem muitos anos têm ainda poucas horas de trabalho, pois, na generalidade, são usados por pequenos agricultores que lhes dão uma utilização reduzida e apenas em determinadas épocas do ano.O facto de um comprador de um tractor não ser obrigado a apresentar o certificado de curso de operadores de máquinas agrícolas também é outra pecha. Esse documento só é exigido a quem opera com tractores por conta de outrem. Pedro Pimenta Braz realça a importância de se exigir formação a todos, atendendo a que os tractores circulam na via pública. As situações de negligência são outra preocupação para as autoridades. O major Pedro Reis, oficial de relações públicas do comando de Santarém da GNR, refere que há casos em que são os próprios donos ou operadores dos tractores que retiram os dispositivos de segurança instalados de fábrica, na perspectiva de facilitar as manobras nos trabalhos. A retirada do arco de protecção constitui um elevado perigo, porque o capotamento é a principal causa de morte. Na campanha de sensibilização, com acções de sala e no terreno, a GNR está a aconselhar os agricultores a não alterarem as protecções e a fazerem a manutenção do veículo, porque o mau funcionamento e a falta de limpeza podem contribuir para a ocorrência de acidentes. A GNR diz que devem utilizar-se os acessórios de iluminação e incentiva os condutores a frequentarem acções de formação. Factores fundamentais para a segurança são também não operar as máquinas sob o efeito do álcool, com fadiga ou em excesso de velocidade e respeitar os limites dos tractores, não os sobrecarregando nem transportando passageiros “à pendura”, o que é proibido.
Acidentes com tractores mataram 11 pessoas na região em ano e meio

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