uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Prédio em Alhandra é um antro de insalubridade e actividades ilícitas

Prédio em Alhandra é um antro de insalubridade e actividades ilícitas

Edifício está por concluir há mais de uma década e os moradores da vizinhança estão revoltados com o cenário. Câmara de Vila Franca de Xira pede desculpa e promete soluções.

Edição de 25.11.2015 | Sociedade
O esqueleto e estaleiro de obras de um prédio inacabado no centro de Alhandra está a propiciar o consumo de droga no local, excesso de ratazanas e cobras e um ambiente insalubre que está a revoltar os moradores da vizinhança.Os residentes da zona não se conformam com o estado de abandono, já que a construção parou há quase uma década e em todo este tempo pouco ou nada foi feito para para resolver a situação. As queixas para a câmara e para a junta sucedem-se. Quando Mário Cantiga tomou posse como presidente da junta, um grupo de moradores exigiu-lhe que resolvesse o problema. Mas o autarca está limitado pela lei e não pode actuar. Minimiza como pode e já encaminhou várias vezes o assunto para a câmara mas nada se resolve. Mário Carvalho, morador da zona, abre a porta de uma das varandas do prédio onde mora a O MIRANTE e o cenário é revelador. Tem um estaleiro de obras mesmo em frente e já teve de comprar um gradeamento para evitar que lhe entrem em casa. Mesmo assim vive com medo. “Já reclamo desta situação desde o tempo da Maria da Luz Rosinha e nada tem sido feito. Alhandra morreu, ninguém quer saber de nós”, lamenta. Mário já perdeu a conta às queixas que fez sobre o assunto. O vizinho, João Cardoso, não hesita em classificar o “mamarracho” como um perigo para a saúde pública e admite recorrer ao Provedor de Justiça. “Anda toda a gente no jogo do empurra. Vi este prédio começar a ser construído, depois foi embargado por não ter as medidas correctas. Foi vendido umas três vezes e acabou nisto”, lamenta. Mesmo em frente ao esqueleto de cimento há uma pequena casa, o nº16, que está abandonada e que tem servido de urinol público. “Esta zona é uma desgraça”, acusa.Paula Capela tem uma loja de material eléctrico e duas garagens que não pode usar, porque estão bloqueadas pelo estaleiro. “Fazem-nos muita falta, vamos usando a porta da frente para carregar material porque aquilo nas traseiras é uma desgraça. Deviam fazer alguma coisa mas a esperança é pouca porque ninguém nos liga”, lamenta. Há, ao todo, quatro garagens que não podem ser usadas por causa do estaleiro. A maioria dos moradores tem ratoeiras nas varandas para impedir as ratazanas que vêm das obras de entrar em casa.A polícia já encontrou no edifício abandonado vários materiais roubados, que os meliantes furtavam e escondiam na cave que não é usada. Pelo menos uma mota e uma máquina de tabaco já lá foram descobertas. Toxicodependentes são frequentadores habituais do espaço.As explicações dos proprietáriosO edifício por acabar pertence à cooperativa de habitação Promocasa, sediada em Alverca do Ribatejo. O presidente da cooperativa, António Pereira, explica a O MIRANTE que o projecto “não está abandonado” e que a intenção é vir a concluir a obra logo que a banca tenha capacidade de dar financiamento ao projecto. “Neste momento falta construir oito fogos e são precisos 400 mil euros, esperamos que com a chegada deste novo Governo os bancos possam começar a financiar de novo”, explica. O responsável admite ter conhecimento das queixas dos moradores e da câmara e garante que a Promocasa tem actuado no sentido de manter o espaço limpo e asseado. “Não está abandonado, a câmara tem-nos pressionado para mantermos o espaço limpo e isso está a ser feito”, assegura.O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita (PS), limita-se a pedir desculpa pela situação. “Só tenho de pedir desculpa, se bem que isso não deve servir de grande coisa”, lamenta o autarca. Mesquita diz estar empenhado em resolver a situação “o mais rapidamente possível”. No início deste ano chegou a ponderar tomar posse administrativa do espaço e, quiçá, transformá-lo em parque de estacionamento público. Mas ficou tudo em águas de bacalhau. “Vamos ter de actuar ali e limpar, fazer alguma coisa, mesmo que depois dificilmente sejamos ressarcidos. Vamos tentar resolver”, prometeu.
Prédio em Alhandra é um antro de insalubridade e actividades ilícitas

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...