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Câmara de Abrantes acusada de mediar aluguer de hotel a grupo a quem vendeu terreno

Câmara de Abrantes acusada de mediar aluguer de hotel a grupo a quem vendeu terreno

Presidente da autarquia diz que se envolveu no negócio entre o Turismo Fundos e o Luna Hotels, mas recusa relação com o projecto turístico falhado do grupo previsto para o campo do Barro Vermelho.

Edição de 25.11.2015 | Sociedade
Um empresário de Abrantes interessado na compra do Hotel Turismo, na cidade, acusa a presidente da câmara de ter feito pressão para que o imóvel fosse alugado ao grupo Luna Hotels. Joaquim Ribeiro, que concorreu a um concurso que foi entretanto cancelado pela Turismo Fundos, proprietária do hotel, refere a O MIRANTE que Maria do Céu Albuquerque (PS) pretendeu desta forma conseguir para o município resolver o problema do projecto de uma nova unidade hoteleira no Campo do Barro Vermelho, que tinha sido vendido ao Luna Hotels em 2007 e que nunca a construiu. O terreno para a nova unidade hoteleira estava avaliado em cerca de 700 mil euros, tendo a autarquia, na altura em que era presidente Nelson Carvalho, vendido o espaço por apenas 16 mil euros. A presidente do município disse na última assembleia municipal que o processo de reversão do terreno para o novo hotel só poderia avançar se após o licenciamento a obra não fosse construída no prazo de dois anos. Como não foi estabelecido um prazo para o promotor pedir o licenciamento, este não está obrigado a devolver o terreno. Mas a autarca garante que o lote vai voltar para a posse do município, sem encargos, embora não explique como. Joaquim Ribeiro diz que foi o próprio Turismo Fundos que o informou que “houve pressões da câmara” no negócio agora feito. Maria do Céu Albuquerque já tinha dito a O MIRANTE que se envolveu para que fosse encontrada uma solução para o Hotel Turismo de Abrantes, que está fechado há mais de ano e meio. Mas recusa a ideia que tenha feito pressão com o objectivo de resolver o problema do campo do Barro Vermelho, em que a câmara só pode reaver o espaço com a boa vontade do grupo Luna Hotels. A autarca refere que, desde que tomou posse, o investidor lhe foi dizendo que não tinha condições para avançar com o novo hotel por razões financeiras. Outra razão apontada é a de que algumas empresas que faziam parte do consórcio, liderado pelo grupo Luna Hotels, abandonaram o projecto.Empresário com uma semana para retirar o recheioMaria do Céu Albuquerque garante também que o grupo Luna Hotels vai avançar em breve com as obras de remodelação do Hotel Turismo e que só ainda não o tinha feito porque era necessário retirar o mobiliário. O recheio foi comprado, em leilão, após a falência do anterior concessionário, por Joaquim Ribeiro, o empresário que contesta o negócio. O Turismo Fundos, que não deu grandes explicações sobre o cancelamento do concurso de venda ou aluguer do hotel, ao qual concorreram sete interessados, obrigou Joaquim Ribeiro a retirar os equipamentos no prazo de 8 dias. Nem o grupo Luna Hotels nem o Turismo Fundos revelaram valores do aluguer por quinze anos. No exercício de 2014 do Relatório de Gestão do Turismo Fundos refere que o imóvel tem o valor de 1.474.500 euros. O Turismo Fundos, organismo público-privado, é detido em 53% pelo Turismo de Portugal, em 34% pela Caixa Geral de Depósitos e em 13% pelo Novo Banco. O MIRANTE contactou por diversas vezes o Turismo Fundos, telefonicamente e por e-mail, mas até ao fecho desta edição não foi remetida qualquer explicação. Notícia de O MIRANTE provoca discussão na assembleia municipalO assunto foi discutido na última assembleia municipal, na sequência da notícia de O MIRANTE Diário Online a dar conta do descontentamento do empresário Joaquim Ribeiro. A eleita pelo PSD, Margarida Togtema, referiu na sessão que depois de serem “confrontados com notícias sobre o processo do Hotel de Turismo de Abrantes, muitas são as dúvidas que se levantam”. A eleita, baseando-se na notícia do Diário Online, em que a presidente da autarquia diz não ter razões para duvidar do Grupo Luna Hotels, perguntou à presidente porque não se tinha ainda iniciado o processo de reversão dos terrenos do Barro Vermelho. A presidente reafirmou a confiança no grupo hoteleiro e explicou que a câmara não pode pedir a reversão mas que vai ficar com o terreno.
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