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“A mentalidade da maioria das mulheres ainda as subalterniza”

“A mentalidade da maioria das mulheres ainda as subalterniza”

Colóquio no feminino para celebrar o Dia Internacional da Mulher em Santarém

Mulheres de várias gerações e áreas de actividade partilharam testemunhos e sublinharam que ainda há algum trabalho a fazer para mudar mentalidades e eliminar preconceitos enraizados na sociedade. Há até quem considere que tem havido um agravamento das desigualdades entre homens e mulheres nos últimos anos, embora reconheçam que a emancipação da mulher ganhou muito com a revolução de 25 de Abril de 1974.

Edição de 16.03.2016 | Sociedade
“As mulheres têm as mesmas capacidades que os homens e conseguimos chegar onde queremos. Actualmente temos os mesmos direitos, o problema é que a mentalidade da maioria das mulheres ainda as subalterniza e isso não pode acontecer. Assim como também não nos podemos vitimizar. Temos que saber que somos capazes, é tudo uma questão de querermos e de fazermos escolhas na nossa vida”. A opinião é de Graça Ferreira da Silva, médica cardiologista, uma das convidadas do colóquio organizado pelo Centro Cultural Regional de Santarém, para celebrar o Dia Internacional da Mulher, que decorreu na noite de terça-feira, 8 de Março, no Fórum Actor Mário Viegas, em Santarém.Também Ivanete Nayer, imigrante brasileira que reside em Santarém há vários anos, defendeu que as mulheres têm que se impor e realizar os seus sonhos. Antes de assentar arraiais em Portugal, Ivanete percorreu o mundo como dançarina de danças tradicionais do Brasil e confessa que sentiu preconceito em todos os países. “Em Portugal há sempre muito a ideia que a mulher brasileira, ainda por cima dançarina, vem para este país roubar o marido das outras. Tenho que conviver com o preconceito e mostrar, ao longo do tempo, que as suas ideias estão erradas”, afirma a presidente da Associação Internacional Luso Brasileira, que tem sede em Santarém.Ana Cristina Tomé, dirigente da União de Sindicatos de Santarém, explica que nos últimos anos tem havido um “agravamento” nas desigualdades entre homens e mulheres. Da sua experiência de sindicalista refere que as mulheres são cada vez mais vítimas da precariedade laboral. “Executando as mesmas tarefas que o homem, a mulher ganha menos que o homem. Estas situações estão a aumentar quando deviam diminuir”, explica. Acrescenta que as mulheres também são penalizadas pelo exercício do direito da maternidade e são as grandes vítimas de assédio moral e sexual.“O assédio moral é de uma violência atroz porque a vítima sofre em silêncio, é perseguida e humilhada. Quando conseguimos substituir o medo e a vergonha pela coragem começa a nascer em nós uma força tamanha que nos faz ir à luta e as mulheres acreditarem que vale a pena ser mulher e que vale a pena lutar”, afirmou a dirigente sindical. “Ainda existem muitas desigualdades”Ana Ferreira, professora do primeiro ciclo, recordou o papel da mulher antes do 25 de Abril de 1974, que passava sobretudo por educar os filhos e ser uma boa dona de casa. “A mulher estava numa posição subalterna em relação aos homens - pai, irmão, marido - e não tinha grande valorização. As mulheres aproveitaram o facto do Estado Novo querer combater o analfabetismo, que era imenso em Portugal, para estudar e ter outra ocupação que não fosse ser dona de casa. Esse foi o primeiro passo para a emancipação da mulher ao longo de décadas”, recordou a professora.Ana Martinho do Rosário, advogada, também recordou que as mulheres foram sempre consideradas, ao longo dos séculos, seres inferiores aos homens. A advogada lembra que a Revolução de Abril de 1974 foi um marco para todos os portugueses mas sobretudo para as mulheres cuja maioria só depois dessa data é que teve direito a votar. “Ainda existem muitas desigualdades, nomeadamente em relação à maternidade onde são prejudicadas pelo simples facto de decidirem ser mães. Espero que todos possamos contribuir para um mundo melhor”, sublinhou.Sofia Vieira, empresária, considera ser uma privilegiada porque, além de ter nascido depois de 1974, também trabalha naquilo que gosta e que sempre sonhou. “Sinto-me grata todos os dias por fazer aquilo de que gosto. Mas lutei para concretizar este sonho porque me ensinaram que devemos lutar por aquilo que nos faz feliz. Ninguém tem direito de dizer que não se pode fazer o que quer que seja. Podemos fazer tudo aquilo que queremos”, realçou. E terminou a sua intervenção a fazer aquilo que mais gosta, a ler uma história infantil para a plateia que encheu o auditório.
“A mentalidade da maioria das mulheres ainda as subalterniza”

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