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Dezasseis horas por dia a fazer o que gosta

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César Costa, 39 anos, é o gerente do Restaurante Chico do Porto, no Porto Alto

Empresário faz do Chico do Porto praticamente a sua casa, tal é a dedicação que tem ao trabalho. Entre as compras e a gestão burocrática que faz do seu restaurante, o que mais lhe agrada é ser o relações públicas que pode dar a cara pela qualidade que os clientes de há anos lhe reconhecem.

Edição de 25.11.2015 | Identidade Profissional
Quem quer ver César Costa contente é ouvir de um cliente, no final de uma refeição no seu restaurante que nas paredes do estabelecimento deveria figurar uma estrela Michelin, distinção atribuída aos restaurantes que se distinguem pelo mundo fora. E é uma referência que acontece muitas vezes garante o proprietário do Chico do Porto, no Porto Alto, Benavente.César está há 14 anos no restaurante para onde foi trabalhar novo e acabou, por vontade do ex-patrão, por tomar conta do negócio. “Em determinado momento ele achou por bem que eu ficasse a tomar conta desta casa e com o apoio dele foi o que fiz. Foi com ele que aprendi o que sei”, salienta.Neste momento, César faz de tudo no restaurante, desde ir às compras até estar nas mesas e no balcão. “Gosto do que faço. É uma área que exige muito de nós e é preciso gostar disto para abraçar um projecto destes. Não conseguimos estar 16 horas consecutivas todos os dias da semana sem se gostar. É impensável ser de outra forma se se quer ter qualidade no serviço”, salienta.Aliás, a qualidade é sempre a aposta forte, porque é assim que o empresário encara a profissão. E não descura nenhum pormenor. “Começamos pela cozinha de qualidade e depois há toda uma conjuntura, que é feita de clientes que já vêm aqui há muitos anos e que, se calhar, nunca olharam para a ementa, porque demonstram confiança. É um prazer quando vão directamente à cozinha, porque está exposta para toda a gente ver. Os clientes sentem que entram aqui como se estivessem a entrar numa casa. É um ponto de honra ter tudo à vista”, frisa. Aliás, a qualidade preocupa-o de tal forma que não se atreve a cozinhar. “Não tenho grande jeito”, confessa.É com estes ingredientes que César conquista os clientes e consegue retirar satisfação do trabalho. “Receber a satisfação dos clientes com quem falamos, porque essa área das relações públicas é algo de que gosto bastante, é o melhor. É uma parte muito importante”, explica.O empresário diz mesmo que no panorama da restauração falta, por vezes, melhor qualidade no atendimento, sendo essa a característica que mais compara quando inverte os papéis e se torna cliente. “Não gosto do atendimento em que me enfiam a ementa à frente, perguntam o que quero, despacham para a sobremesa e para o café. Acho inadmissível e cada vez acontece mais na restauração, por falta de profissionalismo e desleixo dos responsáveis pela casa. Optei por dar pequenas formações aos funcionários, para se adaptarem à nossa forma de trabalhar, à nossa política da casa”, salienta.Dos oito funcionários que o Chico do Porto tem, para uma média de 150 refeições diárias, não há um que não conheça a forma de trabalhar da casa e que não conheça a maioria dos clientes, também eles familiarizados com os cerca de 40 pratos da ementa. “Queremos agradar a todos”, justifica César. Também por isso, até nas pequenas obras que vai fazendo a opinião dos clientes foi tida em conta. “A casa tem muitos pontos de referência para as pessoas ao longo dos anos. Temos alguns clientes que já são de 3ª geração”.Apesar do entusiasmo, César admite que não investiria no negócio se fosse hoje, sobretudo por causa da conjuntura económica e, por isso, defende que a descida do IVA seria ouro sobre azul para o sector. “Com a conjuntura actual, são de louvar as pessoas que fazem investimentos elevados. Não sei se valerá a pena”, explica.Apesar do prazer, o empresário reconhece que o negócio o absorve em demasia. “Fechamos só ao domingo à noite. O que faço é aproveitar para descansar um pouco. Acabo por não ter espaço para mim e dou pouca assistência à família, o que é uma pena tendo dois filhos que precisam de mim e não estou presente. O futuro dirá se vale a pena. Ainda por cima porque a minha mulher trabalha aqui, somos os dois pilares da casa. Mas para lhes darmos um nível de vida melhor temos de nos sacrificar um pouco. Nem sei o que gostava de fazer com o tempo livre”, desabafa.
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