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Ambiente

Os diferentes setores da atividade económica necessitam de um Ministério do Ambiente que comece por dar o exemplo, que regule com sabedoria e que se assuma como um parceiro na prossecução da competitividade ecoeficiente das empresas e, consequentemente, do desenvolvimento do país.

Edição de 16.03.2016 | Opinião
Recentemente escrevi que o ambiente, os temas do “meio ambiente”, andam estranhos em Portugal. Poucos terão dúvidas que o ambiente deve contribuir para o desenvolvimento económico e social do país, designadamente através de políticas mais sustentáveis e ecoeficientes, alcançando uma maior eficiência na utilização das matérias primas (recursos) e da energia.Como se sente, também nesta matéria do ambiente, Portugal tem que dar um passo em frente, vários passos. O ambiente constituiu, sem dúvida, para Portugal uma mais valia sem paralelo. O ambiente não pode ser visto como um mero meio castrador e proibitivo, mas antes como um fator de competitividade, assim os nossos governantes saibam entender esta oportunidade e os investidores aproveitá-la. Desenvolvimento e qualidade ambiental são, não só compatíveis, como necessários. Não é possível continuar a ignorar determinadas realidades e o país tem de assumir rapidamente posturas e compromissos ambientalmente mais ambiciosos e competitivos - o ambiente como fator de competitividade e não como limitador do desenvolvimento económico e social.Os diferentes setores da atividade económica necessitam de um Ministério do Ambiente que comece por dar o exemplo, que regule com sabedoria e que se assuma como um parceiro na prossecução da competitividade ecoeficiente das empresas e, consequentemente, do desenvolvimento do país. Curiosamente, o país não se pode queixar da competência e valia dos últimos ministros do Ambiente, temos tido excelentes ministros, os melhores. Mas será que os resultados são compatíveis?A verdadeira política de ambiente faz-se fora do ministério da tutela. Isto é, a agricultura, indústria, transportes, turismo, etc, constituem os setores económicos onde, para o bem e para o mal, tudo o que se passa tem verdadeiras e efetivas consequências ambientais. No Tejo isto é muito claro, quem tutela é o Ambiente mas quem atua são os regantes, a EDP, a indústria etc. As ações que, potencialmente, maiores consequências ambientais têm, passam-se, naturalmente, fora do ministério. Articular, como sabemos, em Portugal, é difícil. Juntar no mesmo ministério agricultura e ambiente, como se viu recentemente, também não deu grandes resultados. Enquanto isso, melhor Estado é o que as empresas e os cidadãos esperam. Só um tecido empresarial forte pode responder ao desígnio do ambiente como um fator nacional de competitividade.Fazer bem e de forma duradoura não custa mais e é o mínimo que o cidadão exige: a constituição de riqueza coletiva não pode ser à custa da hipoteca do futuro. Como na justiça, saúde ou educação, também no ambiente se pode fazer muito mais e melhor. O desafio é grande.Carlos Cupeto – Universidade Évora

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