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Mais médicos e menos médicos mas ninguém fala na qualidade dos mesmos

Edição de 02.11.2016 | O MIRANTE dos Leitores

Aproveito a morte do médico João Lobo Antunes e os muitos elogios que lhe foram feitos para escrever sobre uma coisa que me preocupa cada vez mais e à qual não se parece dar muita atenção quando se fala de médicos...e já agora de outras profissões, jornalistas incluídos. Refiro-me à qualidade profissional.
Leio notícias sobre falta de médicos em hospitais e centros de saúde, sobre a contratação de mais tantos médicos de família ou especialistas mas isso não me diz tudo. Entre não ter médico de família, por exemplo, ou passar a ter um mau médico de família o que será preferível?
Numa crónica do escritor António Lobo Antunes (irmão do falecido neurocirurgião João Lobo Antunes) e a propósito da qualidade do serviço prestado em muitas unidades de saúde: “E nisto lembrei-me de um cirurgião a falar-me do Serviço de Urgências de certo hospital muito conhecido – O doente entrou bem mas depois sobreveio-lhe o Banco e morreu. E de facto, em muitos casos, um hospital é um lugar perigoso.”.
E, já agora, um outro parágrafo da mesma crónica, publicada a 13 de Outubro deste ano na revista Visão com o título “A Ordem dos Médicos: “O meu pai contava acerca de um professor da Faculdade de Medicina que disse a um estudante – Que você tenha chegado ao sexto ano não me espanta. O que me surpreende é como é que fez a quarta classe”. Quanto a mim, que já passei dos sessenta anos e não engulo diplomas, nem sequer os emoldurados a ouro, sinto o mesmo que ele.
Ricardina Telles Mendonça

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