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Doente de Fazendas de Almeirim processa Hospital de Santarém por ter ficado cego

Doente de Fazendas de Almeirim processa Hospital de Santarém por ter ficado cego

Foi operado em Lisboa para retirar pedaço metálico de uma vista que não foi detectado em Santarém
Edição de 03.03.2016 | Sociedade
Manuel João Rebelo, residente em Fazendas de Almeirim, acusa o Hospital Distrital de Santarém de falta de assistência, que levou a que ficasse cego de uma vista, por não haver médico oftalmologista quando recorreu às urgências. O queixoso já entregou os relatórios médicos a um advogado para avançar com um processo judicial contra a unidade hospitalar. O administrador do hospital, José Josué, reconhece que a especialidade não está presente nas urgências e que esta também não está disponível no hospital durante todo o dia nem ao fim-de-semana mas considera que o doente foi bem atendido e que na altura, perante as suas indicações, o caso não parecia grave. Na resposta a uma reclamação feita pelo doente, a administração do hospital refere que, após inquirição aos médicos, a vista direita de Manuel apresentava uma ligeira hemorragia do olho sem presença de qualquer corpo estranho. Mas a nota de alta do Hospital de S. José, em Lisboa, onde foi assistido posteriormente, refere que este apresentava um corpo estranho metálico e “catarata traumática”, pelo que o doente teve de ser submetido a uma cirurgia. A situação ocorreu no dia 29 de Dezembro de 2015 quando Manuel João Rebelo, 35 anos, tractorista de profissão, actualmente desempregado, estava a trabalhar na horta no terreno adjacente à sua casa. Diz, em declarações a O MIRANTE, que sentiu algo a bater na vista e que como estava com dores foi às urgências. Depois de observado, lavaram-lhe a vista e colocaram um penso, com a indicação de voltar no dia 4 de Janeiro para ser observado na oftalmologia. Cerca de 32 horas depois, Manuel sentia mais dores e começou a perder a visão, tendo voltado ao Hospital de Santarém, altura em que, por não haver médico especialista, foi enviado para S. José, em Lisboa. O administrador do Hospital de Santarém refere a O MIRANTE que “se da primeira vez o doente se tivesse queixado da mesma forma que fez na segunda vez que recorreu às urgências, que teria sido enviado para o hospital de referência em Lisboa”. José Josué acrescenta que na primeira vez, perante as queixas que o doente apresentava, a situação não parecia urgente. Apesar de reconhecer que à hora a que recorreu às urgências não havia oftalmologista de serviço, os doentes têm alternativa a 45 minutos de distância.José Josué admite que o número de especialistas em oftalmologia no hospital é insuficiente, o que faz com que não exista assistência nesta área após as horas normais de expediente nem ao fim-de-semana. O administrador explica ainda que a oftalmologia “não é por natureza uma especialidade presente nas urgências”, tendo em conta o reduzido número de casos urgentes nesta área. Manuel João Rebelo está a ser acompanhado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. Diz que continua sem ver do olho direito e que os médicos não lhe dão certezas de que venha a recuperar a visão. Uma situação que, refere, lhe traz complicações para conduzir e tem influência na sua profissão de tractorista. Manuel considera que o que lhe aconteceu está a complicar-lhe a vida com despesas para as consultas em Lisboa, para além das dores que diz ainda sentir.
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