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Na antiga Czarina de Almeirim muitas funcionárias só paravam para casar ou ter os filhos

Na antiga Czarina de Almeirim muitas funcionárias só paravam para casar ou ter os filhos

Fábrica chegou a empregar três centenas de mulheres unidas numa grande família

Edição de 05.05.2016 | Sociedade

A antiga fábrica de confecções Czarina em Almeirim ainda está na memória de muitos e para recordar os velhos tempos 124 ex-trabalhadoras da empresa que laborava no centro da cidade juntaram-se num convívio. Muitas das antigas funcionárias casaram e tiveram filhos durante o tempo em que trabalharam na empresa que se situava em frente ao pavilhão municipal. A fábrica, que chegou a fazer calças de ganga para a marca Levi´s, teve alturas que tinha ao serviço cerca de três centenas de trabalhadoras. Na fábrica de confecções eram muito poucos os homens, que tinham funções de mecânicos ou motoristas.
Na fábrica que produziu camisas, blusões e calças para grandes marcas do mercado não havia só trabalhadoras de Almeirim. A Czarina também empregava mulheres de freguesias do concelho, como Raposa, ou de outros concelhos à volta como Santarém. Há duas décadas as mulheres pouco tempo tinham para o descanso porque era preciso garantir o cumprimento das encomendas. As funcionárias agarravam-se às máquinas de costura sem pensarem em férias, folgas, ou licenças de maternidade, por exemplo.
“Foi lá que me casei e tive filhos”, conta a O MIRANTE Amélia Capeto, hoje já reformada. Amélia lembra-se do nascimento do seu filho, trabalhou até aos nove meses de gravidez e passados dois dias foi logo trabalhar. “Naquele tempo não havia cá licenças de maternidade”. Quando se casou também não teve férias. “Casei ao domingo e na segunda-feira estava a trabalhar”, conta a sorrir.
Eugénia Sardinheiro recorda-se da amizade entre colegas e as brincadeiras durante a hora do lanche, em que contavam umas anedotas, “mas sempre com muita atenção ao chefe”. “Éramos muito unidas, havia amizade verdadeira, os tempos eram outros”, confessa. Lembra-se ainda que de vez em quando “tinha que partir uma agulha de propósito só para estar parada um bocadinho”. Guardam ainda hoje amizades daquela altura. Amélia e Eugénia são um bom exemplo disso porque foi na fábrica que se tornaram amigas.
Eugénia Sardinheiro, que foi funcionária da Czarina durante 20 anos, confessa que gostava de voltar a trabalhar na máquina de costura. Hoje trabalha numa lavandaria. A mulheres eram tantas que se geraram alguns negócios perto da fábrica. Zinda, ex-funcionária, montou um salão de cabeleireiro junto à antiga empresa e tinha bastante clientela. Quando a fábrica fechou também o salão mudou de local. Como forma de agradecimento, foi Zinda que ofereceu pagou seu bolso o espectáculo de fado realizado no convívio.

Na antiga Czarina de Almeirim muitas funcionárias só paravam para casar ou ter os filhos

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