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“Os melhores momentos são quando recebo os clientes”

“Os melhores momentos são quando recebo os clientes”

Luís Feliciano é empregado de balcão da Taberna do Quinzena em Santarém

Edição de 02.11.2016 | Identidade Profissional

Luís Feliciano nasceu em Perofilho mas reside em Santarém há vários anos. Como nunca levou “os estudos a peito”, os pais decidiram que o melhor era o rapaz ir trabalhar com 13 anos. Começou no ramo da hotelaria, teve uma breve passagem por uma fábrica em Santarém mas voltou às origens. Os melhores momentos da profissão, diz, são quando está a atender os seus clientes.

Luís Feliciano, 46 anos, nunca levou os estudos a peito. Começava muito bem o ano e até tinha boas notas no primeiro período mas até ao fim do ano lectivo era sempre a piorar. “Baldava-me, não ia às aulas e preferia andar a passear”, confessa. Estudou até ao actual 6º ano mas como andava só a passear os livros os seus pais decidiram que o melhor era ir trabalhar.
A sua infância foi feliz mas era considerado um “índio”. “Sempre que aparecia uma coisa partida na aldeia culpavam logo o filho da Estefânia”. O pai, como era padeiro, dormia sempre a sesta depois de almoço e a família toda era obrigada a dormir também. Começou a trabalhar com 13 anos de idade na pastelaria Abidis, passou pelo Café Central mas as coisas correram mal e despediu-se.
Foi então que surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a pastelaria Bijou. “No Central ganhava 45 contos e na Bijou ofereceram-me 75 contos, foi uma grande diferença”. Depois teve uma breve passagem de três meses pela fábrica da Rical em Santarém, mas quando quiseram renovar contrato com Luís, este disse-lhes que aquele emprego não era para ele. “Sentia falta da hotelaria e dos clientes”, conta.
Já trabalha na “catedral de Santarém, que é como quem diz O Quinzena, há cerca de 9 anos”. Até agora foi a casa mais carismática por onde passou. “Têm sido nove anos espectaculares, desde os patrões até aos colegas de trabalho. É uma verdadeira equipa. O meu patrão, para além de patrão, tem sido um verdadeiro pai para mim”, confessa o empregado de balcão. O funcionário não faz distinção entre os clientes. “Para mim os clientes são todos iguais, tanto os serventes de pedreiro como os doutores e engenheiros. O dinheiro é todo igual”, diz.
Feliciano diz que a hotelaria não é para todos. Para se ter este tipo de emprego é preciso gostar. “Nem sempre estamos bem dispostos mas assim que começam os almoços esquece-se tudo. O patrão nota logo quando estou meio em baixo e pergunta-me logo se está tudo bem e se não preciso de conversar um pouco. Os próprios clientes também já me conhecem e por vezes são os próprios a animar-me. São eles que me dão a volta”. Por isso, diz, “os melhores momentos são quando recebo os clientes no Quinzena”.
Luís confessa que passa mais tempo no restaurante do que na própria casa. Não tem horário nem conta as horas. É divorciado e diz que já não tem paciência para aturar mulheres “ou elas não têm paciência para me atura”, diz. “Quando saio do trabalho sou um vadio. Vou sempre beber um copo a um lado qualquer na noite de Santarém. Gosto muito da noite. Quando chego a qualquer bar sou a única pessoa com cabelos brancos. A malta nova diz logo: ‘olha o cota está cá hoje’”.
A situação mais engraçada que viveu foi durante um arraial da Escola Agrária. “A malta assim que vê um funcionário do Quinzena é como se vissem Deus. Recebem-nos sempre muito bem. Uma vez agarraram em mim e levaram-me em ombros para dentro do arraial”. Luís também tem os seus momentos de tensão mas quando quer estar tranquilo pega no carro e vai ao Santuário de Fátima. “Naquele local sinto-me calmo e tranquilo no regresso sinto-me mais leve”.

“Os melhores momentos são quando recebo os clientes”

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