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“As pessoas só se lembram dos seguros quando enfrentam uma calamidade”

“As pessoas só se lembram dos seguros quando enfrentam uma calamidade”

Henrique Marques da Silva, sócio da Conteconnosco, Póvoa de Santa Iria

Quando era criança queria ser jogador de futebol mas acabou por ser um homem dos sete ofícios que encontrou no ramo dos seguros a sua vocação. Diz que a crise ainda não passou e lamenta que por causa da subsidiodependência seja difícil recrutar quem queira e saiba trabalhar.

Edição de 23.03.2016 | Identidade Profissional
A crise na região e no país mantém-se porque se criou o hábito de pedir desconto para tudo e por isso as empresas vão sempre ter dificuldade em crescer. A opinião é de Henrique Marques da Silva, 68 anos, sócio da Conteconnosco da Póvoa de Santa Iria. Henrique é um mediador de seguros que se confessa viciado em trabalho e perfeccionista no que faz. “A crise ainda não passou mas mesmo assim vamos vendo na Póvoa os restaurantes mais caros sempre cheios. Vamos ver é se não caímos novamente na mesma tentação do crédito em que caímos antigamente. Porque do que vamos vendo as empresas de crédito fácil estão novamente na mó de cima”, refere.Para se ter sucesso no mundo dos negócios, diz o empresário, é preciso honestidade, saber dar a cara ao cliente e ter confiança. “Quando vendo um seguro a pessoa não o vê. Se tiver um problema e o problema não ficar bem resolvido então acha que fez uma má compra ou não foi bem aconselhado. Temos de ser sérios, verdadeiros, é isso que o cliente espera de nós. Muitas vezes não fazemos seguros porque aquilo que o cliente quer não é possível de ser feito. Já tivemos gente que só queria segurar o motor do carro, não o resto. Isso não é possível”, assegura. O profissional lamenta que actualmente os seguros ainda sejam vistos como algo acessório, em que só se pensa quando as coisas correm mal. “As pessoas só se lembram dos seguros quando enfrentam uma calamidade, como aconteceu em Albufeira com as inundações, em que a maioria das pessoas não tinha seguro”, lamenta.Henrique Marques da Silva confessa-se viciado em trabalho e faz longas jornadas durante a semana e às vezes ao fim-de-semana também. É natural de Lisboa mas está na Póvoa há vários anos. Chegou a ser atleta de competição, atletismo, vestindo as camisolas de Benfica e Sporting. Começou a trabalhar aos 10 anos nos Armazéns do Minho em Lisboa, e depois na camisaria Versalhes, na Avenida da Igreja, onde preparava os tecidos que depois davam origem às peças de roupa ou que eram vendidos às modistas e mulheres que os compravam ao metro.Ainda passou por um talho e uma papelaria até se estabelecer na parte de escritório da Electrificadora de Lisboa, antes de ir para a tropa, onde conseguiu escapar à guerra do Ultramar. Ainda esteve numa empresa de importação e exportação e depois entrou no ramo dos seguros na Ultramarina, considerada a escola dos seguros em Portugal. “Fiz muita coisa, que é algo que as pessoas hoje não fazem. É por isso que hoje quando pedimos alguém para trabalhar ninguém sabe fazer nada. É claro que o trabalho infantil era mau, mas a verdade é que se aprendia muito, crescia-se, lidava-se com muitas pessoas mais velhas”, recorda.Entre as memórias estão os tempos em que pagava 2 tostões numa tasca do Largo da Anunciada para que lhe aquecessem a comida que trazia na marmita. “Tudo era diferente naquele tempo”, recorda.Para Henrique Silva há “um problema grave” no país. “Enquanto formos subsídio-dependentes dificilmente teremos pessoas para trabalhar. Há muita burocracia. Queremos contratar e não conseguimos. As pessoas chegam aqui e a primeira coisa que perguntam é se trabalhamos ao sábado, a que horas saímos e quanto vão ganhar. Não querem responsabilidade, preferem só as tarefas mais leves”, critica.O seu sonho de infância era ter sido jogador de futebol, porque até tinha talento. Era extremo e chegou a subir de divisão no Mafra.
“As pessoas só se lembram dos seguros quando enfrentam uma calamidade”

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