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Ex-presidente de Azambuja desiste de reclamar vencimentos e critica sistema de justiça 

Edição de 30.03.2016 | O Mirante dos Leitores
Percebo perfeitamente o ponto de vista do ex-presidente de Azambuja, Joaquim Ramos, quando ele fala da “imperfeição” do sistema de justiça. Fala-se muito dos atrasos da justiça e da violação do segredo de justiça mas não se fala tanto do acesso à Justiça. A justiça é cara. Muito cara. E não falo só do que se gasta em tempo e despesas nos tribunais. Falo também no dinheiro necessário para contratar um advogado ou um bom advogado. Um advogado já é caro. Um bom advogado é caríssimo. E não vale a pena alegarem que um advogado é um advogado e qualquer advogado serve. Como em todas as profissões há advogados melhor preparados ou mais experientes que outros e esses fazem-se pagar bem, o que é justo. Claro que pessoas de baixos rendimentos podem ter apoio a nível judicial. Isso está na lei. Mas experimente um qualquer beneficiário do Rendimento Mínimo de Inserção pedir à Segurança Social um advogado e vai ver o tempo que isso demora. Há outras situações interessantes. A sensação que o cidadão tem é que o Ministério Público, quando recebe uma queixa, acaba quase sempre por deduzir acusação. Claro que antes de o caso ser enviado para julgamento o acusado pode contratar o tal advogado para o qual não tem dinheiro, para requerer a abertura de instrução. Mas para isso também tem que pagar o dinheiro que não tem. E se vier a ser julgado, ou a ver o assunto que colocou ser julgado, vai ter que arranjar dinheiro porque o caso pode arrastar-se com recursos, etc, etc...O ex-presidente da Azambuja esteve quatro meses doente e parte desse tempo em coma e não teve direito a receber nada. Está mal. Podia reclamar o pagamento mas mesmo que lhe viessem a dar razão gastava mais dinheiro do que aquele que iria receber. E do outro lado tinha a câmara com advogado ou advogados pagos pelo erário público. Desistiu e só quem não quiser ver é que não percebe porquê. A Justiça não é para todos. Este é só mais um exemplo.Rogério Lopes Ferrão

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