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Família do homem violentamente agredido em Alpiarça passa por dificuldades

Família do homem violentamente agredido em Alpiarça passa por dificuldades

GNR abriu um inquérito à actuação do posto e ao fim de mais de três meses ainda ninguém foi detido
Edição de 18.11.2015 | Sociedade
A família da vítima de agressões violentas na cabeça à porta da sede da Sociedade Filarmónica de Alpiarça, há quase quatro meses, está a passar por grandes dificuldades. José Manuel Dias, 46 anos, não tem condições para trabalhar e precisa da ajuda da esposa, Selma Almeida, que se encontra desempregada sem receber subsídio. José, que trabalhava na fábrica Monliz, na zona industrial da vila, está a receber cerca de 430 euros de baixa médica e esse é o único rendimento que entra em casa. A Polícia Judiciária continua a investigar o caso, com contornos misteriosos, e ainda não foi detido qualquer suspeito. O comando de Santarém da GNR abriu um processo de averiguações à actuação do posto de Alpiarça, que não foi alertado pelos bombeiros que socorreram o ferido grave. O posto da Guarda só começou a fazer diligências quando teve conhecimento do caso, uma semana após as agressões, que ocorreram na noite de 1 de Agosto. O início da investigação da GNR, antes de passar para a Polícia Judiciária, permitiu identificar um suspeito na casa dos 20 anos, residente na vila e com ligações familiares a dois elementos dos Bombeiros Municipais de Alpiarça. No estado em que José Manuel Dias ficou, dificilmente vai conseguir voltar a trabalhar. Com sequelas graves, não pode ficar muito tempo sozinho, porque tem dificuldades de raciocínio. Num relatório do Hospital de Santarém, datado de Setembro, refere-se que o doente actualmente deambula com supervisão e dependência parcial na higiene, apresentando um elevado risco de queda. Vai começar a fazer fisioterapia e não está com capacidades para fazer as deslocações sozinho. Tem tido necessidade de assistência no hospital quando o seu estado mental piora.“Estamos a viver na miséria”, desabafa Selma Almeida, acrescentando que no mês passado não tinha gás para os banhos e que muitas vezes são os vizinhos que dão comer para a família. O filho do casal, de sete anos, tem diabetes, doença diagnosticada recentemente, e a mãe não tem conseguido pagar as refeições na escola. Selma está a tentar obter ajuda dos serviços sociais da Câmara de Alpiarça, tendo também já metido um requerimento na Segurança Social para atestar o estado de carência da família, que se alterou em relação aos rendimentos do ano passado. O presidente da Câmara de Alpiarça, Mário Pereira, em declarações a O MIRANTE, garante que a autarquia “vai ver o que pode fazer, como faz a qualquer outro munícipe que se encontre em dificuldades”. O autarca acrescenta que o município “está disponível para apoiar no que puder, consoante as condições da família, das disponibilidades da câmara e das regras de apoio social”. Sobre a falta de pagamento das refeições na escola (o aluno já usufruía do escalão B por a família ter baixos rendimentos), que são fornecidas pelo município, o presidente refere que não vão retirar as refeições ao menor.José Manuel Dias, que esteve no bar da sociedade filarmónica a assistir a um jogo de futebol e foi encontrado inanimado cerca das 22h30, enquanto decorria uma festa de karaoke no estabelecimento, sofreu lesões cranianas graves. Esteve 22 dias em coma e apenas reage a alguns estímulos. Recorde-se que os bombeiros que o socorreram não alertaram a GNR para a situação, como é prática. Inicialmente os bombeiros falavam em queda e justificavam esses indícios para não terem comunicado a situação à autoridade. O comando dos bombeiros chegou a abrir um inquérito interno, que concluiu não ter havido falhas relativamente aos procedimentos de socorro.
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