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SEF atento ao interesse de jovens asiáticos pelo Politécnico de Santarém

O súbito interesse de dezenas de alunos nepaleses por cursos da Escola de Gestão de Santarém despertou suspeitas, até porque só três dos 71 alunos admitidos efectivamente se matricularam. Os estabelecimentos de ensino superior podem estar a funcionar como porta de entrada de estrangeiros no espaço nacional e europeu.

Edição de 25.11.2015 | Sociedade
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) diz que está atento e a acompanhar a situação que pode envolver um eventual esquema de entrada em Portugal de cidadãos asiáticos utilizando as instituições de ensino superior, nomeadamente o Instituto Politécnico de Santarém. “Trata-se de uma situação a que este Serviço está atento e a acompanhar, desenvolvendo todas as diligências consideradas necessárias”, disse o Núcleo de Imprensa do SEF após ter sido contactado por O MIRANTE.Tal como já noticiámos, 41 alunos do Nepal foram admitidos na licenciatura em Negócios Internacionais da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém (ESGTS) destinada a alunos internacionais, mas apenas três fizeram a matrícula e estão efectivamente a ter aulas. Essa situação gerou estranheza, acrescida pelo facto de outros 30 nepaleses terem mostrado intenção de frequentar um mestrado para alunos internacionais na ESGTS, em Gestão das Organizações de Economia Social, que entretanto foi cancelado.Este súbito interesse de alunos do Nepal pela Escola de Gestão de Santarém torna-se ainda mais estranha tendo em conta que o Instituto Politécnico de Santarém (IPS) não tem parcerias com qualquer instituição de ensino desse país, conforme já tinha informado o presidente do IPS Jorge Justino. O assunto foi também abordado há algum tempo numa reunião do Conselho Técnico-Científico do IPS, realizada em Setembro. Na altura, um professor da Escola de Gestão, António Caldeira, já aconselhava prudência em relação à turma internacional, advertindo que mesmo que os candidatos obtivessem o visto de entrada em Portugal podia dar-se o caso de poucos ou nenhuns se matricularem, tal como tem acontecido noutras instituições de ensino do país.Já o director da Escola de Gestão, Vítor Costa, assume que os resultados da captação de alunos estrangeiros pelo IPS ficaram “aquém das expectativas” e que a estratégia deve ser repensada. “Cerca de quatro dezenas de estudantes do Nepal apresentaram a sua candidatura à Licenciatura em Negócios Internacionais (e pagaram a respectiva taxa de candidatura); contudo, e devido a um conjunto de factores, nomeadamente a dificuldade na obtenção de visto já que têm de se deslocar à Índia, somente três alunos conseguiram efectivar a sua matricula neste ano lectivo”.Vítor Costa acrescenta que “a internacionalização do Instituto é um objectivo estratégico, mas é também uma actividade complexa, pelo que não será de admirar que no primeiro ano de actividade da IPSantarem-International School os resultados tenham ficado aquém das expectativas”. E considera que, “para o próximo ano lectivo, será necessário repensar o mercado-alvo, assim como a estratégia de captação de estudantes internacionais”.Uma turma com três alunos e ensino em inglêsO funcionamento do curso de International Business com apenas três alunos e ministrado em língua inglesa é uma novidade na Escola de Gestão que está a ser vista com alguma curiosidade crítica por membros da comunidade académica, até porque o presidente do IPS emitiu um despacho antes do início do actual ano lectivo onde determinava que os cursos de licenciatura só podiam abrir com um mínimo de 15 alunos inscritos no primeiro ano (embora estejam previstas excepções). Jorge Justino justifica essa aparente incongruência dizendo que a nova licenciatura em Negócios Internacionais destina-se aos alunos portugueses e aos alunos internacionais. “Esta licenciatura tem 25 alunos matriculados, o qual é um número suficiente para o funcionamento de qualquer curso. Estes alunos estão divididos em duas turmas, uma para alunos de língua portuguesa e outra para alunos de língua inglesa”. Mas desde a carga horária, à língua e às disciplinas, tudo é diferente entre elas.Aliás, é para unificar essas duas turmas que os três alunos nepaleses estão já a frequentar também um curso de aprendizagem da língua portuguesa, de modo a que, no próximo ano lectivo, possam integrar o curso de Negócios Internacionais em língua portuguesa. “Aliás, esses alunos já começam a dominar o português e já estabeleceram laços sociais e de convívio extra-escolar com os alunos nacionais”, diz Vítor Costa.Tanto o director da ESGTS, Vítor Costa, como o presidente do Politécnico de Santarém garantem também que não há custos acrescidos pelo funcionamento dessa turma com apenas três alunos. Contas feitas por quem está a par do processo revelam que as 19 horas semanais de aulas estão distribuídas por cinco professores adjuntos da ESGTS com dedicação exclusiva, que ganham 3.200 euros mensais. O funcionamento desse curso, no que toca aos encargos com as horas de trabalho docente, ficará acima dos 70 mil euros por ano. Por seu lado, as propinas pagas por aluno internacional são de 2 mil euros anuais, ou seja, as receitas até à data são de apenas 6 mil euros.

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