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Opinião: Os desafios para as PME

Opinião: Os desafios para as PME

João Gomes*

O nosso tecido empresarial é constituído em mais de 90% por micro, pequenas e médias empresas, sendo vitais para a sobrevivência do país e para a manutenção do equilíbrio da nossa sociedade, seja a nível económico através da dinamização dos negócios e da inovação e competências empresariais, seja a nível social (emprego) e político (regulação). Ora, neste momento as PME portuguesas são confrontadas com uma série de desafios, a saber: acesso a fontes de financiamento, burocracia por via da elevada carga administrativa, a fiscalidade e a falta de competências, os quais tendem a ser compensados com a criação de novas oportunidades através da inovação e da internacionalização.
É óbvio que um dos grandes problemas para os nossos empresários é o financiamento, o qual se encontra bastante limitado por diversos motivos, impossibilitando a tomada de posição em atuais e novos negócios por parte dos empresários portugueses. Também não se pode descurar o setor de atividade, sendo, no entanto, este um problema de âmbito nacional e transversal a todos os setores da economia.
Acresce, por outro lado, que as PME se deparam constantemente com a alteração das regras fiscais e regulamentares (temos aí o OE 2017), o que gera desconforto e desorientação nas políticas empresariais, fortemente impactadas pela fiscalidade, contribuindo para o afastamento e desencanto dos empresários e investidores.
É factual que o desenvolvimento e crescimento das nossas empresas e consequentemente da nossa economia e sociedade depende da concertação de políticas por parte do governo, por forma a cativar os investidores para os negócios em território nacional. Mais, deveria ser estimulada a área industrial, fulcral para o nosso crescimento, por quanto e tal como sabemos o setor dos serviços é magnânimo, o que nos coloca numa posição fragilizada perante o exterior e fortemente dependente de terceiros.
Urge por exemplo, a concertação de sinergias entre municípios quanto aos parques industriais. Por fim, temos a questão da burocracia, que apesar dos proclamados processos de simplificação (simplex) tem tido um efeito contrário, avolumando na maioria dos casos as obrigações das empresas, nomeadamente, a nível declarativo, possibilitando desta forma ao Estado aliviar a sua carga de ocupação e ao mesmo tempo fiscalizar e obter informações a um ritmo e prazos quase imediatos.
Obviamente, que as PME têm conseguido em parte ultrapassar estas questões por via da inovação e da internacionalização, como provam os últimos anos das nossas exportações. Convém, evidentemente, ter em atenção o clima desfavorável a nível internacional, nomeadamente nos mercados emergentes, o que com certeza num futuro próximo irá condicionar as nossas PME, pelo que é imperativo por parte dos Governos a criação de condições para a sobrevivência e crescimento das mesmas. Isto só poderá ser feito em conjunto, estimulando as sinergias e ao mesmo tempo redefinindo as políticas estruturais do nosso país e renovando apostas na área empresarial.
*Grupo Moneris

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