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Bombardeiro Serafim das Neves

Edição de 24.02.2016 | E-mails do outro mundo
Acabei de ver no Canal Parlamento dois deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Santarém, cada um à sua maneira e com o seu próprio estilo, a defenderem, em pleno Plenário da Assembleia da República, a alheira de Mirandela. É um visionamento que te aconselho vivamente, mesmo no youtube, para não seres acusado, como eu tenho sido muitas vezes, embora injustamente, de perda de interesse pela política. Eu bem me defendo e barafusto dizendo que não há nada que me dê mais prazer e alegria do que ouvir políticos a discursar sobre assuntos verdadeiramente importantes e interessantes mas é o mesmo que falar para as paredes e é por isso que dou testemunho destes meus visionamentos.Hugo Costa, do PS, aquele rapaz de Tomar que foi da câmara lá da terra para o Parlamento de Lisboa e Carlos Matias, do BE, do Entroncamento que também foi da câmara para o mesmo sítio que o outro mas sem ter que abandonar a autarquia porque é da oposição e só lá vai de duas em duas semanas, proporcionaram-me excelentes momentos televisivos e contribuíram para reforçar o meu interesse pela política...e pela alheira, claro está!A alheira é por si um tema de grande relevância. Quantas vezes tenho ouvido, naqueles filmes portugueses do conceituado realizador Sá Leão, expressões como “Vê lá se queres levar com a alheira?” ou “Mas que grande alheira que tu tens!”. E quantas vezes oiço, em certos restaurantes ribatejanos, as empregadas de mesa gritarem para o cozinheiro. “Sai uma alheira para a mesa do canto”, por exemplo. Pois agora não foram actores nem empregadas de mesa a gritar pela alheira mas dois excelentes políticos da região. E que bem que eles estiveram. Que classe! Que convicção! Que estilo! Parecia mesmo que não podem passar sem uma boa alheira, de vez em quando.Não sei se nos famosos programas eleitorais dos candidatos do PS e do BE por Santarém estava inscrita a defesa da alheira de Mirandela mas isso também não interessa muito. O que eles fizeram só prova a sua enorme capacidade de trabalho, o seu ecletismo e a sua versatilidade. Hugo Costa e Carlos Matias mostraram que o facto de terem de defender o pampilho, a couve a soco, o torricado, a enguia frita e a sopa da pedra não os impede de darem um mãozinha à alheira, por exemplo, ou mesmo ao salpicão da beira baixa, se for preciso. A deputada socialista Idália Serrão abandonou o cargo de vereadora da oposição na Câmara de Santarém mas não foi para defender a alheira. Foi, segundo explicou, para defender os interesses do concelho e do PS. Eu não tenho nada contra. Afinal já há gente que chegue para a alheira e há outras coisas que merecem ser agarradas com unhas e dentes, como se costuma dizer. E ela já mostrou que sabe da poda, como se viu recentemente quando agarrou o pedido de reposição das subvenções vitalícias dos deputados.No teu último e-mail arrasas alguns políticos por serem demasiado sensíveis e não poderem ouvir uma crítica sem meterem logo em tribunal quem os critica. E referes o caso do vereador Rui Rei da Câmara de Vila Franca de Xira, conhecido por estar sempre a desancar no vereador Nuno Libório da CDU, mas que chamou logo a polícia quando um munícipe lhe fez o mesmo. Eu tenho uma outra visão desse assunto e percebo o recurso à queixinha. Primeiro porque a queixinha é uma coisa muito nossa e os políticos gostam de respeitar os usos e costumes do povo. Além disso o aumento da queixinha implica a contratação de mais pessoal para os tribunais e dá dinheiro a ganhar aos advogados, o que é bom para estimular a economia. Saudações alheireiras Manuel Serra d’Aire

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